Mundo de ficçãoIniciar sessãoAos vinte e dois anos, Ariella já aprendeu da pior forma que amor não paga conta — e muito menos tratamento médico. Órfã desde os vinte, ela carrega sozinha o peso de criar os irmãos gêmeos de quatorze anos, diagnosticados com amiloidose familiar, uma doença rara e progressiva que afeta o fígado. Entre dois empregos, dívidas que não param de crescer e noites em claro, Ariella não vive mais para si. Apenas luta para manter os meninos vivos. Até que um envelope misterioso aparece no hospital. Precisamos conversar. Pode mudar a vida dos seus irmãos. Dentro, apenas um nome e um endereço: Dr. Moretti. Desesperada, ela vai até o fim da cidade. O que encontra é um homem de olhos cinzentos e terno impecável que não pede — exige. Alessandro D'Montenegro não acredita em amor. Viúvo, traído e frio como o aço, o CEO bilionário enfrenta a batalha mais importante de sua vida: provar à justiça que tem condições de criar a filha de sete anos, Sofia, que passou seis anos escondida pelos avós maternos. Para vencer, ele precisa de uma esposa. Uma mulher que convença o juiz, a mídia e principalmente a própria filha de que a família que ele oferece é real. O contrato é claro: três anos de casamento. Discrição total. Nenhum envolvimento emocional. Em troca, ele paga o tratamento dos gêmeos e assume a adoção legal dos meninos — garantindo a eles o futuro que Ariella jamais poderia dar sozinha. No papel, é o negócio perfeito. O problema é que a convivência diária não lê contratos. Ariella jurou que não se apaixonaria. Alessandro jurou que nunca mais amaria ninguém. Mas contratos protegem patrimônios. Corações, não.
Ler maisCapítulo 37 Narrado por Ariella O dia passou tranquilo demais até a mensagem dele... Não foi uma manhã diferente. Acordei sem pressa, tomei banho, escolhi uma roupa confortável. Desci já perto do meio-dia. Os meninos estavam no jardim com Sofia. Rafa corria atrás de uma bola, Sofia gritava alguma regra inventada, e Beto lia como sempre, mas atento ao redor. Rossetti organizava a cozinha. A casa tinha aquele silêncio vivo que eu já reconhecia. Não era vazio. Era rotina. Ele não estava. Tinha saído cedo, disseram. Eu não perguntei para onde. Não era novidade. --- O almoço foi servido pouco depois. A mesa estava posta como sempre — pratos quentes, frutas já cortadas, sucos naturais, tudo organizado com cuidado por Rossetti. Nada excessivo, mas longe de ser simples. As crianças comeram rápido e voltaram para o jardim. Eu fiquei um pouco mais à mesa, sem pressa, mexendo no prato mais do que comendo. Depois, subi. Troquei de roupa por algo ainda mais confortável e deitei por al
Capítulo 36Narrado por Ariella O dia começou sem pressa. Acordei com o sol entrando pelas frestas da cortina, mas não levantei imediatamente. Fiquei ali, sentindo o tecido da camisola de cetim contra a pele, os cachos ainda protegidos pela touca. A Rossetti tinha razão sobre o cetim. Antes, eu acordava com um ninho na cabeça. Agora, os fios continuavam definidos, quase como na noite anterior. Peguei o celular na mesa de cabeceira. Nove e meia. Nenhuma mensagem de urgência. Bom. Levantei, fui até o banheiro e só então tirei a touca. Os cachos caíram soltos, ainda alinhados. Passei os dedos para separar algumas mechas e gostei do que vi. O banho, dessa vez, foi demorado. Abri o chuveiro e deixei a água esquentar enquanto escolhia os produtos. A bancada de mármore estava cheia — frascos de vidro fosco, rótulos em italiano, cheiros que eu ainda não sabia nomear. Entrei no box. A água quente caiu nas costas. Massageei o shampoo no couro cabeludo com calma, sentindo a espuma se for
Capítulo 35Narrado por Alessandro Passaram-se algumas semanas. O tratamento experimental dos meninos tinha sido um sucesso. Os exames mostraram o que o médico chamou de "remissão dos sintomas agudos" — a proteína defeituosa estava controlada, os níveis estáveis, os órgãos sem sinais de progressão da doença. Eles voltaram para casa no início do mês, e a mansão, que antes parecia um museu silencioso, agora vivia cheia de barulho. Rafa corria pelos corredores como se estivesse compensando o tempo perdido no hospital. Beto continuava lendo no jardim, mas agora levantava os olhos de vez em quando para ver o irmão correndo atrás de Sofia. Ela não desgrudava dos dois. Era "Rafa" pra lá, "Beto" pra cá, e a Lina sempre no colo, como se fizesse parte do trio. Ariella se dividia entre os três com uma naturalidade que eu não sabia que existia. Ela resolvia as brigas, ajudava com o dever, cortava fruta no meio da tarde, e ainda encontrava tempo para me olhar de um jeito que me desarmava. Eu
Capítulo 34 Narrado por Alessandro O escritório estava silencioso quando entrei. O sol já tinha clareado o suficiente para entrar pelas janelas do fundo, mas ainda era cedo. Antes das oito. O motorista tinha me deixado ali, eu tinha dispensado o café que a recepcionista ofereceu, e agora estava sozinho com os números na tela. A reunião com os representantes da filial de Dubai tinha sido remarcada três vezes na última semana. Dessa vez, não podia adiar. O contrato com os fornecedores dos Emirados estava emperrado havia dois meses, e o intermediário, um libanês com escritório em Londres, já tinha avisado que se não fechássemos até o fim do mês, o negócio esfriava. Eu não podia perder aquela oportunidade. A expansão para o mercado do Golfo era o próximo passo lógico. As filiais na Europa já estavam consolidadas. Cingapura operava com margem confortável. O Oriente Médio era a peça que faltava para fechar o circuito. Olhei para o relógio. 8h47. A ligação estava marcada para as 9h.





Último capítulo