CAPÍTULO 49 — O QUE SOBRA DO SILÊNCIO
Arthur nunca conheceu silêncio tão pesado.
Não era apenas ausência de som — era a ausência dela.
Da voz firme, do jeito determinado, da calma que ela oferecia mesmo quando ele não merecia.
A empresa estava estranhamente quieta desde que Helena fora transferida.
A sala dela desocupada, o projeto agora nas mãos de uma equipe que ele mal tinha coragem de olhar, e o prédio inteiro com uma frieza que antes ele não percebia.
Como se ela tivesse levado algo mais do que sua presença quando saiu.
Como se tivesse levado ar.
Arthur ainda tinha trabalho, reuniões, decisões importantes… mas tudo parecia mecânico. Automático. Sem propósito.
No terceiro dia após a transferência, ele percebeu que estava encarando o elevador há cinco minutos, esperando por uma pessoa que não iria aparecer.
Ele passou a mão pelo rosto.
Ele estava bagunçado. Exausto. Irritado. E, acima de tudo…
Com saudade.
— Senhor Arthur? — Gabriel chamou, batendo na porta. — O senhor