Elisie CharpentierO ar pesa dentro dos meus pulmões como se tivesse sido trocado por fumaça. Eu sinto… não, eu pressinto que algo dentro de mim se contrai e diminui, como se meu corpo tentasse desaparecer dessa sala de jantar.O silêncio dele é errado.É muito errado.Eu não esperava isso. Eu jurei que ele iria levantar da cadeira, gritar, destruir a mesa, jogar o copo na parede… qualquer coisa. Qualquer reação explosiva, violenta, incontrolável.Mas ele não faz nada.Lucien Bellamy continua ali, sentado, com um cotovelo apoiado no braço da cadeira, a outra mão segurando a foto que eu trouxe, como se fosse apenas uma revista aberta numa página irrelevante. Ele olha a imagem por longos segundos, sem piscar, sem mudar o ritmo da respiração, sem demonstrar raiva ou choque.Essa calma é o que me destrói por dentro.Eu sinto um peso enorme descer pelos meus ombros, inundar meus braços, atravessar minha coluna. Minha boca seca. Meus dedos ficam dormentes pela ansiedade. O ar ao redor parec
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