A noite já tinha engolido a cidade quando Liana entrou no carro preto.
Era um daqueles carros grandes, silenciosos demais, que pareciam deslizar pela rua em vez de rodar sobre o asfalto. O motorista abriu a porta com respeito, sem perguntas, sem comentários, ela entrou, encostou a cabeça no banco e soltou o ar devagar.
O dia tinha sido longo demais.
Pesado demais.
E mesmo ali, com o céu escuro, voltando para a alcateia, ainda se lembrava das palavras de Anton e aquele nome ainda ecoava em sua cabeça.
Celeste…
Quando o carro começou a se afastar, Liana olhou pela janela, vendo a padaria ficar menor, as luzes quentes diminuindo até virarem apenas um ponto na escuridão.
***
Babi ficou por último, como sempre.
O senhor Dutran já tinha ido embora, as luzes principais estavam apagadas, restando apenas a iluminação amarelada atrás do balcão. O cheiro de café velho misturado com pão ainda pairava no ar, familiar, reconfortante.
Ela trancou a caixa registradora, passou o pano pela última vez