capítulo 47

CAPÍTULO 47 — O SILÊNCIO QUE MACHUCA

A filial não era longe de São Paulo, mas para Helena parecia outro planeta.

As paredes tinham a mesma cor, os computadores eram iguais, e os processos seguiam ordens semelhantes…

Mas nada era igual.

Ela ainda se lembrava de como Arthur a chamou à sala dele — o olhar frio, mecânico, impessoal. O mesmo olhar que ela só tinha visto dele uma vez: na reunião em que descobrira que o pai dele sequestrara Theo. Era o olhar que só aparecia quando ele estava quebrado por dentro.

Mas agora… aquele olhar era para ela.

E desde então, Helena existia como se tivesse sido empurrada para fora da própria história.

No primeiro dia na filial, ninguém a tratou mal.

Mas também ninguém a tratou bem.

E ela entendia. Funcionários novos sempre demoravam para se encaixar.

Mas não era isso que doía.

O que doía era saber que tinha sido arrancada do lugar que construiu, do projeto que criou, das pessoas que ajudou a formar… e de um sentimento que ela tentava negar, m
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