A mansão estava silenciosa demais.
Dante permanecia sentado na sala, o corpo largado no sofá como se estivesse descansando, mas nada nele estava realmente relaxado. Um braço apoiado no encosto, a outra mão fechada em punho sobre a perna, os olhos fixos em um ponto qualquer à frente.
Kian já dormia havia horas.
O cheiro do filho ainda estava no ar, misturado ao da casa, à madeira antiga, à floresta do lado de fora. Normalmente, aquilo o acalmava. Normalmente, o silêncio da noite era um alívio.
Naquela noite, era tortura.
Ela ainda não voltou.
O pensamento vinha e voltava, insistente, como uma lâmina pressionando a mente dele. Dante tentava se convencer de que ela tinha dado a palavra, tentava confiar, tentava ignorar o lobo dentro dele andando de um lado para o outro, inquieto, impaciente, rosnando baixo.
“Ela vai fugir”, Hades rosnou.
“Ela não vai”, Dante respondeu mentalmente, mais firme do que se sentia.
“Você a deixou sair. Foi imprudente.”
O som da porta da frente se abrindo cor