A batida começou como começam os temporais: pelo cheiro. Um vento frio atravessou o corredor do clube um pouco antes da meia-noite, e Gaia, que não acredita em presságios, sentiu mesmo assim a pele se eriçar. Havia passos que não pertenciam à música, vozes que não pertenciam ao riso. Quando a porta dos fundos abriu sem cortesia e três sombras entraram dizendo “polícia, todos parados”, o salão ainda sorriu por reflexo — o sorriso que as cidades usam antes de entender o que vai cair.
— Rotas — di