No ritmo do desejo

No ritmo do desejoPT

Romance
Última actualización: 2026-02-05
Scarllet Luna  Recién actualizado
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Resumen
Índice

​Luna Centineo é uma aspirante a bailarina determinada, lutando para manter seus sonhos vivos enquanto lida com a ausência dos pais e a superproteção da irmã. Seu mundo é feito de disciplina, suor e o silêncio das cortinas. ​Noah Castillo é o herdeiro de um império, o astro do lacrosse e o "bad boy" oficial de Madrid. Ele tem o mundo aos seus pés, mas vive em uma gaiola de vidro, sufocado pelas expectativas de uma família que o vê apenas como um investimento. ​Tudo muda quando Noah decide que Luna é o seu novo alvo. O que começa como uma invasão de território transforma-se em uma obsessão "perigosa". Entre janelas abertas na calada da noite, toques proibidos e segredos, eles descobrirão que o desejo tem um ritmo próprio — e que, uma vez iniciado, ninguém consegue parar a dança.

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Capítulo 1

O Vidro Tem Dois Lados

​Dizem que a distância mais curta entre dois pontos é uma linha reta. Mas eles nunca moraram na minha rua, em Madrid.

​De um lado, a minha casa: um lugar de resistência. Paredes decoradas com fotos antigas tentam manter vivo o que o tempo e a tragédia levaram. O cheiro de café é a única coisa que parece nunca faltar, servindo de combustível para a minha irmã, Siena. Aos vinte e sete anos, ela é a estrutura que me segura. Residente médica, exausta e sempre com uma planilha de contas aberta sobre a mesa, Siena interrompeu a própria vida por dois anos quando nossos pais morreram no acidente. Ela trocou a sua liberdade pela minha guarda, trabalhando em dobro para que eu pudesse continuar estudando no colégio de elite onde ela se formou. Siena não aceita que eu tenha uma educação inferior à dela.

​Nos fundos e nas laterais, quase abraçando toda a nossa casa, erguia-se o Alcázar.

​A mansão dos Castillo. Se a Espanha não tivesse uma família real no palácio, eles certamente seriam os donos da coroa. Três irmãos. Três problemas. O mais velho, Dante, parece ter nascido de terno e com o coração congelado. O caçula, Marco, é o único que parece humano, mas provavelmente gastou o carisma de toda a linhagem sozinho.

​E depois... tem o Noah.

Noah Castillo. Ele j**a lacrosse como se estivesse em uma guerra de conquista e caminha pelos corredores do colégio como se o chão tivesse sido pavimentado apenas para ele pisar. Ele é, sem dúvida, o garoto mais desejado, gato e pegador daquela escola — talvez até de Madrid. É o tipo de beleza que faz você se sentir pequena apenas por estar no mesmo fuso horário; a criatura mais hipnotizante que já cruzou o meu caminho. O atleta mais letal, o rosto que estampa os sonhos de todas as garotas do primeiro ao segundo de Bachillerato.

​Eu o odeio? Com todas as fibras do meu corpo. Eu o desejo? Bem, meu corpo ainda não recebeu o memorando do ódio. Minha pele parece trair minha mente toda vez que ele passa por mim. E é por esse motivo que eu tento me manter o mais longe possível dele.

​Para o mundo, sou só mais uma garota aspirante a bailarina que tenta passar despercebida. Mas dentro do meu quarto, viro a Luna que ninguém conhece.

​Naquela noite, o silêncio da casa era absoluto enquanto Siena estava no hospital. Vesti meu collant preto, calcei minha sapatilha favorita — sabe aquela sapatilha mais gasta que parece já conhecer cada passo e que, se você vacilar, sai dançando sozinha? — e dancei. Dancei como se o chão estivesse pegando fogo, expulsando a pressão de ser a "irmã perfeita". Eu me sentia segura, protegida pela escuridão lá fora. O que eu esqueci é que morar cercada por uma mansão com janelas enormes de vidro tem um preço: a gente esquece que o vidro funciona dos dois lados.

​Foi quando ouvi um estalo vindo da minha pequena sacada.

​Meu coração disparou. Olhei para a janela. A brisa da noite de Madrid balançou o tecido leve da cortina e ali, encostado na mureta como se fosse um gato de rua vindo do inferno, estava ele. Noah Castillo.

​Ele estava com o moletom escuro do time de lacrosse, os olhos azuis — ou seriam cinzas naquela iluminação? — fixos em mim. Ele não parecia arrependido. Parecia... satisfeito.

​— O pé esquerdo — ele disse, sua voz rouca cortando o silêncio do quarto. — Você hesitou na aterrissagem do último giro.

​Eu recuei, batendo as costas na cômoda. O choque me deixou sem voz por um segundo; o ar parecia ter sido sugado do quarto. Minhas pernas, ainda quentes do esforço da dança, fraquejaram. Eu me sentia exposta, não apenas pelo collant justo, mas pelo fato de ele ter decifrado cada movimento que eu acreditava ser só meu. Era como se ele tivesse arrancado a pele da minha segurança.

​— O que você está fazendo aqui? Como você subiu? Você enlouqueceu?

​Ele pulou da sacada para dentro do quarto com uma agilidade que me fez lembrar por que ele era o melhor do time. O chão nem pareceu sentir o peso dele. Ele ignorou meu pânico e caminhou lentamente pelo meu santuário, passando os dedos pelos meus livros na escrivaninha. Cada passo que ele dava parecia reduzir o tamanho do meu quarto, tornando o teto baixo e o oxigênio escasso. Noah Castillo não entrava em um lugar; ele o tomava para si.

​— A ala leste da minha casa tem uma vista privilegiada, vizinha. Mas eu cansei de ver o filme sem o som. — Ele parou a poucos centímetros de mim. O cheiro dele — algo como cedro e chuva — invadiu meus pulmões, confundindo meus sentidos. — Você dança como se estivesse sozinha, Luna. Mas eu garanto: você nunca esteve.

​— Saia daqui agora, Noah! Eu vou ligar para a Siena, vou ligar para a polícia! — Tentei parecer firme, mas minha voz tremeu, entregando o quanto a proximidade dele me afetava.

​Ele sorriu, uma curva lenta e perigosa nos lábios.

​— Pode ligar. Mas duvido que eles cheguem antes de eu te contar que a parte em que você tira o cabelo do rosto e sorri para o espelho... aquela foi a minha favorita.

​Ele se aproximou tanto que eu podia sentir o calor que emanava dele, uma brasa viva contra a minha pele suada. Por um instante, o ódio e o desejo travaram uma guerra no meu estômago, um nó impossível de desatar. Ele estendeu a mão, não para me tocar, mas para tirar uma mecha de cabelo do meu rosto que estava úmido de suor. O toque quase não existiu, mas o rastro de eletricidade que deixou foi pior do que um golpe.

​— Te vejo no colégio amanhã, vizinha. Tente não errar o passo.

​E, com a mesma facilidade com que entrou, ele desapareceu pela sacada, me deixando sozinha com o som do meu próprio coração martelando contra as costelas. Ele não tinha apenas me espionado. Tinha invadido a minha privacidade. Tinha quebrado o único lugar onde eu podia ser eu mesma.

​E o pior de tudo? Eu percebi que, mesmo trêmula de raiva, não tinha corrido para trancar a janela. Fiquei ali, parada, encarando a cortina que ainda balançava, sentindo o vazio que a presença dele deixou.

​No dia seguinte, quando a sombra dele cobriu o meu armário no corredor do Saint George, eu já sabia que nada mais seria igual. Ele não era apenas o vizinho rico do Alcázar. Ele era o meu predador.

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