Mundo de ficçãoIniciar sessãoChristos foge de Creta às vésperas de um noivado que não deseja. — Pressionado a assumir um casamento imposto, ele decide se afastar por um mês para refletir sobre até onde está disposto a viver uma vida que nunca sentiu como sua. O refúgio escolhido é o Texas, no Haras Walker, propriedade de um antigo amigo de faculdade — um lugar distante do luxo, das convenções e das expectativas que o sufocam. O que ele não esperava encontrar ali era Sabine. — Recém-formada em veterinária, Sabine vive para os animais e evita qualquer envolvimento humano além do necessário. Reservada, antissocial e inteiramente dedicada ao trabalho no haras, ela prefere o silêncio dos estábulos às relações superficiais. Para ela, os animais são honestos; os humanos, não. — A presença de Christos, com seu ar urbano e deslocado, desperta antipatia imediata, e ela o mantém à distância sem hesitação. Intrigado, Christos passa a observr em silêncio. Vindo de um mundo onde dinheiro, poder e aparências ditam regras, ele se vê fascinado por aquela mulher que conversa com os animais como se fossem pessoas e cuida da vida com uma devoção quase sagrada — sem qualquer interesse por quem ele é ou pelo que representa. — A aproximação acontece lentamente, sem promessas nem sedução explícita. É durante o parto de uma égua que Christos se apaixona de vez — não apenas por Sabine, mas pela forma como ela enxerga o mundo, pela simplicidade que não precisa ser exibida e pela verdade que ele nunca encontrou em sua própria realidade. Entre eles nasce um envolvimento intenso e inesperado, construído em silêncio, cuidado e escolha. — Mas o refúgio de Christos tem prazo, e o mundo do qual ele fugiu não demora a alcançá-lo. .
Ler maisCRISTOS NO ESTÁBULO
"Eu estava tendo um sonho maravilhoso, sonhando com a noite quente que tive com Sabine, com o corpo dela ainda colado ao meu, com o silêncio cúmplice do estábulo, com a entrega sem promessas e sem cobranças. —A noite anterior tinha sido perfeita, simples, intensa, real, e eu ainda estava preso a essa sensação quando algo começou a invadir o sonho: um som fora de lugar, uma voz feminina, aguda e conhecida demais para ser ignorada. 'Atena está aqui? Não Deus, esse pesadelo não pode acontecer comigo, eu continuo dormindo não é? — Eu fugi desse pesadelo. Só pode ser um pesadelo, essa mulher não pode estar aqui.' — Eu ainda estava com os olhos fechados, tentando me agarrar ao último fragmento daquele sonho bom, quando a voz voltou, mais alta, e agressiva, quebrando qualquer tentativa de negação. — Χριστό! Πού είσαι? (Christos! Onde você está?) Meu corpo enrijeceu instantaneamente, o coração disparou antes mesmo de eu abrir os olhos, e ali eu soube que não era um sonho, não era imaginação, ela realmente tinha me encontrado. — Eu continuo com os olhos fechados, tentando ignorar, tentando fingir que aquela voz não está ali, que tudo isso ainda faz parte do sonho, mas ela fala de novo, mais alto, mais perto, e eu sei que não tem como fugir. — Χριστό, σε βρήκα. (Christos, eu te encontrei.) Meu estômago se contrai, o corpo inteiro fica tenso, ainda não abro os olhos, respiro fundo, como se isso pudesse fazê-la desaparecer. — Κοιμάσαι στο πάτωμα ενός στάβλου? (Você está dormindo no chão de um estábulo?) — Τι ντροπή είναι αυτή; (Que vergonha é essa?) Agora não tem mais como fingir, abro os olhos devagar, o teto de madeira acima de mim, o cheiro de feno, o saco de dormir no chão, tudo confirma que aquilo é real. — Atena está ali, em pé, impecável demais para aquele lugar, o olhar atravessando o espaço até encontrar Sabine. — Τι κάνεις εδώ, Αθηνά? (O que você está fazendo aqui, Atena?) Ela cruza os braços, impaciente, como se eu fosse um atraso na agenda dela. — Ήρθα να σε πάρω. (Eu vim te buscar.) — Έχεις εξαφανιστεί σχεδόν έναν μήνα. (Você desapareceu por quase um mês.) — Ο πατέρας σου ξέρει πού είσαι. (Seu pai sabe onde você está.) — Ή νόμιζες ότι μπορούσες να ξεφύγεις από όλα αυτά; (Ou achou que podia fugir de tudo isso?) Levanto devagar, o corpo ainda pesado do sono, do cansaço, da noite mal dormida, passo a mão pelo rosto. — Δεν συμφώνησα με τίποτα. (Eu não concordei com nada.) Ela solta uma risada curta, impaciente, quase cruel. — Δεν χρειάζεται να συμφωνήσεις. (Você não precisa concordar.) — Πρέπει να αναλάβεις τις ευθύνες σου. (Você precisa assumir suas responsabilidades.) Antes que eu responda, a voz de Sabine se impõe, calma, firme, sem elevar o tom. — Por favor, parem de gritar, vocês estão estressando a Sol, saiam daqui. Ela está ao lado de Sol, a mão passando pelo pescoço da égua, sentindo cada movimento, a Lua deitada próxima, e pequena, vulnerável, Sabine inteira ali, concentrada, protegendo o que importa. — A Sol está nervosa, ela pariu ontem, o parto foi difícil, ela não pode passar por estresse nenhum, vocês dois precisam sair daqui agora! Atena olha para ela com desprezo aberto, depois volta o olhar para mim, como se tudo aquilo fosse um absurdo. — Eu me viro para Sabine. — Sabine, preciso explicar… Ela nem me deixa continuar. — Não temos nada para conversar, senhor Christos, por favor, retire-se. — Atena puxa o saco de dormir com força, falando rápido em grego, palavras afiadas, acusatórias, impacientes, como se fosse minha dona, não preciso ouvir tudo para entender. — Μας εξέθεσες. (Você nos expôs.) — Νόμιζες ότι αυτό δεν θα είχε συνέπειες; (Achou que isso não teria consequências?) Passo por Sabine devagar, sentindo o peso de tudo, e antes de sair, ela fala, em grego, baixa, firme, sem hesitar. — Μη με ξαναψάξεις. (Não me procure mais.) Sabina vira as costas para mim, e volta para a Sol, e a Lua, o trabalho que nunca a traiu, as lágrimas descendo em silêncio. —E entendi, tarde demais, que para ela eu fui apenas isso: um homem comprometido em fuga, alguém que entrou na vida dela sem intenção de ficar, para se aproveitar dela, mas nunca foi essa minha intenção. E no estábulo, que poucas horas antes parecia abrigo, agora é o lugar onde tudo se quebrou, uma tempestade destruiu tudo. — Quando chego à sede do haras, o silêncio pesa mais do que os gritos no estábulo, minha cabeça ainda lateja, a noite e o encanto de ontem foi destruído. A última frase dela não sai da minha mente: dita em grego, clara, e sem hesitação: "não me procure mais". Isso martela dentro de mim. — Ela entendeu tudo: cada palavra que Atena disse, a acusação, e o veneno. Meu Deus, eu imaginei que a Sabine falava grego! — Nunca imaginei que aquela mulher silenciosa, que prefere conversar com animais, tivesse entendido tudo o que aconteceu ali. Ethan me encontra no corredor, com semblante sério, cansado, passando a mão no rosto antes de falar. — Eu não consegui segurar o furacão chamado Atena. Olho para ele, sem entender direito, ainda preso ao que ficou para trás. — Ela chegou aqui feito um raio — ele continua — perguntando onde você estava. Achei que você estivesse no seu quarto, pedi a Marylou ir te chamar, e foi quando sou que você não tinha dormido lá. O capataz comentou que você tinha passado a noite no estábulo— ele suspira — e acabou levando essa aí até lá. — Você deixou Atena ir atrás de mim? — minha voz sai baixa, tensa. — Eu nem tive tempo de impedir Atena de ir até você, Christos— Ethan responde — quando vi, ela já estava no caminho, gritando seu nome. Atena surge na minha memória como um vendaval, entrando onde não foi chamada, impondo-se como se tivesse direitos que nunca foram meus para dar. — Então você estava acobertando tudo?! — Atena acusa Ethan com sua voz dela anasalada e acusatória, cheia de posse. Ethan balança a cabeça, como se tivesse ouvido exatamente essa frase. — Eu disse a ela, acobertando o quê, Atena? Você quem veio aqui sem ser convidada! Até onde eu sei, Christos não tem nada com você, veio para cá justamente porque não queria assumir esse compromisso que o pai dele arrumou com tua família. — Agora você aparece aqui, invade o lugar e ainda quer agir como se fosse dona da situação? Engulo em seco, passo a mão pelo cabelo, a imagem de Sabine de costas, cuidando de Sol, não sai da minha mente. — O que aconteceu lá no estábulo? — Ethan perguntou. Demoro alguns segundos para responder. — Ethan, Você sabia que Sabine fala grego? Ele me olha sem surpresa. — Sabia, e fala mais outro idioma. — Como assim sabia? — minha voz sai mais alta do que eu pretendia. — O pai dela é grego — ele responde com naturalidade — e a mãe é italiana, Sabine fala grego, italiano e inglês desde criança. Sinto o chão sumir sob meus pés. — Então ela entendeu tudo o que a Atena falou? — Pergunto, mais para mim do que para ele. — Entendeu, tudo! — Ethan confirma, sem rodeios. O silêncio que se instala é pesado, e Ethan se aproxima um pouco mais, baixa o tom, como se estivesse falando algo que eu precisava ouvir, mas não queria. — Christos, se você estava interessado na Sabine— ele fez uma pausa breve — depois do que aconteceu hoje, você perdeu qualquer chance de ter um relacionamento sério. Levanto o olhar para ele. — Sabine é extremamente reservada, uma mulher rara nos dias de hoje— ele continua — e não é só o jeito dela ser, é o que a vida ensinou, e os pais lhe mostraram exemplo de vida. — Pelo histórico dos pais, pelo que ela viu acontecer, ela não confia em gente rica, não confia em promessas, não confia em ninguém com facilidade. Cada palavra dele pesava , e vi o quanto Atena destruiu esse relacionamento no início. — Até onde eu sei — Ethan segue — Sabine nunca se envolveu com ninguém, os pais dela tem uma história de amor e renúncia, e o homem ideal para ela tem que ser como o Odin, o pai dela. Sempre preferiu os animais às pessoas, se manteve distante para não se magoar, e se você conseguiu baixar a guarda de Sabina , foi muita sorte, algo raro, mas agora Atena destruiu tudo. Meu peito aperta. — Sabine levantou essa guarda novamente — ele suspira — você não tem mais nenhuma chance com ela novamente. Fico em silêncio. — Lembre-se de uma coisa: Christos — Ethan conclui — Sabine tem sangue grego e italiano, é uma mulher com honra e nunca volta atrás quando decide algo.ELENIEntro no loft de Atena com o meu melhor sorriso de "aliada", mas meus olhos funcionam como escâneres, capturando cada detalhe que não deveria estar ali. O ar cheira a um perfume caro e enjoativo, uma mistura de jasmim com algo metálico que me lembra sangue — ou medo disfarçado de arrogância. Atena me recebe como se eu fosse sua salvadora, uma peça no tabuleiro que ela acredita controlar, mas mal sabe ela que eu sou a única que já viu esse filme antes e detestei o final.— Eleni, que prazer! — ela exclama, com uma voz de seda que não alcança os olhos. — Fico tão feliz que alguém com a sua relevância tenha percebido a injustiça que estou sofrendo. É difícil ser uma mulher de classe enfrentando a baixaria de uma... como é mesmo? Ah, uma veterinária de cavalos.— Sente-se, Atena. Ocupar o lugar da verdade exige paciência — digo, sentando-me no sofá de couro branco e ligando o meu gravador, enquanto observo, pelo canto do olho, um par de abotoaduras
SABINE Em meu pai vejo o reflexo da honra em seus olhos, mas também a preocupação de um homem que vê sua família sob ataque. Aproximo-me dele e coloco a mão em seu ombro, sentindo a firmeza de quem foi criado entre o suor e a terra, longe das hipocrisias da alta sociedade grega. — O senhor sabe melhor do que ninguém, papai... o senhor trabalhou mais de vinte anos em haras e conhece a alma dos animais — digo, com a voz baixa, mas carregada de uma convicção absoluta. — O senhor sabe que um cavalo chucro a gente não doma no grito ou na força bruta de uma vez; a gente deixa ele solto no cercado, observa seus movimentos e vai domando ele aos poucos, com paciência e astúcia. É exatamente assim que vamos fazer com a Atena. Vamos deixá-la acreditar que está no controle, enquanto cercamos todas as saídas. Respiro fundo, sentindo o peso da injustiça arder na minha garganta, mas mantenho o controle. A raiva, quando mal utilizada, é um ven
SABINEOlho fixamente para o meu pai, sentindo que o tempo de apenas reagir aos golpes de Atena chegou ao fim. O escritório dele, com suas estantes de carvalho e o cheiro de couro antigo, parece o cenário perfeito para a declaração de guerra que estou prestes a propor. Ele ainda está processando as revelações do meu irmão sobre o passado sombrio de Atena, mas eu não posso permitir que ele se perca na hesitação.— Pai, o tio John Wake já fez a parte dele; ele conversou abertamente com a Eleni e o depoimento dele foi contundente, mas isso ainda é o blog de uma freelancer contra o império de mentiras de uma herdeira — digo, aproximando-me da mesa dele e apoiando minhas mãos na madeira fria. — Precisamos de algo maior. Algo que eles não possam ignorar ou chamar de "fofoca de internet".Meu pai levanta os olhos, a sobrancelha arqueada em sinal de atenção. Eu continuo, a voz ganhando uma autoridade que até eu desconhecia possuir.— Eu quero qu
SABINEO silêncio que se instala na nossa sala após as palavras do meu irmão é cortante. Olho para o meu pai e vejo o seu rosto endurecer, as linhas de expressão se tornando sulcos profundos de indignação. A ideia de que Christos pode estar sendo enganado pelo próprio pai, em um conluio perverso com Atena, faz meu estômago revirar.— Se isso for verdade — meu pai começa, a voz baixa e vibrante de raiva — estamos lidando com algo muito mais sombrio do que uma simples fofoca de tabloide. Estamos falando de uma fraude familiar de proporções catastróficas.— Eu preciso avisar o Christos — digo, já tateando o sofá à procura do meu celular. Meus dedos tremem levemente, não de medo, mas de uma urgência que queima minhas entranhas. — Ele precisa saber que a rede que o prende pode ter sido tecida pelo homem em quem ele mais deveria confiar.— Espere, Sabine — meu irmão me interrompe, segurando meu pulso com firmeza. — Não podemos simplesmente jogar is










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