O tempo não parou depois do “felizes para sempre”. Ele apenas mudou de ritmo.
Três anos haviam passado desde o dia em que Júlia e Daniel disseram sim diante de poucas testemunhas e muitas cicatrizes. O mundo continuou girando, como sempre fez, indiferente às promessas humanas. Ainda assim, algo tinha se ajustado. Como um relógio antigo que, depois de muito atraso, finalmente encontra o compasso certo.
A casa onde moravam agora ficava longe do barulho da cidade. Não era grande, nem luxuosa, mas tinha janelas largas e um quintal que Júlia insistia em chamar de jardim, mesmo quando as plantas cresciam tortas e rebeldes. Daniel dizia que aquilo combinava com eles.
Naquela manhã, Júlia acordou cedo, sentindo um incômodo familiar na lombar. Passou a mão pela barriga ainda discreta e sorriu antes mesmo de abrir os olhos. O corpo falava antes da mente. A vida estava acontecendo ali, silenciosa, paciente.
Daniel entrou no quarto poucos minutos depois, trazendo o cheiro de café fresco.
— Você a