Narrado por Artur
O monitor do hospital apitava num ritmo irritante, como se ficasse lembrando o tempo todo que eu ainda estava aqui, por pouco. O soro pingava, o cheiro de antisséptico arranhava a garganta, e a luz fria do teto não perdoava nem sombra. Do meu lado, a Marina dormia numa poltrona improvisada, encolhida sob um casaco que eu nem lembrava de ter em casa. O rosto dela, mesmo no sono, carregava preocupação. Eu merecia. Ela não.
A mão direita doía até no osso; a esquerda tremia sozin