Mundo de ficçãoIniciar sessãoSenti meu estômago se revirar. Ele estava certo. O ódio que senti por ele, naquele momento, se misturou a uma gratidão amarga por ele estar sendo honesto.
— Então qual é a solução? — sussurrei, sentindo as lágrimas queimarem atrás dos olhos. — Porque eu não consigo viver assim, Dominic. Presa, esperando o próximo tiro. Ele segurou meu rosto com as duas mãos. A palma da mão direita estava fria, mas a esquerda — a que disparou contra os homens — ainda estava quente da coronha da arma. — Um novo acordo. Não entre mim e o seu pai. Entre eu e você. Arregalei os olhos. — Eu não tenho nada para te oferecer. — Você tem o seu nome. E a sua lealdade. — Ele inclinou a testa, a respiração quente roçando meus lábios. — Se torne minha noiva, Luísa. Oficialmente. Aos olhos da máfia e do mundo que nos cerca, você não será mais uma dívida paga. Será a futura Donna Rossi. Ninguém toca na mulher do Don sem iniciar uma guerra que ninguém pode vencer. Depois de um ano, podemos nos divorciar e você seguir o rumo da sua vida. Meus joelhos fraquejaram. — Você está louco. — A frase saiu como um sopro. — Você quer que eu finja amar o homem que me sequestrou? — Quero que você sobreviva — ele disse, e pela primeira vez, sua voz tremeu. Só um pouco. Quase imperceptível. Mas eu senti. — Quero que você viva para ver o império do seu pai desmoronar. Quero que você esteja ao meu lado quando eu queimar cada um dos covardes que tentaram te matar hoje. — E em troca? — Em troca, eu te dou proteção absoluta. Não vou tocar em você sem permissão. Não vou te trancar em um quarto. Você terá liberdade dentro dos muros da minha casa. E quando tudo acabar... Ele pausou. Os olhos dele pareciam estar me perfurando. — Quando tudo acabar, você pode ir para onde quiser. — Você mentiria para o mundo inteiro por mim? — minha voz saiu falhada. — Fingiria um noivado que nunca existiu? — Eu já matei por menos. Mentir é fácil. — Ele deu um sorriso amargo. — O difícil vai ser não tornar isso verdade. Eu não sabia o que aquilo significava. Não queria saber. Mas no fundo do meu peito, algo se aqueceu. Algo que eu havia trancado a sete chaves no dia em que meu pai me vendeu. Olhei para as mãos dele. Ainda sujas de sangue — não o dele, mas dos homens que tentaram me matar. Olhei para o bunker. Para as telas com os corpos sendo arrastados. Para a porta fechada que nos separava do caos lá fora. A Luísa que entrou naquela mansão não existia mais. Ela morreu quando eu ajoelhei diante de Dominic. Ela renasceu agora, trêmula, mas em pé. — Eu aceito o acordo, Dominic. — Minha voz saiu mais forte do que eu esperava. — Mas não espere que eu seja uma noiva obediente. Não vou usar aliança no dedo e sorrir para as câmeras fingindo que você não me destruiu. Ele deu um sorriso predatório. Mas desta vez, havia algo no fundo dos olhos cinza que parecia… respeito. Adoração. Fome. — Eu não esperava nada menos de você, Luísa. — Ele pegou minha mão e levou aos lábios, beijando meus dedos um por um, devagar. — Agora vamos subir. Temos uma guerra para vencer. E um noivado para anunciar. Ele abriu a porta do bunker. O som dos passos dos homens dele no andar de cima ecoou como tambores de guerra. E eu, Luísa, a filha vendida, a refém de língua afiada, a futura noiva do monstro mais temido da cidade, respirei fundo e atravessei a porta com ele. Sabendo que, a partir daquele momento, não haveria mais volta.






