A primeira sensação foi o frio.
Não o frio comum da pele, mas um frio que vinha de dentro, como se algo tivesse passado por ela e levado um pedaço da sua essência junto. Liana abriu os olhos devagar e, por um instante confuso, achou que ainda estava desmaiada, presa naquele vazio sem forma. Mas então o cheiro chegou, terra úmida, folhas esmagadas. Ela respirou fundo, o peito subindo com dificuldade, e sentiu o coração disparar quando percebeu que estava deitada no chão de uma floresta que não reconhecia.
O céu acima dela era escuro, mas não era noite, era um tipo estranho de penumbra permanente, como se a lua estivesse sempre escondida atrás de nuvens grossas, observando sem nunca se mostrar. Liana tentou se mexer, mas o corpo parecia pesado, lento, tudo doía, e qualquer movimento lhe arrancava um gemido rouco dos lábios. Quando conseguiu apoiar os cotovelos no chão e se erguer um pouco, foi aí que viu.
Ele estava ali.
De pé, a poucos metros dela, como se estivesse esperando desde sem