Felipe andava de um lado para o outro, as mãos inquietas, o olhar tomado por desespero.
— Não vai ameaçar minha esposa. — a voz saiu transtornada. — Ela está grávida. Eu não posso permitir que faça esse transplante.
A simples ideia de Ayla perder o bebê… ou a própria vida… o deixava à beira do colapso.
Ela tocou o braço dele com delicadeza e negou com a cabeça. Os olhos estavam firmes, decididos. Já havia feito sua escolha. Com ou sem ameaças. Com ou sem permissão.
— Senhor Hassan… — disse com respeito, mas sem hesitação. — A Luna é minha melhor amiga. Ela levou um tiro salvando meu filho. — A voz falhou por um segundo, mas ela respirou fundo. — Mesmo grávida, eu vou fazer o transplante. Eu devo isso a ela.
Hassan acreditara que teria de convencê-la. Oferecer metade de sua fortuna. Ou recorrer a uma ameaça mais eficaz. Talvez algo envolvendo o filho dela…
Mas não. Ayla se dispôs a salvar sua neta de bom grado e aquilo o desarmou.
— Então faça. — ele respondeu, após alguns segundos. —