Mundo de ficçãoIniciar sessãoArrastada para um casamento forçado, Alarë é entregue a Tharok, líder dos vikings do norte, em meio a uma promessa antiga e envenenada por intrigas familiares. Louca aos olhos do clã, ela é um fardo que ninguém quer carregar — exceto o homem que, por honra, não ousa quebrar a palavra do pai. Mas entre a culpa, a dor e os gritos sufocados, Tharok descobre que por trás da loucura há algo mais perigoso: uma mulher inteira, prestes a despertar.
Ler maisUma batida soou na porta. Alarë terminou de ajustar o vestido ao corpo e ergueu o olhar na direção de Tharok. O jovem guerreiro estava sentado próximo à porta, analisando um mapa das terras de Valéris. Mais cedo ou mais tarde teria de lidar com aquele assunto, mas primeiro precisaria descobrir o que o rei desejava deles. A batida repetiu-se. — Jarl, o rei os convida para o jantar. Tharok levantou-se e abriu a porta. Do outro lado encontrava-se William, o capitão da guarda. — Desculpe-me perturbá-los. — Estávamos esperando. William assentiu. — Sua Majestade pediu que os acompanhasse pessoalmente. Tharok apenas concordou com um movimento de cabeça antes de voltar-se para Alarë. Seu olhar demorou-se nela. A moça havia trocado as roupas de viagem por um vestido digno de uma senhora de clã. O vestido principal fora feito à mão por sua mãe. Ele possuía um suave tom rosado, semelhante às primeiras flores que despontavam após o inverno. Sobre ele repousava uma túnica s
Tharok fez um gesto para que seus homens o acompanhassem. Então pousou uma das mãos nas costas de Alarë, guiando-a para frente. Ao seu lado, Alarë observava tudo com atenção, esforçando-se para absorver o máximo possível daquele lugar. O interior do castelo era ainda mais impressionante do que sua aparência externa. As paredes eram cobertas por tapeçarias coloridas que retratavam batalhas antigas, reis do passado e navios enfrentando mares revoltos. Grandes colunas de pedra sustentavam o teto elevado, enquanto tochas presas em suportes de ferro iluminavam os corredores com uma luz dourada e tremulante. Esculturas de animais e guerreiros adornavam nichos ao longo dos corredores, e em vários pontos era possível ver brasões pertencentes à família real. Enquanto subiam as escadarias, nenhum dos empregados cruzava diretamente o olhar com eles. Ainda assim, Alarë percebia os olhares discretos, todos pareciam curiosos. Talvez fosse impossível não ser quando um jarl poderoso e sua r
Alarë tentou afastar a admiração que sentiu ao vislumbrar o castelo real e o vilarejo da capital. Talvez fosse por achar a propriedade maior que a de Tharok. Não. Para falar a verdade, se juntassem os castelos de Valéris e Dravharn, ainda não chegariam perto da grandiosidade do palácio que se erguia diante de seus olhos. Altas muralhas de pedra cercavam toda a cidade real. Torres elevavam-se em direção ao céu, exibindo os estandartes do rei que balançavam ao vento. Ruas largas fervilhavam de atividade. Mercadores anunciavam suas mercadorias, carroças cruzavam os caminhos e pessoas de diferentes clãs caminhavam de um lado para outro. Alarë ficou impressionada com o que tinha diante dos olhos. O local era completamente diferente dos territórios que conhecia. Os castelos dos clãs costumavam ficar mais afastados, cercados por florestas, montanhas ou fiordes. O castelo real, porém, erguia-se no coração da cidade, dominando tudo ao redor como uma montanha de pedra construída por m
Alarë permaneceu ao lado da janela, observando as pessoas caminharem pelo pátio do castelo. Abraçou a própria cintura, sentindo-se entorpecida pelo que acabara de descobrir. Seu corpo doía. Seu coração estava ainda pior. Elarim havia ido embora, essa não era a notícia que esperava ouvir. Durante todo o caminho de volta, alimentara a esperança de finalmente confrontar a prima, olhar em seus olhos e exigir respostas. Queria saber a verdade. Queria entender há quanto tempo aquilo acontecia. Mas agora Elarim estava longe, fora de seu alcance. Alarë fechou os olhos. Talvez devesse ir até Valéris e questionar todos. Os servos, os conselheiros, os homens que haviam vivido anos ao seu redor. Mas como faria isso? Ela já não possuía autoridade sobre aquelas terras. Quem mandava agora era Tharok, e no fundo ela não queria envolver o jovem guerreiro em uma situação como está. Mas será que conseguiria resolver tudo sozinha? Uma sensação amarga apertou seu peito. Era horrível se










Último capítulo