Aqueles Olhos

Aqueles Olhos PT

Romance
Última actualización: 2025-01-18
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Resumen
Índice

Nathalia Sapatin construiu uma vida sólida nos Estados Unidos. Arquiteta renomada, independente e racional, ela sempre soube exatamente onde pisava — até o dia em que um acidente a trouxe de volta ao Brasil, grávida e emocionalmente vulnerável. No Capão Redondo, o destino coloca em seu caminho Andressa, conhecida como Dressinha — a mulher mais temida e respeitada do morro. Líder desde muito jovem, Andressa aprendeu que poder é sobrevivência e que sentimentos são fraquezas que não se pode permitir. O que começa como apoio inesperado transforma-se em uma amizade intensa. Nathalia, que nunca se envolveu com outra mulher, passa a sentir algo que não consegue nomear. Andressa, acostumada a controlar tudo ao seu redor, percebe que está perdendo o controle justamente onde mais dói: no coração. Mas o passado cobra seu preço. Breno, pai da criança e homem obcecado por controle, está disposto a tudo para afastar Nathalia de Andressa. Quando um segredo devastador vem à tona — revelando que Andressa já foi paga para matar Nathalia no passado — o amor recém-descoberto se rompe sob o peso da traição. Separadas pela dor e pela culpa, Andressa decide enfrentar o próprio passado e provar que pode ser mais do que a mulher que o mundo aprendeu a temer. Entre perdão, redenção e escolhas difíceis, Aqueles Olhos é uma história sobre amor inesperado, maternidade e a coragem de mudar — mesmo quando o preço é alto demais.

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Capítulo 1

01

Nathalia Sapatin Narrando

— Essas ruas de São Paulo, vou te contar, hein — resmunguei, olhando pela janela do táxi. O trânsito parecia uma pintura estática, carros empilhados como se ninguém tivesse pressa de chegar a lugar algum. O céu cinza refletia nos vidros dos prédios, e o som constante das buzinas criava uma trilha irritante para aquela manhã que já começava tensa.

Virei-me para Breno, que mexia no celular despreocupado, como se estivéssemos indo a um café e não a uma reunião decisiva.

— Tem como fazer outra rota, não? — perguntei ao motorista, inclinando o corpo para frente. Ele permaneceu calado, a expressão impassível refletida no retrovisor. — Desse jeito, vamos chegar atrasados para a reunião.

— Calma, Nathalia — disse Breno, levantando os olhos do celular e me oferecendo aquele sorriso confiante e levemente irônico. Ele esticou o braço pelo banco, relaxado demais para a situação. — Eles vão esperar. A Known precisa disso tanto quanto a gente.

Olhei para ele com ceticismo, mas antes que eu retrucasse, o celular dele começou a vibrar novamente sobre a perna.

— E o telefone? Não vai atender? — perguntei, arqueando a sobrancelha.

Ele soltou um suspiro longo, passando a mão pelo rosto antes de responder:

— Não. Melhor não.

— Mas Breno, é a sua mãe. — Cruzei os braços, observando-o com insistência.

Ele deu uma risada curta e balançou a cabeça.

— Só me faltava a dona Sônia no meu pé agora.

Eu ri junto, mas a curiosidade ainda me incomodava.

— Nunca entendi essa história entre você e sua mãe — comentei, inclinando a cabeça, tentando parecer casual.

Ele encostou a cabeça no banco, os olhos fixos no teto do táxi, a expressão perdendo o humor.

— Ela quis assim. Nunca quis que eu a chamasse de mãe. Para ela, sempre foi “Sônia”. E quando cresci, mandava eu dizer que era minha irmã.

— Nossa, que megera — soltei, indignada, levando a mão ao peito. Ele riu, mas havia algo amargo naquele riso.

— É o que temos — respondeu, dando de ombros.

Voltei minha atenção ao motorista.

— Tem outro caminho, não?

Ele finalmente nos lançou um olhar pelo retrovisor.

— Podemos cortar pela favela.

Troquei olhares com Breno. Ele ergueu as sobrancelhas como se dissesse “por que não?”.

— Por mim, pode ser — falei.

— Por mim também — completou ele, ajeitando o relógio no pulso.

O motorista arqueou uma sobrancelha.

— Vocês não têm medo, não?

Inclinei o queixo, encarando-o.

— Por que eu teria?

Ele soltou uma risada curta.

— A moça é corajosa, hein? Todo mundo pensa que favelado é ladrão.

— Isso é puro preconceito — respondi prontamente, cruzando as pernas e me ajeitando no banco. — Pode ir, desde que isso nos faça chegar mais rápido.

O táxi entrou em ruas mais estreitas. Casas simples, algumas com tijolos aparentes, outras pintadas com cores vibrantes já desbotadas pelo tempo. Antenas se acumulavam nos telhados improvisados. Crianças corriam atrás de uma bola murcha, enquanto uma pipa colorida brigava com os fios elétricos. O som de um pagode ecoava ao longe, misturado ao cheiro de comida fritando em alguma esquina.

O motorista dirigia com destreza, desviando de buracos e curvas apertadas. Quando nos aproximamos da entrada principal da comunidade, notei uma movimentação diferente. Pessoas reunidas, conversas interrompidas, olhares atentos.

Antes que o motorista dissesse qualquer coisa, uma garota saiu do grupo e fez sinal para que ele parasse.

Meu coração acelerou.

Ela caminhava com passos firmes, postura ereta, como quem não pede licença para existir. As tranças apertadas caíam pelos ombros, e uma mecha rosa cortava o escuro dos fios como uma assinatura ousada. A pele de tom médio brilhava sob a luz da rua, e tatuagens detalhadas desenhavam histórias nos braços e parte do torso. O top preto ajustado com a logo da Nike marcava sua silhueta atlética. O short preto trazia um cinto estilizado com o texto “Summer Sound”. No pescoço, um colar prateado refletia a luz, acompanhado de brincos discretos e pulseiras coloridas que se moviam a cada gesto.

Ela parou ao lado do táxi, apoiando o braço na janela.

— Fala aí, Severino — disse ela, ajeitando uma das pulseiras com naturalidade.

— E aí, Aline — respondeu o motorista, com respeito.

Senti o olhar dela pousar sobre mim. Firme. Avaliador. Depois deslizou até Breno.

— Passou por aqui por quê? — perguntou, estreitando levemente os olhos.

— Para cortar caminho — respondeu o motorista, impaciente. — Agiliza aí, Aline, tô trabalhando.

Ela inclinou a cabeça, analisando-nos mais uma vez. Havia algo em sua presença que impunha respeito. Por fim, assentiu e se afastou.

Observei quando ela se aproximou de alguém mais à frente.

E então eu a vi.

Encostada perto de uma parede amarelada e desgastada, sob a luz esverdeada de um poste antigo, estava Andressa.

Ou melhor…

Dressinha.

Ela era diferente de tudo que eu tinha imaginado.

O cabelo longo, castanho escuro com reflexos mais claros, caía solto pelos ombros em ondas naturais, como se não precisasse de esforço para ser bonito. A pele morena tinha um brilho quente sob a iluminação da rua, destacando os traços marcantes do rosto. Os olhos eram intensos, atentos, sempre calculando. Havia um piercing discreto no lábio inferior que quebrava qualquer ideia de delicadeza excessiva — nela, tudo era equilíbrio entre força e feminilidade.

Ela usava um top faixa verde neon que contrastava com o tom da pele e deixava à mostra o abdômen definido, coberto por tatuagens que contavam histórias em traços delicados e ousados ao mesmo tempo. Havia desenhos espalhados pelos braços, pelo estômago, pelo colo — cada um parecia ter um significado, mas todos juntos formavam a identidade dela.

No pescoço, colares sobrepostos — um mais justo, outro com pingente redondo — davam um ar quase ritualístico. Nos pulsos, várias pulseiras coloridas se acumulavam, criando movimento a cada gesto. A calça preta de cintura baixa deixava parte da barriga à mostra, reforçando aquela estética urbana, autêntica, crua.

— O que está acontecendo? — perguntou Breno, ajeitando-se no banco e me lançando um olhar preocupado.

O motorista deu de ombros.

— Relaxa. Ela só foi pedir pra liberar a gente.

Mas nada chamava mais atenção do que a postura.

Ela não estava apenas parada.

Ela ocupava o espaço.

O corpo relaxado, as mãos nos bolsos, o queixo levemente erguido — como quem sabe que não precisa provar nada para ninguém. As pessoas ao redor falavam, riam, circulavam… mas era como se tudo girasse em torno dela.

Dressinha não precisava levantar a voz.

A presença dela já era suficiente.

E quando seus olhos encontraram os meus…

Eu senti.

Não foi medo.

Não foi desconforto.

Foi reconhecimento.

Como se alguma coisa dentro de mim tivesse despertado naquele exato segundo.

— Essa aí é a Dressinha? — perguntou Breno, a voz mais baixa.

— Sim, é ela mesma — respondeu o motorista, quase reverente.

— Ela que manda aqui, né?

— Ela manda na chuva e no sol — disse ele, soltando uma risada nervosa. — Aqui tudo passa por ela.

Encostei a cabeça no banco, mas meus olhos ainda estavam fixos na figura de Andressa.

Dressinha.

Eu não sabia explicar por quê.

Mas tinha a sensação de que aquele não tinha sido apenas um encontro casual.

Tinha sido o começo de alguma coisa.

E eu ainda não fazia ideia do tamanho da tempestade que estava prestes a começar.

Ela inclinou a cabeça, analisando-nos mais uma vez. Havia algo em sua presença que impunha respeito. Por fim, assentiu e se afastou.

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