Eu sempre começo o dia da mesma forma: café preto, sem açúcar, e silêncio absoluto até as sete da manhã. Silêncio é essencial — é o único momento em que o mundo parece estar sob controle.
Às sete e quinze, estou no carro. Às oito, no escritório. Não existe improviso na minha rotina, e talvez por isso o incidente de ontem tenha me deixado irritado além do necessário. Ficar preso no elevador com a vizinha nova foi um lembrete de que o acaso existe, e eu detesto o acaso.
Chego à sede da empresa e