Mundo de ficçãoIniciar sessãoNathalia Sapatin construiu uma vida sólida nos Estados Unidos. Arquiteta renomada, independente e racional, ela sempre soube exatamente onde pisava — até o dia em que um acidente a trouxe de volta ao Brasil, grávida e emocionalmente vulnerável. No Capão Redondo, o destino coloca em seu caminho Andressa, conhecida como Dressinha — a mulher mais temida e respeitada do morro. Líder desde muito jovem, Andressa aprendeu que poder é sobrevivência e que sentimentos são fraquezas que não se pode permitir. O que começa como apoio inesperado transforma-se em uma amizade intensa. Nathalia, que nunca se envolveu com outra mulher, passa a sentir algo que não consegue nomear. Andressa, acostumada a controlar tudo ao seu redor, percebe que está perdendo o controle justamente onde mais dói: no coração. Mas o passado cobra seu preço. Breno, pai da criança e homem obcecado por controle, está disposto a tudo para afastar Nathalia de Andressa. Quando um segredo devastador vem à tona — revelando que Andressa já foi paga para matar Nathalia no passado — o amor recém-descoberto se rompe sob o peso da traição. Separadas pela dor e pela culpa, Andressa decide enfrentar o próprio passado e provar que pode ser mais do que a mulher que o mundo aprendeu a temer. Entre perdão, redenção e escolhas difíceis, Aqueles Olhos é uma história sobre amor inesperado, maternidade e a coragem de mudar — mesmo quando o preço é alto demais.
Ler maisAndressa narrando— Eu vou tomar um banho — disse Yasmin, séria. — E quando eu terminar, nós vamos ter uma conversa.O tom dela não deixava espaço para ironia.Eu estava no sofá, tentando aproveitar um raro momento de silêncio, mas Yasmin estava parada no meio da sala, braços cruzados, expressão rígida. Eu tinha evitado ela ontem, mas hoje não vai ser possível. A luz da tarde que atravessava a janela marcava ainda mais o desenho do rosto dela — decidido, tenso.Ela não estava apenas preocupada.Estava afetada.— Você perdeu completamente a noção do perigo — começou, com uma calma controlada que me preocupava mais do que se ela estivesse gritando. — Se envolver com a Andressa já é complicado. Mas trazer isso para dentro da sua casa?Suspirei, ajeitando a almofada nas costas.— Não estou “me envolvendo”. Estavamos conversando.— Não é o que parece.Eu sustentei o olhar dela.— E o que parece?Yasmin caminhou lentamente pela sala antes de responder.— Parece que você está procurando algo
Então ela voltou, bateu no vidro e eu baixei. — Quer subir? — ela perguntou, como se fosse algo simples. Eu hesitei. Mas não disse não.— Vem, entra — Nathalia falou, abrindo espaço na porta.Eu dei aquela analisada rápida no corredor chique demais pro meu padrão.— Ih, arquiteta… condomínio de novela, hein.— Para de graça e entra logo.Entrei. O apartamento dela tinha cheiro de limpeza e perfume suave. Tudo organizado. Sofá cinza, quadros modernos na parede, luz amarela criando um clima quase íntimo demais pra duas pessoas que ainda estavam fingindo que era só conversa. Ela fechou a porta e soltou o ar. — Droga de bota… — murmurou, tentando tirar o salto com dificuldade. Eu observei. Eu encostei na parede, cruzando os braços, olhando de cima a baixo.— Aí, com todo respeito mesmo… deixa eu dar uma força.Ela me olhou por cima do ombro.— Você sabe tirar isso?— Sei desenrolar coisa mais difícil que isso aí.Ela riu baixo e sentou no sofá.Eu me agachei na frente dela. O vest
Andressa narrando A semana se arrastou. Eu já tinha dado o salve geral, cobrado contato, apertado quem precisava apertar. O carro da Yasmim tava localizado — só faltava organizar a entrega. Mas não era só isso que tava me deixando inquieta. Não era só resolver o B.O. Era Nathalia. Passei o rádio pra Nanda e mandei avisar que eu tinha notícias. Pedi pra ela vir sozinha. Eu tava sentada na mesa do fundo do restaurante da Nanda, boné virado pra trás, braço apoiado na madeira riscada de tempo. O lugar tinha aquele cheiro bom de tempero fresco, alho refogado, pimenta no ponto. A luz do fim de tarde entrava pelas janelas e deixava tudo dourado. Quando a porta abriu, a conversa do salão diminuiu um pouco. Eu levantei os olhos. E aí ela entrou. Nathalia não andava — ela deslizava. Vestia um vestido branco justo, curto, marcando as curvas com uma segurança que não era vulgar, era consciente. Por cima, uma jaqueta branca oversized caía pelos ombros, deixando a pele à mostra de propó
Nathalia Sapatin NarrandoUm mês já havia se passado desde que começamos o projeto no Capão. O trabalho fluía com surpreendente rapidez e eficiência. Os moradores eram receptivos, participativos — orgulhosos, até. Tudo estava indo de vento em popa.A tal Dressinha, que nos deixou uma primeira impressão forte no dia do táxi, não apareceu mais. Ela havia enviado uma representante legal que fez toda a negociação com a equipe.Mas o destino tem um senso de humor peculiar.E eu estava prestes a cruzar com ela novamente.Era fim de expediente. O sol já descia no horizonte, pintando o céu com tons alaranjados e rosados. A poeira suspensa no ar refletia a luz como ouro fino. Yasmin tinha ido me visitar para ver o andamento do projeto.Estávamos rindo, falando sobre prazos e moradores participativos, quando chegamos ao estacionamento improvisado.O carro dela não estava lá.O sorriso dela morreu primeiro.— Meu carro… Nathalia, meu carro! — ela disse, girando em círculos, como se o veículo fos















Último capítulo