Mundo de ficçãoIniciar sessãoAna Paula passa por uma fase muito desesperadora da sua vida: um pós divorcio após sete anos de relacionamento com seu ex-marido, Eduardo. Agora ela precisa aprender outra vida, passar pela dor da separação e do que a ocasionou e seguir em frente, apesar de fazer apenas três meses do dia em que decidiu se separar. Quando precisa enfrentar seu ex-marido em um casamento de uma amiga em comum, um encontro inesperado com seu ex-chefe, do qual ela detestava, a salva naquela noite. E a salva de coisas que ela nem poderia imaginar.
Ler maisMe olho no espelho me perguntando se devo mesmo ir nesse casamento. Detesto a ideia de encontrar com Eduardo depois de todo aquele drama terrível que passamos com o divórcio. Ainda ouço na minha mente as palavras que gritei contra ele. Ainda penso na forma como meu coração se quebrou quando descobri sua traição. Ainda me pergunto como estaríamos se ele não tivesse fodido com todo o nosso relacionamento e estragado o nosso casamento, como se votos não significassem nada. E ainda evito todas as suas tentativas de contato. Por isso, comparecer ao casamento de Marcela vai ser um pouco difícil para mim hoje. Sei que ela é uma amiga em comum, que eu adoro e desejo que seja feliz, mas a possibilidade de o encontrar me perturba por inteira. Ao mesmo tempo que sei que outras pessoas não tem nada a ver com o fracasso do meu casamento.
E eu deveria ficar bem em celebrar outras pessoas casando, em seguir minha vida, em estar feliz. Preciso ir e parecer feliz. Tenho medo de quebrar em pedaços na frente que o encarar e encontrar seus olhos no meu, com aquela cara de arrependido, como se tivesse perdido a melhor coisa da sua vida.
Ele perdeu, de fato, mas poderia ele, mexer comigo? Poderia eu ficar fraca dessa vez?
Não sei.
Me pergunto se ao o reecontrar e ele estiver feliz, sem se importar, com outra pessoa, poderia eu ficar triste? Mais triste? Espero que não.
Mas respiro fundo e me encaro no espelho...
Acho que irei tirar a prova de vez e responder todas as minhas perguntas.
Eu estava bem arrumada, mas não conseguia me sentir bonita, animada, feliz. Estava tensa e apreensiva. Quando Lucas, começou a estacionar no local do casamento eu poderia jurar que tive ansia e vontade de vomitar. Tive que respirar fundo algumas vezes para poder me acalmar. Ele notou, obviamente, mas não disse nada. Minha separação é um tópico sensível para ele.
- Vai ficar tudo bem. - Ele resolve falar. - Talvez Eduardo nem venha.
Isso me arrancou uma boa gargalhada.
- Até parece que ele não vai vir. É o casamento da amiga dele.
- Da nossa amiga. - Ele corrigiu.
É verdade que quando todo mundo trabalhava junto, virámos amigos sem precisar de Eduardo para isso, mas eles eram amigos bem antes de Marcela o conhecer. Nosso relacionamento só nos aproximou. E agora eu estou aqui, com o casamento dela, pronta para reecontrar meu ex-marido traidor.
A pior parte de se separar com Eduardo não foi a traição em si. Foi como ela acabou com todo o nível de confiança que eu tinha e como fez eu me sentir. Como ainda existe o eco na minha cabeça das nossas conversas enquanto sentia meu coração sendo dilacerado do peito. Posso eu enfrentar ele?
Lucas me puxa pelo rosto, coloca suas duas mãos sobre a minha bochecha e respira fundo comigo. Faço um sim com a cabeça e também respiro fundo.
- Vai ficar tudo bem. - Ele diz sorrindo de leve, com compaixão no olhar.
Eu assinto. Resolvo confiar nele. Ele é o meu melhor amigo há quase uma década e enfrentei coisas por ele, que pensei nunca enfrentar. Coloquei nosso relacionamento acima do meu casamento, fato crucial para o colapso, dele, confesso, mas ainda assim, confio nele.
- Talvez eu nem encontre com ele, certo? - Digo me soltando de suas mãos e relaxando um pouco.
- Claro. Ela fez o que? Chamou umas 500 pessoas? - Dou risada da proporção exagerada do casamento. - Ela gosta de chamar a atenção, tinha a necessidade disso?
Lhe defiro um tapa de leve.
- Você é venenoso. - Digo agora saindo do carro. Coloco a pequena bolsa que só contem um batom e meu celular dentro presa no braço direito e fecho a porta.
Lucas aparece logo em seguida do outro lado.
- Eu espero que Eduardo te veja na verdade, você está uma gata! Ele vai morrer por dentro.
Dou um sorriso de lado, porque não me sinto assim, mas ignoro o comentário.
Me agarro ao braço de meu amigo e caminhamos para a entrada, Observo o lugar que está absolutamente lindo. A cerimônia vai ser junto com a festa, assim como o meu casamento foi. O lugar é maior, Marcela convidou muitas pessoas, bem mais do que eu se quer pensei, apesar de ter abusado um pouco. É tudo bonito, mas é uma constante lembrança de como um dia lindo e mágico se transformou em cinzas, ressentimento e coração partido. Eu tento abstrair enquanto andamos pelo corredor florido, com passarela espelhada em direção a entrada, em meio a tantos rostos familiares, mas só consigo mentalizar que não devo, não quero e não posso encontrar com Eduardo.
- Boa noite! Nomes, por favor. - A recepcionista pede assim que paramos na entrada.
- Lucas Mazok e Ana Paula Gobetti.
Ela checa na lista rapidamente e nos libera para a entrada.
Observo o salão que vai ser a cerimônia com tantas cadeiras organizadas, um altar lindo e uma decoração espetácular. Talvez para Marcela seja tudo sobre a mágia e ela tenha o seu feliz para sempre. Talvez seja absolutamente tudo perfeito apartir de hoje, e com esse pensamento eu me acalmo um pouco. Mas ao olhar para o lado, me deparo com os olhos de quem fez toda a minha mágica desaparecer, me encarando consternado.
- O que andam dizendo por aí é que você está gravida de Ricardo. - Lucas diz tentando ser despretensioso, mas com curiosidade no tom. - Talvez estejam dizendo isso, porque eu falei para Eduardo que estava grávida. Lucas abre a boca em uma grande surpresa. É quase como se eu tivesse aberto a Caixa de Pandora bem na sua frente. - Como diabos pode fazer isso? - Ele pergunta sussurando, como se alguém no meio do shopping fosse ouvir. - Contar a ele? - Engravidar de Ricardo! Dou risada. - Não estou grávida. Tinha um teste de uma pessoa em minha casa e Eduardo apareceu bem na hora. Lucas calcula minhas palavras como se fosse um problema de matemática complexo. - Você é completamente danificada. - Então ele conclui. Dou de ombros. Não acho que seja uma mentira. - Mas você está... nessa relação com Ricardo... - O que? - Você está se protegendo e tudo? - Defina se proteger. - Você sabe o que é se proteger. Viro o olho, gostando de o importunar. - Não estou usando camisinha com
- Então você realmente está namorando com Ricardo? - Lucas pergunta com certo desgosto na voz. Dou de ombros. - É o que parece. - Ele te pediu? Viro o olho. - Não tenho mais quinze anos. Sei identificar um namoro quando vivo um. Lucas ri. - E ele sabe disso? Porque você pode dizer o que quiser, mas se o homem não falou com as próprias palavras não tem como contar com ele para nada. Acredite em mim. E um homem como Ricardo precisa verbalizar. - E porque isso? - Porque ele é um partidão. - Ah, agora ele é um partidão? Lucas dá de ombros também. - Se você que viveu uma guerra com ele, pode reconhecer isso, eu também posso. E ele é um homem concorrido. Faço uma cara de desprezo. - Não acho que tenha que me preocupar com isso. - Para alguém que já foi traída, você está muito confiante em uma das figuras mais duvidosas que já passou pela sua vida. Jogo a almofada do meu sofá contra ele. Mas não posso deixar de admitir, que Lucas tinha um ponto. Quando encontrei com Ricardo
- Voce quer ouvir a notícia boa ou a notícia ruim? - Ricardo pergunta com um sorriso cínico no rosto, que quase me faz dar risada. - A ruim. - Todo mundo na Prisma Brasil sabe sobre a gente. - Ele diz naturalmente e entra no apartamento. - E isso agora é bom? - Pergunto passando por uma lista de nomes de pessoas que com certeza não deveriam saber sobre a minha vida. - Como diabo isso aconteceu? - Aí vem a notícia boa. - Ele diz se jogando no sofá e sorrindo de orelha a orelha. - Soquei o seu ex no meio de uma reunião. Imagina só o estardalhaço. Quase engasgo e antes de dizer qualquer coisa, me sento ao seu lado. - O que diabos aconteceu? - Não sei. Ele chegou na reunião perturbado com algo e nos metemos em uma briga. Depois disso tive que abrir o jogo com Joaquim, ele já sabia que o clima entre nossos setores não estava do mais agradável. Fico pensando no que dizer em seguida, mas tudo parece errado. - Eu acho que o pertubei hoje de manhã. - Digo dando de ombros. Ricardo lev
Quando me deparei com Eduardo na porta da minha casa, sem ter sido anunciado, dizer que fiquei surpresa não é nem o começo da palavra. Fiquei absolutamente chocada. Era como se ele tivesse me pegado completamente desprevinida e sem armaduras, vulnerável e sozinha. Tinham se passado alguns dias desde o episódio infeliz no bar e sei que a tensão na Prisma Brasil não era das melhores. Endureci minha postura em busca de firmeza, que eu sabia que não tinha. - Você invadiu o condôminio? - É a primeira coisa que pergunto para que ele note que não é bem vindo. - Por favor... - Ele debocha e entra no apartamento sem autorização. Fico desconcertada. Não só por ele ter invadido, mas por sentir que ele está no meu espaço pessoal novamente.- O que caralhos você está fazendo com Ricardo? - Isso não é da sua conta? - Então você perdoa a pessoa que te colocou sobre abuso moral todo o tempo que trabalhou com ela, mas não conseguiu perdoar um erro? Fico embasbaca com a velocidade que ele rebateu





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