Mundo ficciónIniciar sesiónEle é o herdeiro perfeito — frio, calculista e inalcançável. Ela é a mulher que aprendeu a sobreviver em silêncio. Daan van der Velde voltou ao Brasil com uma condição: casar para assumir o império da família. Só que o destino colocou um nome impossível no caminho — Rosa Ferreira dos Santos, a garota do orfanato que ele nunca esqueceu. Enquanto Rosa tenta manter a vida de pé entre trabalho, medo e um relacionamento que a prende, Daan aproxima-se como uma tempestade elegante: poderoso, determinado… e carregando uma promessa antiga. Mas alguém já estava observando há anos — e o primeiro sinal chega como sempre: um buquê de rosas brancas.
Leer másO silêncio na sala de reuniões parecia pesado de uma forma que as planilhas não capturavam.
O vidro do prédio refletia a fina chuva de Amsterdã, como se toda a cidade estivesse sendo lavada — mas algo não estava limpo por dentro, aninhado bem ao lado, na Van der Velde Construct. Apenas o cheiro de metal, café caro e decisões irreversíveis.
Daan van der Velde fechou a caneta suavemente e devolveu o contrato ao advogado, e nem uma vez um músculo se contraiu em seu rosto.
— Assinado — disse ele , como se marcasse um fim formal.
O CEO da empresa parceira sorriu do outro lado da mesa, satisfeito. Um diretor aplaudiu discretamente. Seu CFO, Pieter Kruger, acenou levemente em aprovação, o equivalente a dizer bom garoto. A tela na parede mostrava um resumo do acordo, com os números subindo em verde. Crescimento, expansão, lucro.
E, no canto inferior esquerdo, uma pequena nota que ninguém leu em voz alta:
Reestruturação operacional: cortes de unidades, fechamento de filiais, redução de pessoal.
Daan ficou diante de todos e ajustou o terno cinza carvão, estruturado e elegante. O tecido em azul chumbo esfriava seus olhos azuis claros — um feixe de azul oculto por trás de todo daquele cinza. Ele estendeu a mão.
— Parabéns. A execução agora pertence a nós.
No térreo, lá fora, muito abaixo, a segurança tentava conter o barulho que se instalava como fumaça: protestos, jornalistas, perguntas gritadas, sirenes distantes. A Holanda não era um país que irrompe em tumulto por qualquer coisa — mas havia questões que nem o frio ordenado de Amsterdã podia aceitar sem dizer algo.
Milhares de empregos.
Eles estavam esperando por ele quando Daan cruzou o corredor.
Hendrik van der Velde não estava no salão principal. Ele estava em seu escritório — aquele que parecia um elegante bunker com vidro escuro, madeira e história. Anika de Graaf, uma membro do conselho que era, formalmente, “independente”, abriu a porta. Seu olhar era neutro demais para ser apenas profissional.
— Ele está esperando — disse ela.
Daan entrou na sala sem precisar de permissão.
Hendrik estava de pé, olhando para a cidade como se estivesse jogando um jogo de tabuleiro, de costas para a porta. Ele não se virou imediatamente. Ele permitiu que seu filho sentisse seu próprio passo em meio ao silêncio.
Quando finalmente falou, foi com uma voz baixa.
— Quantas pessoas perderam seus empregos hoje, você sabe?”
Daan estava a dois metros da mesa. Seu olhar não vacilou.
— Não é 'hoje'. É um efeito em cadeia. E é inevitável. Eficiência é o que o mercado quer.”
Hendrik se virou como um velho predador, que viu toda forma de arrogância juvenil.
Ele era alto, de ombros largos, cabelo grisalho cortado sem vaidade exibida. O terno era impecável. A gravata, escura. Os olhos... os olhos eram o detalhe que assustava. Porque não tinham pressa. Não tinham medo. Tinham apenas... precisão.
O “Viking de Terno”, como a imprensa o chamava, deu mais um passo.
— Você assinou um contrato que está aumentando o lucro do grupo, sim. — A pausa curta o suficiente pra ser sentida no peito de Daan. — E vai destruir milhares de famílias.
Daan piscou uma vez.
— Assinei o que era necessário para manter a empresa competitiva. É assim que os negócios funcionam.
— É assim que os negócios são feitos quando ninguém dá a mínima para ninguém — Hendrik interveio. — E é por isso que eu vim aqui.
A palavra “eu” na boca de Hendrik não era vaidade. Era uma sentença.
Daan sustentou o olhar.
— O senhor me criou para isso.
Hendrik deu um sorriso irônico.
— Eu te criei para vencer. Mas não para se tornar um homem vazio.
Ele caminhou para a mesa e pegou um tablet. Ele tocou na tela e virou para seu filho: fotos. Vídeos. Um recorte de jornal. Pessoas na rua, na chuva, carregando cartazes. "Demissões", "Traição". "Vidas". Rostos comuns, desesperados. Aquelas pessoas, aquelas pessoas nunca estariam na frente daquele prédio de vidro por escolha. Agora estavam lá porque foram forçadas a isso.
— Olhe — Hendrik disse, sem elevar a voz. — Olhe de verdade.
Daan olhou. Sem emoção.
— Vejo números e riscos. Se eu hesitar, a empresa desmorona. E se a empresa falir, todos perdem.
— Isso é o que você diz a si mesmo para ter paz de espírito ? — Hendrik disse, então a frase pousou como uma faca aguda no peito de Daan: — Essa é a sua religião: racionalizar para não sentir.
O silêncio retomou, mas agora, com dentes.
Hendrik descartou o tablet e olhou para seu filho como se procurasse o menino que costumava estar lá.
— Daan... Eu sei que você está com essa mulher todos esses anos.
Daan não mudou sua expressão. Mas sua mandíbula se tensionou quase imperceptivelmente.
— Eu não sei o que você sente por ela.— Hendrik deu outro passo, invadindo friamente o espaço de segurança emocional que seu filho havia construído para si mesmo. — Mas o simples fato de você se importar com alguém me deixa... aliviado.
Daan respirou lentamente.
— Eu não...
— Não minta para mim. Hendrik acenou em direção à cadeira, como se os assentos fossem um tribunal. Nunca te vi se importar com ninguém em todos esses anos. Nem mesmo por você mesmo.
Em meio segundo Daan cerrou os punhos e relaxou. "Eu não tenho tempo para…
— A falta de empatia, no mundo de hoje, pode até ser um superpoder para um CEO. Hendrik inclinou a cabeça e manteve o olhar firme.
— Mas isso te faz um ser humano de merda.
A frase caiu e não havia defesa para levantá-la.
Daan ficou vazio por dentro — mas lá fora ele estava impecável. Ele havia se acostumado com a maneira de agir de Hendrik desde os 7 anos: firme, verdadeiro, sem meias conversas. Hendrik não bajulava. Não consolava. Não escondia.
Ele dizia o que era.
— Você vai entrar oficialmente na diretoria — continuou Hendrik. — Você acha que hoje foi um teste de competência
Hendrik retirou uma pasta preta da gaveta e a colocou sobre a mesa.
— Mas o verdadeiro teste começa agora.
Daan olhou para a pasta.
— O que é isso?
Anika estava na porta como se chamada pela gravidade da situação. O advogado da família, Dr. Willem Hartman, entrou com um ar seco atrás dela.
Pieter Kruger apareceu por último, encostado no batente da porta. Curioso demais para um homem que fingia não se importar.
— Você me chamou, Hendrik?— Pieter perguntou, com falsa calma.
— Sim , Hendrik respondeu, sem se virar para ele. Quero que você ouça.
Pieter sorriu com os olhos. Daan percebeu. Pieter não sorria por respeito. Ele sorria porque acabara de encontrar uma fraqueza.
Hartman colocou mais documentos para o lado da pasta. Selos, assinaturas, termos legais em holandês que cheiravam a comando e controle.
Hendrik tocou a pasta com uma mão.
— Você acha que tem tudo. — Sua voz baixou. — Nome, status, dinheiro, futuro.
Ele bateu levemente na pasta com o dedo.
— Você tem bens. Você tem certificados. Você tem dividendos. Você tem luxo.
A outra mão de Hendrik gesticulou para um lugar invisível sobre a mesa, como se estivesse em direção a algo que Daan sempre considerou estar ao seu alcance:
— Mas você não tem o voto.
Daan franziu a testa pela primeira vez em muito tempo.
— O que você quer dizer?
Hartman pigarreou.
— As ações com direito a voto pertencem à Stichting — a fundação, você sabe, que é a administração. Ele chamou de Stichting, como se fosse uma sentença eterna. "O STAK."
Daan conhecia a palavra. Claro que conhecia. Ele cresceu ouvindo isso. Mas, claro, ele nunca pensou que seria usado contra ele.
— Isso é... temporário —, Daan disse, para manter a lógica. — Eu sou o herdeiro.
Hendrik levantou uma sobrancelha.
— Você é meu filho. Mas a empresa não é um brinquedo. A empresa é uma responsabilidade.
Daan encarou seu pai.
— Por que eu não fui informado?
— Porque eu queria ver o que você se tornaria com poder em suas mãos antes de lhe dar poder real.
Daan sentiu o golpe agora. Não no peito. Na estrutura. Na identidade.
Hendrik acrescentou:
— Você pode ser um diretor, pode ser o rosto da empresa, sentar-se à mesa certa e assinar contratos. Mas o controle acionário, o voto que importa, ficará trancado até você cumprir essas condições.
— Condições? — Daan riu em um lamento curto, sem graça. — Isso é chantagem.
— Isso é governança, — Hendrik corrigiu. — E é proteção contra inimigos externos e contra você.
Pieter se mexeu na porta, mais ansioso do que deveria estar.
— Hendrik, com todo o respeito, isso é radical — ele disse. — A empresa precisa de estabilidade, afinal…
Hendrik olhou para ele. Apenas olhou. E Pieter ficou em silêncio, como um cachorro bem treinado.
— Leia, Daan," Hendrik disse.
Daan abriu a pasta.
As letras pareciam frias como o tempo lá fora.
. Condições de Continuidade e Sucessão — STAK
1 Retorno ao Brasil – o país de origem e liderar operações estratégicas por 180 dias.
2 Estabilidade civil evidenciada por casamento legal.
3 Avaliação pelo comitê de ética e reputação sobre comportamento moral, responsabilidade social e liderança humana.
4 Se essas condições não forem satisfeitas, o STAK manterá o voto e nomeará a gestão interina indicada pelo conselho.
Daan olhou lentamente para cima.
— Casamento ?
Hendrik não piscou.
— Você ouviu.
— Isso é absurdo.
— O absurdo, Daniel, — Hendrik diz, puxando o nome brasileiro como um punhal, — é você pensar que pode liderar um conglomerado global sendo completamente incapaz de se importar com qualquer ser humano.
Seu nome em portugues trouxe a Daan memórias que ele se recusava a vivenciar.
Hendrik respirou fundo.
— Você vai voltar ao Brasil. Você vai encontrar o lugar que evitou dentro de si desde a infância. E você vai provar, de uma vez por todas, que ainda há humanidade em você.
— E se eu não fizer?
— Então você continua rico. — Hendrik deu um meio sorriso cruel. — Mas você nunca será rei.
Daan fechou a pasta com força controlada.
— Você quer me forçar a casar com alguém?
Hendrik se aproximou, e sua sinceridade era quase brutal:
— Não. Eu quero que você encontre a única pessoa que já te fez humano.
Daan permaneceu imóvel.
Hendrik pegou um envelope fino e colocou sobre a mesa, deslizando-o suavemente para seu filho.
— Você achou que eu não sabia? — Hendrik disse. — Você acha que eu não vi você rastrear, discretamente, por anos? Você acha que eu não entendi por que você nunca deixou nenhuma mulher se aproximar?
Daan não respondeu.
Hendrik apontou para o envelope.
— Abra." Daan abriu.
Dentro havia uma cópia de um registro antigo. Carimbo de São Paulo. Nome de uma instituição. Um arquivo amarelado — digitalizado às pressas — que preservava o que importava.
E nas linhas frias, como se o mundo tivesse sido reduzido a uma palavra, estava escrito: Rosa Ferreira dos Santos.
A garganta de Daan secou.
O escritório parecia girar dois centímetros.
Ele não conseguia mais ver Amsterdã pela janela.
Ele viu um corredor estreito. Um quarto com cheiro de sabão barato. Uma mão mais velha colocando um cobertor sobre ele. Um sorriso que não deveria estar naquele lugar... mas estava lá. Hendrik quebrou o silêncio, selando o destino de Daan:
— Volte para o Brasil, Daniel.
— Encontre a Rosa.— E me prove que você ainda sabe ser gente.Daan encarou o nome no papel mais uma vez.
E, pela primeira vez em muitos anos, alguma coisa dentro dele… se moveu.
POV — RosaRosa ergueu os olhos para o céu.Cinza.A chuva caía fina, insistente, sem pressa de ir embora.Sacudiu o guarda-chuva no portico antes de entrar na capela . A água respingou no piso de pedra da entrada. Em dias assim, os passos pareciam pesar mais.Passou pelas portas abertas da igreja.O cheiro de madeira antiga e vela queimada a envolveu antes mesmo que os olhos se acostumassem à penumbra. Fez o sinal da cruz quase sem pensar — gesto antigo, aprendido quando ainda usava uniforme azul do orfanato.A nave estava quase vazia.Lá no fundo, um homem de terno escuro ocupava um dos últimos bancos. Imóvel. Ela não encarou. Apenas passou.Sentou-se perto do altar.O banco de madeira rangeu sob seu peso. A luz filtrada pelos vitrais azuis espalhava manchas suaves pelo chão de granilite polido. Ali dentro, o mundo falava baixo.Ela deslizou os joelhos até o genuflexório.A madeira fria tocou sua pele através do tecido fino da calça.Genuflexório.Aprendera a palavra ali mesmo, aind
POV — Rogério— Merda de barulho… — resmungou, virando o rosto no travesseiro. — Como se alguém fosse roubar esse carro velho.Pegou o celular na cabeceira. 11h30.Rogério encarou o teto por alguns segundos, tentando decidir se levantava ou se fingia que o mundo não existia. Sábado. Frio. Chuva fina batendo na telha. Um dia perfeito pra continuar dormindo.Ia virar pro outro lado quando a tela acendeu de vez , piscando a mensagem.“Pagode hoje no galpão da escola. Feijoada, cerveja. E aí, bora, Caramelo?”Rogério leu a mensagem e abriu um sorriso torto.Caramelo.O apelido ainda era novo. Lembrou da origem do apelido o sorriso virou gargalhada. Jogou o cobertor pro lado e levantou, arrastando o pé até a cozinha. A mesa estava posta. Tudo no lugar. Pão, queijo, fruta cortada num potinho. A garrafa térmica ainda quente. Iogurte na geladeira.Rosa.O bilhete colado com ímã na porta da geladeira chamou atenção antes mesmo do café.“Vou trabalhar o dia inteiro. Faxina e depois buffet. Vol
— Padre Bento, alguém quer falar com o senhor. — Deixe entrar, minha filha.Ouvir a voz rouca e firme vindo da sacristia fez Daan sentir um aperto no peito. Nostalgia Ao atravessar a porta, viu o padre mais velho do que se lembrava — o tempo passou e deixou marcas. — A bênção, padre. Padre Bento ergueo os olhos lentamente, olhou para Dann como quem dirige na neblina , olhar firme. Atento. Procurando um traço de pista para seguir o caminho, buscando nos fragmentos de memória encaixar aquele jovem alto em alguma lembrança antiga.Não encontrou nenhuma. Mesmo sem reconhece-lo ergueu a mão para Daan que a beijou .— O Senhor te abençoe e te guarde , meu fiho. Achando engraçado, Daan quase teve a impressão de estar diante de um velho computador tentando acessar um HD antigo. Ele imaginou a tela azul e riu — Padre Bento... faz tanto tempo, e o senhor ainda tem essa caranca séria. Os olhos do padre se arregalaram , o sorriso veio fácil e sincero. O Padre se levantou com esforço.
Rosa acordou antes do despertador.Pegou o celular na mesa de cabeceira: 5h30. Ao lado, Rogério dormia tranquilo, virado de lado, como se o mundo não tivesse contas nem cobranças. Rosa se levantou devagar, com o cuidado de quem aprendeu a não fazer barulho — não por medo de acordá-lo, mas por hábito.Era sábado. Ele não trabalharia. Podia dormir até tarde.Rosa se trocou, fez café, deixou tudo adiantado. Hoje era dia de faxina, e ela precisava chegar cedo. Depois ainda tinha o buffet. Um dia inteiro fora, voltando só à noite.Antes de sair, parou um instante na cozinha e lembrou de um costume antigo — dos tempos em que Rogério ainda tinha gentilezas pequenas: post-its colados na geladeira, letras tortas, frases simples que davam uma sensação de casa.Volto logo. Te amo.A lembrança puxou uma saudade que doía mais do que ela queria admitir.Rosa pegou um bloquinho, escreveu com cuidado e colou no mesmo lugar onde ele costumava colar os dele:“Vou trabalhar o dia inteiro. Faxina e depoi
As portas pesadas tentavam abafar o som vindo do interior. Não conseguiam. Pieter entrou na fila incomodado — um incômodo pequeno, um mal necessário.Quando atravessou a entrada, o mundo mudou de temperatura.O corredor vermelho-sangue vibrava com o grave do techno vindo do fundo. Era um clube caro, feito para quem tinha dinheiro o suficiente para comprar sigilo — e desejo o bastante para buscar o que não assumia à luz do dia. A pista de dança escura fervia: luzes piscando, corpos se movendo no ritmo, perfume caro, suor, copos batendo.Pieter não tinha vindo se divertir.Tinha vindo caçar.Noah de Vries. Integrante do conselho. Um dos opositores mais incômodos.Ele o encontrou rápido: cercado por amigos num canto da pista, dançando como se nada naquele mundo pudesse alcançá-lo. Pieter manteve distância, longe o bastante para não ser notado, perto o suficiente para observar sem pressa. Noah ria alto. Gesticulava. Um tipo de segurança que sempre vinha antes da queda.Em algum momento, No
— Rosa… o gatão das rosas já passou pra pegar o buquê? — Dona Regina perguntou, se divertindo com a própria frase. O sorriso dela tinha aquele brilho de criança levada, esperando o resultado de uma travessura.Rosa desviou os olhos do arranjo por um instante.— Já, sim, dona Regina. Acabou de sair.— Ah, então você também concorda comigo… — Dona Regina insistiu, apoiando os cotovelos no balcão. — O rapaz é um pão, como a gente dizia na minha época. Se eu fosse solteira…Rosa soltou um riso curto. Sempre achou Dona Regina leve, dessas pessoas que trazem sol até quando o dia ameaça chover.Dona Regina mudou de assunto sem perder a animação:— E você, menina… como tá o seu bonitão?Rosa sorriu um pouco mais — um sorriso pequeno, cuidadoso.— Acho que ele conseguiu um bom emprego… Tô esperando ele me confirmar, mas acho que deu certo.— Que maravilha, minha filha. — Dona Regina apertou a mão de Rosa por cima do balcão, como quem sela uma oração. — Assim ele te ajuda. Que bom… que bom mesmo





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