A manhã não tinha pressa. Parecia se arrastar pelo vidro da janela do gabinete enquanto Eduardo, de mangas dobradas, relia a mesma página havia dez minutos. Não era o texto. Era o som das próprias decisões batendo por dentro das têmporas. No canto da mesa, a folha com as três linhas riscadas a caneta — “Não contaminar. Não abandonar. Não esquecer.” — parecia, naquele dia, cobrar uma quarta ordem: “Não ruir.”
Henrique entrou sem anunciar, como de costume, com duas canecas de café e um humor mais