O retorno para casa aconteceu em silêncio, mas não no vazio. Havia algo novo entre eles. Uma calma densa, madura, como se o mundo tivesse finalmente parado de empurrá-los para a beira do abismo. Júlia observava a estrada pela janela, desta vez enxergando tudo. As árvores, o céu, as pequenas cidades passando. Nada parecia borrado. Tudo estava presente.
Daniel dirigia com o corpo relaxado, mas a mente desperta. Aquele encontro tinha fechado feridas antigas, mas também deixara marcas. Não de dor, e sim de consciência.
— Parece estranho… — Júlia murmurou, quebrando o silêncio.
— O quê? — ele perguntou.
— Saber que não há mais ninguém entre nós. Nenhuma sombra. Nenhum segredo vivo.
Daniel sorriu de canto.
— É como aprender a respirar diferente depois de anos prendendo o ar.
Ela virou-se para ele.
— Você se arrepende? — perguntou. — De tudo que enfrentou por mim?
Daniel não pensou.
— Não. — E depois completou: — Mas me arrependeria profundamente se tivesse te perdido.
Júlia sentiu os olhos