O convite chegou numa tarde comum, desses dias em que nada parece anunciar grandes viradas. Júlia estava sentada à mesa da cozinha, folheando distraidamente um caderno antigo quando encontrou, entre páginas amareladas, anotações feitas com outra caligrafia. A dela, anos atrás. Fragmentos de pensamentos, sonhos interrompidos, planos que nunca chegaram a existir de verdade.
Daniel observava de longe, encostado no balcão, atento demais para alguém que fingia casualidade.
— O que foi? — perguntou.