CAPÍTULO 114 — O TIRO QUE FEZ O MUNDO PARAR
O som do disparo ecoou como se o próprio tempo tivesse estilhaçado ao meio.
Marcos cambaleou para trás, os olhos arregalados, a mão soltando a arma que caiu no chão com um barulho seco.
Arthur, parado entre ele e Helena, ainda sentia o corpo inteiro vibrar com o choque.
Mas quem disparou…
não foi ele.
— Pai? — Arthur sussurrou, sem acreditar.
O pai dele estava parado logo atrás, segurando com firmeza a arma que tinha pego do segurança. O rosto sério, duro, porém marcado por um desespero silencioso.
— Ele ia atirar nela, Arthur — o pai disse, a voz baixa, pesada. — Não havia mais tempo.
Marcos tentou falar, mas tossiu sangue.
— Você… você não entende…
Arthur avançou, o peito explodindo de emoções que ele não conseguia nomear.
— Eu entendo perfeitamente. — Ele se ajoelhou ao lado de Marcos, encarando-o com frieza. — Você tentou destruir a minha família. E perdeu.
Marcos sorriu — um sorriso torto, quebrado, quase delirante.
— Ela