Lucien Bellamy
Eu saio da sala de jantar sem olhar para trás.
O som do salto da mulher ainda ecoa no silêncio morto do ambiente, mas não me afeta. O cheiro de pólvora ainda flutua no ar e nada disso me tira do meu eixo. Emoções servem apenas para desestabilizar, e homens como eu não podem se dar ao luxo de tal coisa.
Logo que cruzo a porta, dois dos meus homens aparecem no corredor: Maurin e Victor.
— Limpem a bagunça. — Ordeno, sem diminuir o passo. — Agora!
Os dois acenam imediatamente. Sabem exatamente o que significa "bagunça".
Antes de virar o corredor, faço questão de acrescentar sem olhar para trás.
— E a mulher que está de pé na sala… está proibida de sair.
Mais um aceno.
Eu continuo andando.
Meus passos são calmos, calculados, como sempre. Nada me apressa. Nada me desvia. Nada me do meu controle. Cruzo a cozinha, onde três cozinheiras fingem não me ver. É sempre assim quando me veem no estado em que estou.
Viro à direita e entro no corredor estreito que dá acesso aos quartos