Mundo de ficçãoIniciar sessãoEncontrada ainda bebê no coração de uma floresta ancestral, Ruby foi acolhida pela respeitada família da Matilha Silver. Criada sob o peso de um segredo, passou toda a infância escondendo seus cabelos vermelhos como sangue sob uma touca, aprendendo desde cedo que era diferente de todos ao seu redor. Mas o verdadeiro pesadelo começa aos quinze anos. Durante a Cerimônia da Deusa da Lua, todas as jovens da matilha recebem uma joia sagrada que desperta seus dons e revela sua linhagem. Todas... menos Ruby. Sua pedra permanece completamente apagada, transformando-a em motivo de desprezo, rotulada como uma aberração sem magia, sem sangue nobre e sem destino. Aos dezoito anos, no grandioso Ritual da Lua Cheia, o destino finalmente revela sua verdade. Diante das principais matilhas, dos Alfas mais poderosos e de toda a cidade, o elo de companheiros é formado. Para o choque de todos, o Alfa mais promissor e orgulhoso da região descobre que sua companheira destinada é justamente a garota rejeitada, a jovem de cabelos de fogo que ninguém considera digna. Consumido pela vergonha e pelo preconceito, ele desafia a própria vontade da Deusa da Lua e comete o maior dos sacrilégios: rejeita sua Mate diante de todos. Humilhada, banida e abandonada até mesmo pela família que a criou, Ruby perde tudo o que conhecia. Porém, enquanto a matilha acredita ter se livrado de uma fracassada, um antigo segredo desperta. Porque nem toda pedra apagada está sem vida. E quando o verdadeiro poder do Rubi despertar, aqueles que a chamaram de aberração descobrirão que a garota rejeitada sempre esteve destinada a se tornar a Luna mais poderosa de todas.
Ler maisA mansão da família parecia grande demais para apenas duas pessoas. Durante os cinco anos em que estiveram casados, Kylen e Scarlett tentaram de tudo para gerar um herdeiro. Fizeram preces, rituais e pediram exaustivamente à Deusa Lua, sempre que ela vinha para abençoar algum casal, o pedido era feito, mas a resposta fora o silêncio. Com o tempo, a dor da ausência virou uma aceitação amarga: eles nunca teriam um filho. Porém
Scarlett afundava cada vez mais na depressão. Kylen olhava para a esposa e se sentia perdido, sem saber o que fazer para ajudar. Os anciãos insistiam para que ele se casasse de novo, mas Kylen não aceitava. Ele preferia encarar a solidão a ter filhos com outra loba. Após longos três meses fora, em uma cansativa viagem de negócios para distante da Matilha dos Pinheiros de Prata, Kylen finalmente cruzou a porta de casa. Exausto e carregando o peso dos contratos e das negociações, o que ele mais desejava era o descanso. Essas viagens eram o escape para não vê a tristeza nos olhos da esposa. Quando ele pisou na porta de entrada, ele parou. Scarlett veio ao seu encontro. Seus olhos, antes apagados pela tristeza da esterilidade, agora brilhavam com uma vivacidade que Kylen não via há anos. Ela estava radiante, sorrindo e o abraçou forte. Por um momento, o coração dele disparou com uma ideia impossível: será que ela está grávida? Pensou ele a envolvendo em seus braços. Ela se aproximou, deu-lhe um beijo afetuoso no rosto e segurou suas mãos com firmeza. — Kylen... a Deusa Lua atendeu aos nossos pedidos. Ele franziu a testa, confuso. — Como assim, Scarlett? — Três meses atrás, logo depois que você viajou, naquela noite de Lua Cheia... eu ganhei um milagre. Nós ganhamos um presente. — Que presente é esse? — perguntou ele, o tom de voz hesitando entre a curiosidade e o receio. Antes que Scarlett pudesse responder, um choro suave e miúdo era escutado do andar de cima. Os olhos de Kylen se arregalaram no mesmo instante. — Você... você adotou um bebê? — Não, Kylen. Eu a encontrei — respondeu ela, sorrindo com os olhos marejados. — É uma menina. O nome dela é Ruby. Sem esperar por mais explicações, Kylen subiu os degraus e caminhou em direção ao quarto principal. Deitada no centro da cama de casal, embrulhada em mantas macias, estava a pequenina. Ela usava uma touquinha delicada que cobria toda a cabeça. Quando Kylen se aproximou, a bebê piscou, revelando grandes e vivos olhos castanhos claros, e esticou as mãozinhas perfeitas no ar. Um sorriso involuntário e emocionante rasgou o rosto de Kylen. A rigidez do seu peito se desfez. — Ela... ela é perfeita — murmurou ele, fascinado. Mas, ao se inclinar mais para perto, Kylen notou pequenos fios que escapavam da borda da touca, rente às orelhas da bebê. Fios de um tom avermelhado, como brasas acesas. Intrigado, ele estendeu a mão e puxou suavemente a touquinha de tecido. O sorriso de Kylen desapareceu no mesmo momento. O ar fugiu de seus pulmões. O topo da cabeça da menina era coberto por uma fumaça de cabelos de um vermelho vivo e intenso — como o mais puro rubi. Ele indignado com aquela aberração, colocou a bebê na cama, mas Scarlett a pegou no colo acalentando. Ele recuou um passo, a voz falhando em um gaguejo frio de pavor: — S-Scarlett... por favor, o que é isso? Essa menina... ela não é daqui. Ela não é da nossa matilha. Ela é... diferente! Scarlett se aproximou rapidamente, com a bebê no colo e encarou o marido com um olhar firme e protetor: — Não importa de onde ela veio, Kylen! Nós abrimos as portas da nossa casa para ela. Ela é a nossa filha. Kylen observava a cena. A esposa abraçava a bebê de um jeito diferente. O olhar dela tinha mudado, e o abraço, antes distante, agora transbordava carinho. Scarlett ninava a garotinha, que aos poucos parava de chorar com o balanço suave. Mas Kylen sabia a verdade: eles não podiam ficar com a criança. O que diria aos moradores de Solver quando vissem aqueles cabelos? Era um risco enorme. Então, ele olhou de novo. Scarlett sorria. E aquele sorriso simples desarmou Kylen por completo. Kylen observou Scarlett por uns momentos antes de se aproximar. Ele chamou a esposa, pediu que ela se sentasse na beirada da cama e olhou nos olhos dela. A preocupação pesava em seu peito. — Scarlett, você precisa entender que essa bebê é diferente de nós — disse ele, tentando manter a calma. — E se ela não for uma loba? E se for humana? Essa possibilidade existe e nós não podemos fingir que não. Scarlett nem piscou. O olhar dela não trazia dúvida, apenas uma certeza única e essa certeza era a mais importante, Ruby era a sua filha. — Eu não me importo — respondeu ela, sem hesitar. — A partir de hoje, ela é a nossa filha. O nome dela é Ruby Silver, da Matilha dos Solver. Kylen suspirou. Ele não queria criar uma discussão. Sabia que aqueles três meses tinham sido mais do que suficientes para Scarlett se apegar à garotinha. A dor que antes consumia a esposa tinha dado lugar a esse amor, e Kylen sabia que não existia força no mundo capaz de fazer Scarlett mudar de ideia. Não tinha mais volta. — Tudo bem, nós ficamos com ela — aceitou ele, deixando a firmeza transparecer na voz. — Mas a responsabilidade principal é sua. Eu vou ajudar a cuidar e estar ao seu lado, só que a tarefa de proteger essa menina de todos em Solver vai cair sobre você. Scarlett ouviu as palavras do marido, mas a verdade é que ela não estava ali pedindo permissão. Sem dizer mais nada, ela apenas se levantou, caminhou até a cama e ajeitou a pequena Ruby no ninho improvisado com todo o cuidado e amor que ela tinha. Kylen se levantou devagar e passou as duas mãos pelo rosto. O peso do que viria pela frente parecia esmagar seus ombros. A preocupação agora era dupla: de um lado, o perigo que aquela bebê misteriosa trazia para a alcateia; do outro, a própria Scarlett. Ele sabia o quanto a esposa tinha sofrido e temia o que aconteceria com ela se os anciãos descobrissem a verdade e tentassem tirar Ruby dos braços dela. Ele olhou para Scarlett uma última vez naquela noite. Ela ajeitava a coberta da menina com uma delicadeza que ele não via há muito tempo. Por mais que o medo o dominasse, Kylen sabia que não conseguiria arrancar aquela alegria recém-descoberta do peito da esposa. Ele teria que carregar aquele segredo com ela, mesmo que isso custasse a paz de todos em Solver.Ao alcançarem o topo do Pico Celestial, o cenário era de tirar o fôlego. O vento frio da noite uivava sobre a rocha sagrada, mas a expectativa do povo aquecia o ar. Ali estavam reunidas dezessete jovens nobres com seus trajes impecáveis, mais a Ruby — totalizando dezoito garotas que aguardavam a bênção mais importante de suas vidas.A comunidade inteira de Solver e as mães das jovens se acomodavam na área inferior do santuário, com os corações disparados de ansiedade.Na parte superior, em uma arquibancada de pedra esculpida, estavam os líderes de maior prestígio do reino. O Supremo Gideon e a Luna Kiara ocupavam o centro da mesa de honra, cercados pelos amigos fiéis de Kaelen — Thorne, Balthazar, Derek e Cassian —, além de representantes e Alfas vindos das respeitadas matilhas do Sul. Todos trajavam mantos de gala e armaduras polidas, aguardando o momento solene.As dezoito jovens foram orientadas pelos sacerdotes a subirem os degraus do altar. Elas se posicionaram em um grande círcu
O dia mais aguardado por todas as matilhas de Solver finalmente havia chegado. Com a ascensão da terceira lua cheia, o ar na vila parecia vibrar em uma frequência diferente. Não era um dia comum. As mães estavam eufóricas, os pais festejavam pelas ruas e os guerreiros das mais diversas alcateias e territórios vizinhos demonstravam uma ansiedade quase incontrolável.Aquele era o momento grandioso em que a própria Deusa Lua manifestaria sua presença sagrada. A cerimônia aconteceria no ponto mais alto e místico de Solver: o Pico Celestial do Luar, um altar antigo esculpido em rocha sagrada, situado acima das nuvens. Era naquele local abençoado que a energia divina iluminaria os cordões das dezessete jovens de dezoito anos, revelando suas almas gêmeas e libertando a força oculta dos lobos e de seus Alfas.Enquanto a vila inteira se preparava para subir a montanha à noite, a casa de Scarlett era um verdadeiro caos de correria logo no início da tarde.Scarlett havia acordado cedo, supervisi
Mais tarde, sozinho em seu quarto, Kaelen encarava a escuridão pela janela do castelo com o maxilar trincado. Ele não suspirava por lembranças românticas. O que fervia em seu peito era uma raiva profunda. Para Kaelen, aquela garota misteriosa de anos atrás não havia salvado ninguém; ela tinha interrompido a sua evolução. Ele acreditava piamente que o toque dela o deixara fraco, travando e reprimindo a manifestação do seu lobo albino supremo. Aquele cheiro de flores selvagens e terra molhada, que teimava em voltar à sua memória, não trazia saudade — trazia fúria. Ele amaldiçoava aquela presença com todas as suas forças, culpando-a por sua limitação, ao mesmo tempo em que sentia uma incômoda e sombria admiração pela força avassaladora que presenciara naquela noite. Ele se lembrava dela — do cheiro, do toque —, mas a memória trazia consigo uma onda sufocante de raiva. Kaelen Alexander tentava alcançar seu lobo, mas não conseguia ouvi-lo, soltá-lo ou fazê-lo despertar. Era como se esti
A vila de Solver acordou em festa. O aroma de flores frescas tomava conta de cada rua e beco no tradicional Festival das Flores, uma celebração épica que reunia toda a população para comemorar a maioridade dos jovens lobos. Era um dia de muita música, dança e banquetes fartos.O Supremo Gideon e os Anciões compareceram ao centro da vila apenas no início da celebração para abençoar o povo e anunciar o marco sagrado: os herdeiros das famílias nobres haviam completado seus dezoito anos. No entanto, por razões de tradição e respeito ao ritual de escolha que se aproximava, os jovens lobos albinos não podiam ser vistos pelas dezessete garotas da vila.Enquanto a população comemorava com risos e taças erguidas, longe dali, o cenário era completamente oposto.Em uma região distante, íngreme e castigada por um frio de congelar os ossos, os jovens lobos passavam pela sua última e mais brutal prova antes da vida adulta. Ali, nos Picos Gelados de Skag, não havia espaço para magia ou privilégios d
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