Alarë abriu os olhos devagar. As pálpebras resistiam, pesadas como se tivessem sido costuradas ao sono bem devagar. A fadiga que a prendia ao leito não era comum; lembrava o cansaço que vinha após longos dias de viagem ou noites de febre — um desgaste antigo, sem origem clara. A luz da manhã atravessava as peles esticadas sobre a abertura da parede, espalhando pelo quarto um tom quente, meio dourado, que não trazia conforto algum. Havia algo inquietante naquela claridade. Seu corpo inteiro doía. Não uma dor aguda, mas profunda, entranhada nos músculos, a levando além do limite. Alarë inspirou com cuidado, esperando que o ar lhe devolvesse algum equilíbrio. Onde estava? Não era o quarto do oeste. Lá, tudo cheirava a sal, ervas envelhecidas e vinho ácido. As tapeçarias gastas protegiam pouco do frio, e o rangido constante da madeira fazia parte de suas noites. Ali, o ar era diferente — mais limpo, mais duro. Trazia o cheiro de turfa queimada, de ferro aquecido, de peles r
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