O corredor do hospital era um túnel de luzes frias e ecos abafados. Felipe andava de um lado para o outro há horas, as solas dos tênis rangendo contra o piso encerado como se tentassem marcar território contra o medo. Caio estava sentado em uma cadeira de plástico azul, pernas balançando sem tocar o chão, os olhos fixos na porta da UTI como se pudesse forçá-la a se abrir com a força do olhar.
Quando o médico finalmente apareceu, jaleco amarrotado, máscara pendurada no pescoço, olheiras que contavam a mesma história de noites sem dormir, Felipe parou no meio do passo. O ar pareceu rarear.
— Doutor… — A voz de Felipe saiu rouca, presa em algum lugar entre o pânico e a esperança teimosa. Ele se aproximou mais uma vez, os punhos cerrados ao lado do corpo. — A doadora… a Ayla… ela estava grávida.
O médico manteve a expressão profissional, mas havia um leve sorriso nos olhos, não de vitória fácil, mas de alívio compartilhado.
— A criança também sobreviveu — disse com calma, como se estivess