Mundo ficciónIniciar sesiónLuna Centineo é uma aspirante a bailarina determinada, lutando para manter seus sonhos vivos enquanto lida com a ausência dos pais e a superproteção da irmã. Seu mundo é feito de disciplina, suor e o silêncio das cortinas. Noah Castillo é o herdeiro de um império, o astro do lacrosse e o "bad boy" oficial de Madrid. Ele tem o mundo aos seus pés, mas vive em uma gaiola de vidro, sufocado pelas expectativas de uma família que o vê apenas como um investimento. Tudo muda quando Noah decide que Luna é o seu novo alvo. O que começa como uma invasão de território transforma-se em uma obsessão "perigosa". Entre janelas abertas na calada da noite, toques proibidos e segredos, eles descobrirão que o desejo tem um ritmo próprio — e que, uma vez iniciado, ninguém consegue parar a dança.
Leer másDizem que a distância mais curta entre dois pontos é uma linha reta. Mas eles nunca moraram na minha rua, em Madrid.
De um lado, a minha casa: um lugar de resistência. Paredes decoradas com fotos antigas tentam manter vivo o que o tempo e a tragédia levaram. O cheiro de café é a única coisa que parece nunca faltar, servindo de combustível para a minha irmã, Siena. Aos vinte e sete anos, ela é a estrutura que me segura. Residente médica, exausta e sempre com uma planilha de contas aberta sobre a mesa, Siena interrompeu a própria vida por dois anos quando nossos pais morreram no acidente. Ela trocou a sua liberdade pela minha guarda, trabalhando em dobro para que eu pudesse continuar estudando no colégio de elite onde ela se formou. Siena não aceita que eu tenha uma educação inferior à dela. Nos fundos e nas laterais, quase abraçando toda a nossa casa, erguia-se o Alcázar. A mansão dos Castillo. Se a Espanha não tivesse uma família real no palácio, eles certamente seriam os donos da coroa. Três irmãos. Três problemas. O mais velho, Dante, parece ter nascido de terno e com o coração congelado. O caçula, Marco, é o único que parece humano, mas provavelmente gastou o carisma de toda a linhagem sozinho. E depois... tem o Noah. Noah Castillo. Ele j**a lacrosse como se estivesse em uma guerra de conquista e caminha pelos corredores do colégio como se o chão tivesse sido pavimentado apenas para ele pisar. Ele é, sem dúvida, o garoto mais desejado, gato e pegador daquela escola — talvez até de Madrid. É o tipo de beleza que faz você se sentir pequena apenas por estar no mesmo fuso horário; a criatura mais hipnotizante que já cruzou o meu caminho. O atleta mais letal, o rosto que estampa os sonhos de todas as garotas do primeiro ao segundo de Bachillerato. Eu o odeio? Com todas as fibras do meu corpo. Eu o desejo? Bem, meu corpo ainda não recebeu o memorando do ódio. Minha pele parece trair minha mente toda vez que ele passa por mim. E é por esse motivo que eu tento me manter o mais longe possível dele. Para o mundo, sou só mais uma garota aspirante a bailarina que tenta passar despercebida. Mas dentro do meu quarto, viro a Luna que ninguém conhece. Naquela noite, o silêncio da casa era absoluto enquanto Siena estava no hospital. Vesti meu collant preto, calcei minha sapatilha favorita — sabe aquela sapatilha mais gasta que parece já conhecer cada passo e que, se você vacilar, sai dançando sozinha? — e dancei. Dancei como se o chão estivesse pegando fogo, expulsando a pressão de ser a "irmã perfeita". Eu me sentia segura, protegida pela escuridão lá fora. O que eu esqueci é que morar cercada por uma mansão com janelas enormes de vidro tem um preço: a gente esquece que o vidro funciona dos dois lados. Foi quando ouvi um estalo vindo da minha pequena sacada. Meu coração disparou. Olhei para a janela. A brisa da noite de Madrid balançou o tecido leve da cortina e ali, encostado na mureta como se fosse um gato de rua vindo do inferno, estava ele. Noah Castillo. Ele estava com o moletom escuro do time de lacrosse, os olhos azuis — ou seriam cinzas naquela iluminação? — fixos em mim. Ele não parecia arrependido. Parecia... satisfeito. — O pé esquerdo — ele disse, sua voz rouca cortando o silêncio do quarto. — Você hesitou na aterrissagem do último giro. Eu recuei, batendo as costas na cômoda. O choque me deixou sem voz por um segundo; o ar parecia ter sido sugado do quarto. Minhas pernas, ainda quentes do esforço da dança, fraquejaram. Eu me sentia exposta, não apenas pelo collant justo, mas pelo fato de ele ter decifrado cada movimento que eu acreditava ser só meu. Era como se ele tivesse arrancado a pele da minha segurança. — O que você está fazendo aqui? Como você subiu? Você enlouqueceu? Ele pulou da sacada para dentro do quarto com uma agilidade que me fez lembrar por que ele era o melhor do time. O chão nem pareceu sentir o peso dele. Ele ignorou meu pânico e caminhou lentamente pelo meu santuário, passando os dedos pelos meus livros na escrivaninha. Cada passo que ele dava parecia reduzir o tamanho do meu quarto, tornando o teto baixo e o oxigênio escasso. Noah Castillo não entrava em um lugar; ele o tomava para si. — A ala leste da minha casa tem uma vista privilegiada, vizinha. Mas eu cansei de ver o filme sem o som. — Ele parou a poucos centímetros de mim. O cheiro dele — algo como cedro e chuva — invadiu meus pulmões, confundindo meus sentidos. — Você dança como se estivesse sozinha, Luna. Mas eu garanto: você nunca esteve. — Saia daqui agora, Noah! Eu vou ligar para a Siena, vou ligar para a polícia! — Tentei parecer firme, mas minha voz tremeu, entregando o quanto a proximidade dele me afetava. Ele sorriu, uma curva lenta e perigosa nos lábios. — Pode ligar. Mas duvido que eles cheguem antes de eu te contar que a parte em que você tira o cabelo do rosto e sorri para o espelho... aquela foi a minha favorita. Ele se aproximou tanto que eu podia sentir o calor que emanava dele, uma brasa viva contra a minha pele suada. Por um instante, o ódio e o desejo travaram uma guerra no meu estômago, um nó impossível de desatar. Ele estendeu a mão, não para me tocar, mas para tirar uma mecha de cabelo do meu rosto que estava úmido de suor. O toque quase não existiu, mas o rastro de eletricidade que deixou foi pior do que um golpe. — Te vejo no colégio amanhã, vizinha. Tente não errar o passo. E, com a mesma facilidade com que entrou, ele desapareceu pela sacada, me deixando sozinha com o som do meu próprio coração martelando contra as costelas. Ele não tinha apenas me espionado. Tinha invadido a minha privacidade. Tinha quebrado o único lugar onde eu podia ser eu mesma. E o pior de tudo? Eu percebi que, mesmo trêmula de raiva, não tinha corrido para trancar a janela. Fiquei ali, parada, encarando a cortina que ainda balançava, sentindo o vazio que a presença dele deixou. No dia seguinte, quando a sombra dele cobriu o meu armário no corredor do Saint George, eu já sabia que nada mais seria igual. Ele não era apenas o vizinho rico do Alcázar. Ele era o meu predador.Acordei com o som estridente do despertador e a sensação nítida de que um caminhão tinha passado por cima de mim. O turno no Bull Burger na noite anterior tinha esgotado minhas últimas energias. Vesti o uniforme às pressas e desci quase caindo. — Nem um café, Luna? — Siena perguntou na cozinha. — Não dá, Si! O professor de História me mata se eu me atrasar! — Dei um beijo nela e voei para fora. No caminho, encontrei a Bia. O sol de Madrid estava escondido por nuvens pesadas, mas vínhamos rindo alto. Eu estava tentando imitar o "velho carrascudo". — "Senhorita Luna..." — entonei, forçando uma voz anasalada e empurrando um óculos imaginário no nariz — "O tempo não espera pelos que vivem no mundo da lua. O império romano não foi construído por pessoas que chegam cinco minutos atrasadas e com o cabelo parecendo um ninho de ratos!" A Bia gargalhou tanto que quase dobrou o joelho. — Igualzinho! Ele olha por cima dos óculos e parece que vai ter um troço! — ela disse, limpando uma lágri
Alguns dias se passaram desde a "invasão" do Noah ao meu quarto, e a tensão parecia ter se instalado de vez nas paredes da nossa casa. A Siena tinha dobrado os plantões no hospital para compensar a folga que tirou naquela noite, mas a pulga atrás da orelha dela não tinha ido embora.Naquela terça-feira, por sorte, o turno dela terminou exatamente quando o meu no Bull Burger estava chegando ao fim. O trabalho tinha sido um inferno, com clientes mal-educados e o cheiro de gordura impregnado até na minha alma, mas ver o carro da Siena parado lá fora foi um alívio... até eu perceber que ela não era a única me esperando.Quando me aproximei, vi a Siena já sentada no banco do motorista, com a janela aberta, batucando no volante no ritmo de alguma música que eu não conseguia identificar. Ela sorria como se tivesse acabado de ganhar um prêmio.— Que bom humor é esse, Si? Ganhou na loteria? — perguntei, jogando a mochila pela janela do passageiro antes de abrir a porta.— Só estou num dia bom,
Luna O clima entre eu e o Noah no quarto estava tão denso que dava para cortar com uma faca. As mãos dele ainda estavam no meu rosto, os polegares traçando minha pele com uma intensidade que me fazia esquecer até do meu próprio nome. Eu estava sem fôlego, perdida naquele abraço que parecia uma queda livre, sentindo o calor do corpo dele me envolver como se o resto do mundo não existisse. Era um momento de fraqueza, eu sabia, mas o magnetismo dele era um campo de força difícil de romper. Até que a realidade bateu à porta. Literalmente. Toc. Toc. Toc. — Luna? Com quem você está falando aí dentro? — Era a voz da Siena. O pânico foi instantâneo. Eu empurrei o Noah com toda a minha força. Ele cambaleou para trás, um sorriso cínico brotando nos lábios, parecendo mais divertido do que preocupado. — Com ninguém, Siena! É... é a música! — gritei, tentando manter a voz estável enquanto gesticulava loucamente para ele sair. — A música responde "sou eu"? Porque eu ouvi uma voz de homem — a
LunaAquelas palavras da Bia ficaram ecoando na minha mente. A escola ainda zumbia com os ecos do que aconteceu no ginásio. O cheiro de suor e a pressão das mãos de Noah na minha cintura pareciam tatuados na minha pele, e aquela sensação me acompanhou até o refeitório.— Luna, eu juro por tudo... se o Noah Castillo fizer aquele movimento de novo, eu mesma me jogo nos braços dele! — A Bia gargalhava, jogando batatas fritas em mim no intervalo.Eu ri, tentando esconder o rosto que queimava.— Bia, para! Já falei que foi só técnico — eu ria com cara de sonsa.— Ahhh... eu sei, amiga. Foi "puramente" técnico, aham! Mas agora fala... o perfume dele tem cheiro de pecado ou de herança?— Tem cheiro de... Noah — respondi, suspirando e revirando os olhos, mas sentindo um frio na barriga. — É irritante o quanto ele consegue ser impecável até quando está suado.Ficamos ali, naquele porto seguro da nossa amizade, fofocando e rindo até a barriga doer. Mas, por trás do riso, eu estava ensaiando cad
LunaEu ainda conseguia sentir o calor das mãos do Noah na minha cintura enquanto caminhava pelo corredor do Saint George no dia seguinte. Tentei manter a expressão neutra, como se não tivesse passado a tarde anterior sendo prensada contra o peito do herdeiro dos Castillo, mas a Bia tinha um radar para segredos que beirava o sobrenatural.Ela me puxou para dentro do banheiro feminino antes mesmo da primeira aula começar.— Pode abrir o jogo, Luna. Agora. — Ela cruzou os braços, me encurralando contra a pia.— Abrir o jogo sobre o quê, Bia? Eu tenho prova de biologia, me deixa passar.— Não vem com essa, amiga! Eu esqueci meu casaco no ginásio ontem e voltei para buscar. E o que eu vi? Você e o Noah Castillo em uma cena que tinha tanta eletricidade que eu quase levei um choque da porta!Senti meu rosto entrar em combustão instantânea.— Fala baixo! Ficou louca? Alguém pode ouvir — sussurrei, mas não consegui segurar um sorriso cúmplice. — Não era o que parecia, tá? Ele... ele estava me
Depois do episódio no Bull Burger, o único lugar onde eu achava que teria paz seria o ginásio do Saint George. Era o meu santuário improvisado, longe do cheiro de gordura e dos olhares curiosos. Até aquela tarde.Eu estava no meio de um alongamento, com o corpo dobrado, quando o som das portas duplas batendo contra a parede me fez pular. Noah entrou carregando sua bolsa de Lacrosse como se fosse dono do prédio inteiro. O impacto das portas ecoou como um tiro no espaço vazio.— O que você está fazendo aqui? — perguntei, endireitando a postura, irritada pela invasão.— O campo está sendo dedetizado. O ginásio foi a única opção — ele respondeu, jogando a bolsa no banco sem a menor cerimônia. Então, ele olhou em volta e franziu a testa, os olhos fixos em mim. — E você? O que faz aqui no cimento? Por que não está no seu precioso tablado? Pensei que bailarinas precisassem de espelhos para sobreviver.— O clube de teatro ocupou a sala de espelhos hoje — respondi seca, cruzando os braços. — E
Último capítulo