Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlejandro
Mais tarde daquela noite, o carro parou em frente à fachada discreta e imponente do night club. O lugar era um verdadeiro império à parte, uma máquina de dinheiro e distrações, com fartura de bebidas caras, lounges com sofás macios e as melhores mulheres da cidade trabalhando ali. Assim que empurramos as portas pesadas e entramos, o burburinho da música alta e das conversas pareceu diminuir por um instante. O respeito ali era absoluto. Por onde eu passava, os seguranças, os garçons e as garotas baixavam a cabeça imediatamente. — Boa noite, chefe. — As vozes se repetiam em um coro de submissão enquanto percorríamos o salão principal. Seguimos direto para a área vip, um espaço reservado no mezanino, estrategicamente posicionado para que eu pudesse observar todo o movimento do palco e dos camarotes lá embaixo. Mal sentei no estofado luxuoso, uma das garotas da casa aproximou-se com um sorriso insinuante, acomodou-se no meu colo e deslizou os dedos pelo meu peito, por cima da camisa. — Boa noite, chefe — ela sussurrou, olhando bem nos meus olhos. — Posso ser útil hoje? Quer uma bebida... ou algo a mais? — Um uísque duplo para começar — respondi, segurando a cintura dela com desleixo. — O resto a gente vê depois. No centro do palco, as luzes mudaram de cor e se concentraram no pole dance. Meus olhos foram direto para a mulher que subia ali. A ruiva. Ela se moveu com uma segurança absurda, dominando o topo do cano e descendo com uma lentidão provocante que prendeu a minha atenção na hora. Miguel deu um gole na bebida dele e cutucou meu ombro, rindo de canto. — Eu não disse, Alejandro? O corte de cabelo, o jeito que ela se mexe... O estoque novo veio caprichado. Inclinei-me um pouco para a frente, afastando delicadamente a primeira garota do meu colo para focar apenas no palco. — É... realmente essa daí vale a pena — comentei com os meninos, sem desviar os olhos da pista. — Ninguém toca. Ela é minha hoje à noite. — Pode deixar, chefe. O recado está dado — Erick assentiu, fazendo um sinal discreto para o segurança da pista garantir que nenhum cliente se aproximasse dela. Fiz um aceno sutil com a mão. A ruiva captou o comando no mesmo segundo. Ela encerrou a performance com um giro perfeito, pegou um ropão leve e caminhou direto para a área vip, subindo os degraus sem olhar para mais ninguém. Quando entrou no nosso camarote, abriu um sorriso ladino. — Boa noite, chefe — disse ela, com a voz mansa. Sem pedir licença, ela sentou no meu colo. Levei minha mão à coxa dela, alisando a pele firme enquanto a avaliava de perto. — Boa noite. Como é o seu nome? — perguntei. — Na casa me chamam de Ruivinha — ela respondeu, jogando os cabelos ruivos para o lado, exibindo o nome profissional que usava na noite. — Certo, Ruivinha... — Dei um meio sorriso, levantando-me e puxando-a pela mão. — Quer ir para a suíte comigo? Ela me olhou de cima a baixo, os olhos brilhando com o convite. — Com certeza, chefe. O que você pedir é uma ordem. Algumas horas depois, o silêncio tomava conta do quarto. A adrenalina do dia finalmente tinha baixado. Levantei-me da cama sem fazer barulho, vesti minha roupa e ajeitei o terno diante do espelho. Antes de sair, caminhei até a cômoda e deixei um maço generoso de notas de dólares sobre a madeira — uma recompensa bem justa pelo tempo dela. Voltei para o camarote da área vip com os passos calmos. O clima ali ainda estava quente. Tanto Miguel quanto Erick agora estavam acompanhados; cada um tinha uma garota sentada no colo, e as duas se esfregavam neles no ritmo lento da música, arrancando risos de canto dos meus dois homens de confiança. Aproximei-me da mesa, chamando a atenção deles de imediato. As garotas até tentaram manter o clima, mas eu cortei o ritmo com a voz firme: — Vamos, meninos. Deu por hoje. Eles se levantaram na mesma hora, afastando as mulheres com um aceno rápido e sem contestar o comando. Ajeitaram os paletós, deixaram os copos vazios sobre a mesa e se posicionaram logo atrás de mim. Deixamos o camarote e cruzamos o salão principal em direção à saída, com os seguranças abrindo caminho pela multidão. Assim que passamos pelas portas pesadas da boate, o ar frio da noite nos atingiu e fomos direto em direção ao carro. A distração tinha acabado; a partir dali, o foco era o conselho. Quando entramos no carro, as portas se fecharam cortando de vez o abafado da música que vinha lá de dentro. Miguel se acomodou no banco da frente, olhou pelo retrovisor e não aguentou a curiosidade: — E aí, chefe? O que achou da ruivinha? Dei um sorrisinho de lado, lembrando dos últimos momentos na suíte. — Ela faz jus ao rebolado. Uma gostosa — respondi, sem dar muitos detalhes. Nós três rimos. Erick deu partida no motor, tirando o carro do meio-fio com a habilidade de sempre e pegando a avenida principal vazia. — Agora vamos para a sede — decretei, encostando a cabeça no banco. — Preciso tentar descansar. Erick olhou de relance pelo espelho, a expressão mudando para aquele tom de preocupação que ele guardava só para quando estávamos a sós. — Ainda com insônia, chefe? — ele perguntou, mantendo a voz baixa. Soltei um sopro de risada amarga, encarando o asfalto molhado pela janela. — Eu nunca durmo, Erick. Não consigo. O silêncio voltou a reinar no carro, pesado e familiar. Eles sabiam que a minha mente não desligava, e que o peso daquela coroa que eu acabara de assumir só ia deixar as noites ainda mais longas.






