Ayla ainda estava chateada. A mágoa era uma ferida aberta que pulsava a cada respiração, a cada olhar que cruzava com Felipe nos corredores da mansão. Mas, no fundo do coração, ela sabia: ficar na casa de Felipe era mais seguro do que voltar para o pequeno apartamento de Luna. Principalmente depois de ouvir da amiga sobre a aparição repentina do antigo namorado, um homem que Luna descrevera com voz trêmula, os olhos distantes, como se o passado ainda a perseguisse. Ayla não podia arriscar Caio. Não novamente.
Luna estava ajudando a vestir o menino para o jantar. Caio ria enquanto ela tentava colocar a camisa minúscula, os bracinhos se debatendo de brincadeira.
— Ayla, não acha que essa sua raiva já deveria ter diminuído? — Luna perguntou com cuidado, passando a mão pelos cabelos bagunçados do menino.
Ayla parou, os olhos fixos no filho. Sua voz saiu baixa, quase quebrada.
— Quatro anos, Luna. Quatro anos... Eles me roubaram quatro anos da vida do meu filho. Como posso simplesmente esq