Naquela manhã, Júlia acordou sem perguntas urgentes. Não porque tivesse encontrado todas as respostas, mas porque tinha parado de exigir que elas viessem imediatamente. O sol entrava tímido pela janela, desenhando sombras suaves no quarto. Daniel ainda dormia, virado de lado, o braço estendido como se marcasse presença mesmo no sono.
Ela ficou ali por alguns minutos, respirando devagar, percebendo o próprio corpo. Não havia tensão nos ombros. Não havia aperto no estômago. Havia um cansaço bom, desses que vêm depois de um dia vivido com honestidade.
Levantou-se em silêncio e foi até a sala. Pegou o caderno novo, sentou-se no sofá e começou a escrever sem pensar muito. Não era sobre o passado. Nem sobre o futuro distante. Era sobre o agora.
Hoje eu não quero correr.
Hoje eu quero ficar.
Fechou o caderno com cuidado, como se tivesse registrado um pacto consigo mesma.
Daniel apareceu pouco depois, ainda sonolento, esfregando o rosto com as mãos.
— Você acordou cedo — disse, olhando em vol