Amélia
A neve caía fina e silenciosa do lado de fora da mansão Sokolov, mas dentro dos muros, o caos era interno. Amélia estava no quarto de hóspedes, de costas para a porta, abraçada aos próprios joelhos enquanto encarava a lareira apagada. Seus olhos estavam vermelhos, não apenas pelo choro, mas pela raiva. Pela dúvida. Pelo nojo que sentia de si mesma, de seu passado, de tudo que agora descobrira.
As últimas horas tinham sido como um pesadelo — não, pior, como acordar de um sonho em que acre