A Prometida do Viking

A Prometida do VikingPT

Romance
Última actualización: 2026-04-27
Erica de Souza   Recién actualizado
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Resumen
Índice

Arrastada para um casamento forçado, Alarë é entregue a Tharok, líder dos vikings do norte, em meio a uma promessa antiga e envenenada por intrigas familiares. Louca aos olhos do clã, ela é um fardo que ninguém quer carregar — exceto o homem que, por honra, não ousa quebrar a palavra do pai. Mas entre a culpa, a dor e os gritos sufocados, Tharok descobre que por trás da loucura há algo mais perigoso: uma mulher inteira, prestes a despertar.

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Capítulo 1

Prólogo

Melchakli Vinkis ⚔️

O vento rugia sobre os muros de pedra do clã Valheris, um lamento vindo dos confins do norte.

As tochas tremulavam, lançando sombras que dançavam como espectros sobre as tapeçarias desbotadas e os elmos pendurados nos pilares do grande salão.

Lá fora, a tempestade desabava com fúria, e parecia que os próprios céus choravam pelo fim de uma era.

No leito coberto de peles e veludos, Senhor Valheris jazia imóvel. O rosto outrora altivo agora era pálido como marfim, e os olhos, outrora tão firmes diante de batalhas e conselhos de guerra, vagavam entre o mundo dos vivos e o das memórias.

O velho guerreiro sentia o frio das pedras subindo pelos ossos, o peso do tempo cobrando-lhe a alma.

Sabia que estava diante da última fronteira.

A morte caminhava pelos corredores do castelo, e até as chamas pareciam se curvar diante dela.

A seu lado permanecia Laird Dravharn, o amigo de infância, o irmão de armas — o homem cuja vida ele salvara há muitos invernos, quando o sangue cobria os campos e os corvos cantavam vitória sobre os corpos caídos.

Agora, aquele mesmo amigo estava ali, observando o fim daquele que fora seu igual e companheiro em tantas guerras.

E, aos pés da cama, sentada imóvel, estava a pequena Alarë, seus os olhos grandes estavam úmidos, a inocência sentia a marca da dor precoce. A menina segurava um colar de prata que a mãe lhe deixara antes de morrer e o apertava entre os dedos, certamente buscando coragem.

— Pela chama dos antigos… — murmurou Valheris, a voz trêmula, exatamente como uma folha levada ao vento. — Jure-me, velho amigo, que não deixará minha filha sozinha neste mundo de lobos.

Dravharn sentiu o peso daquelas palavras atravessar-lhe o peito como uma lâmina afiada. Olhou para a menina, tão pequena e tão frágil, e algo nele se quebrou — talvez a parte que ainda acreditava que seu amigo poderia escapar do destino.

Com um gesto solene, colocou a mão sobre o peito e respondeu:

— Juro-te, pela minha honra e pelo nome de meus ancestrais. Que teu sangue e o meu se unam, e que jamais se quebre o elo forjado nesta noite.

O moribundo sorriu, um sorriso cansado, mas verdadeiro.

— Então… quando eu partir, o destino de Alarë será o destino de Tarok, teu filho. Que eles unam os dois clãs, e que a paz continue a reinar entre os dois povos. E se, no futuro, essa promessa for quebrada, que o sangue regue a terra. Sele nossa vontade perante o rei.

Um trovão estrondou, fazendo a madeira da janela tremer. O vento uivou entre as fendas das muralhas, como se o próprio norte tivesse ouvido o pacto.

Dravharn abaixou a cabeça em sinal de respeito. Sabia que aquele juramento não era leve — era um fardo selado pelos deuses, um elo de ferro entre seus descendentes.

Seu filho ainda era apenas um garoto, mas o futuro já lhe era imposto antes mesmo de saber empunhar uma espada.

— Que assim seja, em nome dos antigos e sob os olhos do Falcão e do Lobo — respondeu Dravharn. — Juro, nem a morte, nem o tempo ou os ventos traiçoeiros separarão o que prometemos. Se o sangue tocar a terra por deslealdade, que eu seja o primeiro a pagar por isso, mas que a aliança se mantenha intacta.

Valheris respirou fundo, os olhos marejados, e estendeu a mão trêmula, pousando-a sobre a de Alarë.

— Que as águas do Vale do norte e as neves do sul se encontrem, e que jamais o esquecimento alcance nossos nomes. Tu farás nosso clã próspero, minha Alarë. Tua união com Tarok conservará a paz em nossas terras, e teus filhos carregarão um legado forte e duradouro.

A menina nada respondeu — apenas deixou que as lágrimas lhe escapassem, como as gotas de chuva que caiam lá fora.

Por um instante, o vento cessou.

O fogo da lareira curvou-se reverenciando o momento.

O tempo pareceu prender a respiração.

— Que os deuses te protejam, minha pequena Alarë… — sussurrou o homem. — Que os deuses te protejam.

E quando o último suspiro do Senhor Valheris se perdeu no silêncio do quarto, uma estrela cadente cruzou o céu sobre o clã.

Os guardas nas torres juraram ter ouvido um cântico no vento — um coro distante, como vozes de ancestrais ecoando entre as montanhas.

Diz-se que, naquela noite, os deuses ouviram o juramento dos homens.

E, entre o trovão e o vento forte, selaram o destino de Tarok Dravharn e Alarë Valheris.

O destino que, nas línguas antigas, chamava-se Melchakli Vinkis — a união que nasce da morte.

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