CAPÍTULO 48 — DISTÂNCIAS QUE NÃO CURAM
Parte 1 — Helena
O relógio da filial parecia andar mais devagar do que o normal — talvez porque, desde que eu cheguei ali, tudo tivesse um peso maior. Os computadores eram antigos, as janelas rangiam quando o vento batia, e a equipe parecia sempre ocupada demais para notar minha existência. Era como se eu tivesse sido colocada em um canto esquecido do mapa da empresa… e do mundo.
Talvez fosse exatamente essa a intenção.
O pior não era a mudança em si.
Era o silêncio.
Arthur não me ligou nenhuma vez desde aquela conversa no escritório dele — a conversa em que ele disse, com aquela voz que parecia quebrar por dentro, que eu precisava ficar longe para estar segura. A palavra “segura” ecoava na minha cabeça como uma ironia cruel. Desde quando ficar longe dele me deixava segura? Eu me sentia exposta, vulnerável, deslocada.
Eu tentava me convencer de que estava com raiva dele. E estava. Mas não era só isso.
Eu sentia falta.
Eu detestava cada s