A estrada parecia mais longa do que realmente era. Júlia observava a paisagem pela janela do carro, mas não via nada de fato. O mundo passava borrado, distante, enquanto dentro dela as memórias antigas e as novas se misturavam como peças de um quebra-cabeça que finalmente começava a fazer sentido.
Daniel dirigia em silêncio, as duas mãos firmes no volante. Não era um silêncio desconfortável. Era o tipo que antecede algo importante, como o instante antes de uma confissão ou de uma despedida.
— V