Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlejandro
Na manhã seguinte, acordei cedo, me arrumei com o meu terno mais imponente e segui direto para o local da reunião. Assim que avistei Miguel e Erick no corredor, fui direto ao ponto, sem rodeios:— E aí? Fiquei esperando você me informar sobre o Otávio, Miguel abaixou a cabeça, visivelmente tenso. — Perdão, chefe. Ainda não consegui contato com ele.— Ok... — respondi, respirando fundo e ajustando o colarinho. — Agora vamos entrar e enfrentar esses velhos de uma vez por todas.Abri a porta da sala de conferências e o clima congelou instantaneamente. Os conselheiros mais antigos me olharam torto, com desdém. Sem qualquer introdução ou respeito pelo meu luto, um deles disparou:— É verdade que o seu pai morreu? — Sim, é verdade — confirmei, mantendo a voz firme e o olhar fixo nele. — E o velório? — perguntou outro, semicerrando os olhos. — Não deu tempo. Cremaram o corpo. Eles olharam de um para o outro, trocando sussurros e sorrisos cúmplices que me enojavam. O silêncio durou pouco até que soltassem a pergunta que realmente importava para eles:— Mas e agora? Quem vai assumir o lugar do chefe? Dei um passo à frente, apoiei as mãos na mesa e ditei com autoridade:— Eu serei o sucessor. Sou o filho dele. Gomes, um velho que já devia estar batendo nos 70 anos, soltou uma risada debochada. — Você é um moleque! Não está preparado para isso.— E quem o senhor queria que assumisse? — rebati, encarando-o de frente. — Eu mesmo — Gomes respondeu, estufando o peito com uma audácia que me deu asco.Soltei um sorriso sarcástico, medindo-o de cima a baixo. — O senhor não acha que o seu tempo já passou, não? — Eu sou jovem! — ele esbravejou, alterando a voz, e me interrompeu antes que eu pudesse tripudiar: — E digo mais: nem mulher você tem! É um arrogante. Essa máfia vai acabar desmoronando nas suas mãos. O sangue subiu à minha cabeça. O insulto ecoou na sala e o meu instinto de matar falou mais alto. Dei um passo na direção dele. — Vocês vão ter que me engolir...Antes que eu pudesse pular no pescoço daquele velho, a mão firme de Erick segurou o meu braço com força. Era um aviso mudo para eu me controlar e não colocar tudo a perder ali mesmo. O toque de Erick foi o estopim. Puxei meu braço com força, desvencilhando-me do seu aperto, e levei a mão direto à cintura. O som do clique da arma ecoou como um trovão na sala de conferências. Apontei o cano frio exatamente para a testa de Gomes. O velho empalideceu na hora, engolindo o resto das suas palavras insultuosas. Os outros conselheiros prenderam a respiração, colando as costas nas cadeiras. — Eu não admito desrespeito de ninguém aqui disparei, com a voz gélida e o dedo colado no gatilho. — Se vocês não calarem a boca e aceitarem quem manda agora, eu juro que não vou hesitar em atirar. Ninguém ousou piscar. O poder estava explícito na ponta dos meus dedos, mas o clima era de pura pólvora. Foi quando senti a aproximação sutil de Miguel. Ele deu um passo à frente, cobrindo parcialmente a visão dos velhos, e sussurrou bem perto do meu ouvido, com a voz urgente e baixa:— Chefe, o senhor precisa parar agora... É exatamente isso o que eles querem. Estão te testando. Querem te desestabilizar para mostrar a todos que o senhor é instável e não tem controle para liderar. Não caia no jogo deles. As palavras dele bateram em mim como um choque de realidade. Olhei de relance para Miguel e depois de volta para o rosto suado de Gomes. Eles queriam que eu agisse como o "moleque" que disseram que eu era. Encarei o rosto assustado de Gomes por mais alguns segundos, deixando o peso da ameaça pairar no ar. Lentamente, abaixei a pistola, guardei-a no coldre sob o paletó e puxei a cadeira da cabeceira. Sentei-me com calma, apoiando os cotovelos na mesa e cruzando os dedos, demonstrando total controle.— Vamos ao que interessa ditei, com a voz firme.Os velhos se entreolharam, ainda se recuperando do susto. Um dos conselheiros mais neutros limpou a garganta, ajeitou a postura na cadeira e tomou a palavra antes que Gomes pudesse falar:— Antes, senhor... Eu apenas fiz um sinal com a cabeça para que ele continuasse.— O senhor quer assumir o cargo de chefe. Ok. Nós aceitamos — ele fez uma pausa, medindo as palavras. — Mas lhes damos o prazo de um ano para que esteja casado. Não aceitamos chefes solteiros no poder. É a tradição e a garantia de estabilidade da nossa organização. Um silêncio tenso tomou conta da sala. Erick e Miguel me olharam de relance, esperando a minha explosão. Eles sabiam o quanto eu odiava ser controlado. Mas, em vez de puxar a arma novamente, soltei um sorriso frio e cínico. Aquilo era apenas um obstáculo burocrático.— Ok — respondi, relaxando as costas na cadeira. — Se é um casamento que vocês querem, vocês terão o seu casamento. Aquelas palavras me deram um nojo profundo. O conselheiro sorriu, achando que tinha me dobrado, e completou com uma falsa cordialidade: — Obrigado, senhor. Traremos algumas sugestões de nossas filhas para o senhor escolher. Olhei para ele e depois para os outros velhos na mesa. Eles realmente achavam que eu ia colocar uma espiã deles dentro da minha própria casa e na minha cama. Queriam me controlar através de uma aliança de sangue. Senti o olhar tenso de Miguel e Erick sobre mim, implorando silenciosamente para que eu não perdesse a cabeça de novo. Respirei fundo, mas não mudei minha expressão fria. Eles achavam que tinham vencido essa rodada, mas eu já estava pensando três passos à frente.






