Narrado por Bento
O porão tinha cheiro de pedra molhada e ferro antigo. Uma única lâmpada pendurada no teto fazia o resto do lugar parecer um poço. Colocamos Artur na cadeira de metal, algemas nos pulsos e nos tornozelos, faixa de contenção atravessando o peito. Não havia janelas. Não havia relógios. Só a respiração dele e a nossa.
Eu não gosto de fazer barulho quando trabalho. Barulho confunde quem bate e também quem apanha. Prefiro o silêncio — ele é mais honesto.
— Última chance, Artur — fal