O rosnado de Dante vibrou no ar como uma ordem absoluta, pesada, impossível de ignorar. O lobo negro avançou meio passo, os olhos vermelhos cravados em Liana, o corpo inteiro rígido, pronto para forçá-la a sair dali se fosse preciso. A presença dele era esmagadora, uma muralha de fúria, território e posse. Ainda assim, Liana não se mexeu, o coração batia descompassado, o medo corria quente pelas veias, mas havia algo mais forte a mantendo de pé naquele ponto exato entre dois monstros que se odiavam.
Ela ergueu o queixo, respirou fundo e ficou.
“Sai de perto dele” Dante rosnou novamente, a voz ecoando dentro da cabeça dela como um comando primal. “Agora.”
Liana balançou a cabeça em negativa, sentindo as pernas tremerem, mas não recuarem.
— Não — respondeu, firme, mesmo com a garganta apertada. — Você não vai matá-lo. Não hoje.
Anton, ainda em forma de lobo, respirava com dificuldade sob ela. O corpo dele estava quente, ferido, o pelo manchado de sangue seco e terra. Mesmo assim, ele