O rosnado de Dante ecoou pelos limites da alcateia como um trovão, fazendo os guardas recuarem instintivamente e a floresta responder com um silêncio pesado. O grande lobo negro avançou um passo, o corpo tenso, os músculos rígidos sob a pelagem escura, os olhos vermelhos fixos no irmão como um carrasco prestes a executar a pena de morte no condenado.
Aquela não era uma ameaça vazia.
Era um aviso final, carregado de tudo o que Dante vinha segurando desde a morte de Celeste, desde a traição, desde o dia em que Anton deixou de ser apenas seu irmão e se tornou seu maior inimigo.
“Dá meia-volta e some da minha alcateia”, a voz de Dante soou dentro da mente de Anton, grave, afiada, cheia de ódio. “Se você cruzar esses limites mais uma vez, eu te mato. E dessa vez não vai ter misericórdia.”
Anton manteve-se de pé, mesmo claramente ferido. O lobo ruivo estava claramente exausto, o pêlo opaco em alguns pontos, manchado de sangue seco e sujeira, a respiração irregular denunciando o esforço ab