Mundo ficciónIniciar sesiónUma das maneiras de ser imigrante permanente na Inglaterra é por meio de um visto de trabalho, mas este ofício precisa ser contratado especificamente por uma empresa ou empregador do Reino Unido com poder suficiente para legalizar a ordem. Para a professora de letras Hadassa Albuquerque , isso foi possível quando o bilionário Levy Eduard Byron por sorte ou destino, esbarrou-se com ela em sua própria casa após um estranho acidente de carro que aparentemente tinha deixado sequelas; uma vez que, ele se lembrava das pessoas a sua volta, menos da imigrante brasileira que todos diziam ser sua esposa.
Leer másEra o fim de tarde de uma sexta-feira e o metrô estava lotado.
Hadassa tinha acabado de dar a última aula do dia e sentia-se como se fosse um daqueles trilhos, levando em consideração todo o cansaço e sono acumulados nos últimos meses; entretanto, não poderia reclamar. Era cansativo, mas a grana também era boa o suficiente para viver com dignidade e sustentar a família. Quando chegou em casa, o termômetro já marcava uns bons 11° C com a possibilidade de cair mais. Com certeza aquela seria uma boa noite de sono porque do jeito que estava cansada e com o frio de doer nos ossos, ela dormiria completamente encolhida depois de um bom banho quente e, quem sabe, uma sopa feita por Paula, sua irmã caçula. Respirou fundo quando o vagão em que estava parou e as portas deslizaram, dando a visão da multidão que descia, inclusive ela mesma espremida e esgotada. Dali por diante seria mais um ônibus e 7 minutos de caminhada até chegar no pequeno e simples prédio de designer antigo e industrial onde moravam há pouco mais de dois anos, e tudo isso graças ao visto trabalhista que conseguiu ao ser contratada pelo CEO de uma das maiores empresas de engenharia e arquitetura da Inglaterra. Bem, ela não foi exatamente contratada pelo dono, mas seu ordenado principal saía com todas as informações de registro das empresas Byron, e obviamente, como uma boa professora de letras e poliglota, ela sabia que qualquer um que carregasse o sobrenome Byron fazia parte direta ou indiretamente da nobreza inglesa. A oportunidade era única para um imigrante e ela aproveitou. No mais, não estava tão interessada em quem lhe pagaria, desde que fossem fiéis a questão do visto de permanência para ela e a irmã e o pai que já estava em idade avançada. A vida estava tranquila, e com o ganho extra das aulas que dava depois de cumprir suas horas de serviço na casa de Lady Clear Byron, ela conseguia pagar o financiamento do imóvel. Mais um ano de trabalho duro poderia ser oficialmente dona. — Cheguei! — ela entrou no apartamento pequeno e aconchegante. — Que cheiro bom... — comentou tirando os sapatos e atravessando a sala. — Canja quentinha. Saiu do fogão nesse instante. — Paula comentou, colocando torradas frescas na mesa, limões cortados em rodelas, café quente e leite vaporizado. — A cara está ótima. — Hadassa comentou. — E o sabor também. — Paula fez um bico presunçoso, o que arrancou uma risada de Hadassa. — E o papai? — Perguntou Hadassa caminhando para o pequeno quarto próximo ao da irmã e, o menor cômodo do apartamento, mas ela estava contente por poder proporcionar o melhor para eles. — Assistindo o jogo no quarto. — Paula respondeu seguindo-a. — Ele está feliz com a TV que você colocou para ele. Hadassa sorriu aliviada e não pode deixar de sentir o coração aquecido pela ideia de saber que estava conseguindo dar algum conforto a família. — Vou tomar um banho e irei vê-lo. — Ela falou pendurando a bolsa no suporte de estrelas atrás da porta. — Como foi o dia, mana? — Paula perguntou ajudando-a com o casaco. Realmente estava preocupada com a irmã. — Puxado. — Hadassa respondeu tirando a roupa pelo caminho, até chegar ao banheiro no corredor e jogar as roupas no cesto. — Sua patroa? — Paula perguntou, mas tinha certeza de que isso era o que estava causando um vinco na testa da irmã a vários dias. — Sim... — ela parou momentaneamente, arrumando o coque nos cabelos de ondas naturalmente bem moldadas. — Ela está piorando. — falou com certo pesar. — Sei que toda essa tristeza não é apenas por seu emprego. — Paula comentou, buscando um pijama quente para a irmã mais velha. — São as crianças, não é? Hadassa parou por alguns instantes e engoliu a vontade de chorar... Não queria que aquelas crianças passassem pelo que ela mesma e sua própria irmã passaram. Não desejava tal dor para ninguém, e principalmente para Agatha e o tão pequeno Oliver. — Não sei nem o que dizer... — Hadassa suspirou. Mais preocupações e tristeza pesando sobre seus ombros. — Olha, isso não é problema seu, Hada. É bom ir pensando em outras opções. — Paula foi sincera, mesmo que soou egoísta e talvez até cruel; no entanto não iria se justificar, uma vez que a irmã tinha muitas demandas e responsabilidades. Hadassa por sua vez, apenas estalou a língua e foi para o banho, ignorando os resmungos da mais nova. ~ Passava das 22:00 quando ambas decidiram ir dormir. Paula teria aula logo cedo e Hadassa fazia questão de que ela não perdesse um dia. Paula conseguiu meia bolsa na University of London por meio das notas do Enem, enquanto ainda estava no Brasil. Hadassa se esforçou ao máximo para levá-los para a Inglaterra depois de longos dois anos trabalhando duro para juntar dinheiro e sustentar a família, até que conseguiu tirá-los de Ilhéus, no sul da Bahia e levá-los para o Reino Unido. Não foi fácil. Ela precisou se arriscar e se esforçar além da média. Era órfã de mãe e teve de ajudar o pai a cuidar da irmã mais nova. Alternava entre trabalhar durante 8 por dia horas para ganhar um salário básico no Brasil e estudar na Universidade Estadual de Santa Cruz, se especializando em letras e pagando cursos de linguística com bicos e extras. Saindo do trabalho direto para o campos, sem se alimentar direito, sem dormir direito, pois trabalhava em uma panificadora e tinha de bater o ponto as 05:30, portanto, as 04:00 ela tinha de estar de pé, bem como o pai que na época era motorista de transporte coletivo. A única vantagem é que no Brasil, não moravam de aluguel e Paula conseguiu entrar para o Colégio da Polícia Militar, o que contribuiu é muito em seu histórico estudantil para conseguir cursar engenharia em Londres com meia bolsa de desconto, boas notas no Enem e claro, o esforço para atender os critérios da universidade que lhe concedeu meia bolsa. Hadassa pagava a outra metade. Quando surgiu a oportunidade para de um intercâmbio no Reino Unido, Hadassa aproveitou. Agarrou a oportunidade e aos 23 anos conseguiu um visto de estudante para pós graduação no Reino Unido e isso só foi possível porque ela não apenas fez cursou letras, mas aprofundou-se em mais cinco idiomas, mostrando-se capaz de ir além. Fluente em inglês, espanhol e tendo um bom conhecimento de grego e turco, ela alcançou destaque. Ao chegar no Reino Unido, não se acomodou no bairro universitário. Procurou vagas de emprego e foi esperta o bastante para contatar uma agência que a encaminhasse para o serviço certo. Logo, uma vaga de professora de língua portuguesa brasileira surgiu e Hadassa foi escolhida para a missão de lecionar Agatha Byron, na época, uma garotinha de cinco anos. O que Hadassa não imaginava era que essa garotinha pertencia a nobresa inglesa e que seu sobrenome carregava séculos de história. Hadassa não fazia ideia de que três anos depois, a honorável Clear Byron, iria tê-la como âncora e criariam um laço tão forte ao ponto de fazer-lhe um pedido forte demais: “Hadassa, por favor, quando me for, cuide de meus filhos. Você é a única pessoa em quem confio depois de meu irmão.” Agora, aos 26 anos a professora Hadassa tinha um grande desafio e uma promessa a cumprir...Victória desligou a chamada é respirou aliviada. Obviamente nada estava bem, mas apenas a certeza de que Levy estaria em casa muito em breve já representava alguma esperança. Levy era o chefe da família e tinha muito da personalidade organizada, forte e dominante de Anthony, bem como a beleza estonteante da memorável mãe Leona. De alguma forma, Victória sentia que apenas a presença dele poderia mudar todo aquele cenário de caos.Quase adormecida pelo cansaço e o analgésico que bateu forte, ela não percebeu que Brian estava a espreita, acompanhando o diálogo e decidindo qual seriam os próximos passos. Deixou a mãe sonolenta e saiu pela casa, encontrando a pessoa que queria descendo as escadas de maneira furtiva. — Ora, ora... — falou em um tom arrastado e malicioso, fazendo Hadassa brecar os ligeiros passos na escada. — Senhor Brian! — a moça abaixou o olhar e colocou as mãos nos bolsos de maneira nervosa. — E-eu já estava indo, mas as crianças-... — Pode ficar tranquila. — Brian
Victória olhava para aquela pintura inacabada, mas não ficava em nada exatamente. Diante dela estava uma tela com o que seria provavelmente a última pintura de Clear. Era uma pintura abstrata; cores em tons de violeta, azul royal, preto e vinho preenchiam a tela até uma metade diagonal, enquanto a outra permanecia em branco... Victória prestou um pouco mais de atenção e percebe que Claro já havia deixado sua marca na tela, o que a fez questionar se a pintura estava realmente inacabada ou se aquele quadro era uma mensagem de como Clear se sentia depois de todas as ondas que a atingiram sem nenhum aviso. O telefone vibrou em sua mão, enquanto ela segurava firmemente a xícara de chá servida por Cecília na outra. Ela olhou para a tela do aparelho e suspirou, sentindo-se um pouco aliviada. — Olá, meu querido... — atendeu a chamada com a voz embargada, cheia de carinho, ternura, tristeza e cansaço; mas ainda assim, falar com ele sempre trazia-lhe certa paz. — Deveria estar dormin
O período da manhã passou rápido. As aulas na escola particular em que trabalhava como professora de linguagem eram divididas entre horários, bem como no Brasil; mas sempre que conseguia executar suas horas, Hadassa já se encaminhava para outra, e isso poderia ser em uma propriedade ou qualquer outro cliente disposto a aprender alguma das línguas nas quais ela era especializada. Logo ela estava seguindo para a propriedade Robinson em Hampstead. Em alguns bons 30 minutos entraria na região arborizada e quase campestre do bairro nobre. Quando o mordomo Roger abriu a porta, Agatha correu e saltou no colo da professora, abrigando-se no abraço caloroso de Hadassa. — Boa tarde, senhorita Albuquerque. — Roger saudou elegantemente. — Tia Hada! — ela agarrou a professora de português como se fosse sua tábua de salvação. — Oh! Olá Roger. — respondeu ao mordomo e logo voltou a atenção para a criança. — Oi, meu bem... — Hadassa permitiu-se aquele carinho tão puro e cheio de sentimen
Ela estava deitada e aquecida, mas o sono não vinha. Muitas coisas estavam passando como um filme em sua mente. Ela tinha a resposta para o pedido de Clear e isso era bastante óbvio; no entanto, não é como se fosse a coisa mais simples saber que alguém tão especial estava partindo para outro plano... Ela já conhecia essa estrada, e talvez por saber disso, Clear tenha lhe pedido algo tão profundo. Clear Byron não era apenas sua patroa; era uma amiga e até protetora. Houve um tempo em que Clear foi a única pessoa com quem Hadassa pode contar quando sentia o desespero da saudade por seu pai e irmã apertarem. E se não fosse por ela, com certeza a família Albuquerque não poderia estar reunida novamente, tampouco seu pai poderia ter o tratamento adequado para a idade. Devia muito a patroa e amiga, mas sentia-se incapaz de cumprir com aquele pedido de Clear simplesmente porque não queria que ela morresse. Mas Hadassa sabia que nem tudo poderia ser como o coração deseja. Clear e
Último capítulo