Mundo de ficçãoIniciar sessãoHelena Duarte passou sete anos sendo chamada de inútil. Casada com Leonardo Vasconcelos, um homem frio, rico e obcecado por herdeiros, ela suportou humilhações, desprezo e a culpa por nunca conseguir engravidar. Até que, na noite em que assina o divórcio, descobre que Leonardo não apenas a traiu com Isadora, sua melhor amiga, como também pretende apresentá-la à elite como a mulher grávida do herdeiro que Helena nunca pôde dar. Sem dinheiro, sem família e prestes a perder até a antiga casa deixada por seu pai, Helena acredita que chegou ao fundo do poço. Mas, quando sai da mansão Vasconcelos apenas com a roupa do corpo, um carro de luxo para diante dela. Caio Draven, o homem mais temido pelos Vasconcelos, oferece a Helena um acordo impossível: um noivado falso por três meses. Em troca, ele quitará a dívida da casa de seu pai e a protegerá de Leonardo. Helena aceita pensando estar assinando apenas um contrato. Mas, no instante em que sua assinatura toca o papel, uma marca de lua surge em seu pulso, despertando uma verdade enterrada há cem anos. Caio não é apenas um bilionário recluso. Ele é um Alfa amaldiçoado, preso a uma fera sombria que somente uma Luna Primordial pode controlar. E Helena, a mulher que todos chamavam de inútil, pode ser a única capaz de despertar a raiz sagrada das Lunas, controlar o monstro dentro de Caio e, quem sabe, governar o mundo dos lobos, que ela nem sabe que existe, ao lado dele. Ela não estava no contrato. Mas era a Luna que todos temiam ver renascer.
Ler maisA caneta parecia pesada demais entre os dedos de Helena.
O ar da sala de advocacia da família Vasconcelos era frio, seco, com cheiro de madeira polida, café amargo e papel recém-impresso. Helena estava diante da mesa de vidro escuro, com os documentos do divórcio espalhados à sua frente, tentando manter as mãos firmes enquanto o peito apertava cada vez mais. Do outro lado, Leonardo olhava para o relógio de pulso pela terceira vez, impaciente, como se aqueles sete anos fossem apenas um compromisso chato atrasando sua manhã.
— Assina logo, Helena. Não tenho o dia todo não, tenho compromissos mais importantes depois daqui.
A voz dele atravessou a sala sem emoção.
Helena ergueu os olhos devagar, encarando o homem que um dia prometeu cuidar dela, o homem por quem abandonou sonhos e pedaços inteiros de si mesma. Leonardo estava impecável, o terno cinza ajustado, os cabelos escuros alinhados, a expressão dura de quem não carregava arrependimento algum. Não parecia o marido de uma mulher prestes a perder tudo, parecia um empresário encerrando um contrato.
— Sete anos para você acabam assim? — perguntou, tentando impedir que a voz tremesse. — Com pressa? Não se importa mesmo nem um pouco comigo? Não valho mais nada memso pra você?
Leonardo soltou uma risada baixa, sem humor. Todos naquela sala sabiam que ela estava em desvantagem, todos sabiam que os Vasconcelos já tinham decidido seu destino antes mesmo de chamá-la ali, mas ninguém parecia disposto a dizer isso em voz alta.
— Ai está você, sempre tentando transformar tudo em drama — Leonardo revirou os olhos. — Você sabia que esse casamento não tinha mais futuro.
— Eu sabia?
— Sete anos e nenhum filho. Minha família precisa de herdeiros, e você nunca conseguiu me dar isso.
A frase atingiu seu peito com um baque doloroso. Helena voltou a sentir o cheiro dos corredores de hospital, o gosto amargo dos remédios, a vergonha de chorar escondida depois de mais um exame negativo, todos os tratamentos para infertilidade que pareciam não adiantar de nada, as inseminações que nunca vingavam. Lembrou de Leonardo segurando sua mão e prometendo que nada daquilo importava. Mentiroso. Ele não enfrentou nada. Apenas esperou até se cansar dela.
— Então eu era só isso? — ela respirou fundo. — Uma reprodutora que falou no seu papel?
— Não distorça minhas palavras.
— Você acabou de dizer exatamente isso.
Leonardo desviou o olhar, pegou o celular no bolso e o colocou sobre a mesa. Helena baixou os olhos para os papéis exatamente quando a tela acendeu, foi rápido, mas não o bastante para poupá-la de mais uma decepção naquele dia. O nome de Isadora apareceu primeiro, seguido da mensagem que fez o chão sumir de vez sob seus pés..
“Amor, o médico confirmou, nosso bebê está bem. Depois que ela assinar, podemos anunciar? Não aguento mais fingir que sou só a melhor amiga dela… Quero viver nosso amor e formar nossa família!”
Helena ficou imóvel.
Leonardo respirou fundo ao perceber o olhar dela preso na tela, mas não teve a decência de parecer culpado.
Isadora.
Sua melhor amiga.
A mulher que chorou ao seu lado a cada tentativa frustrada, que entrou em sua casa, que abraçou suas dores e, pelas costas, ocupava sua cama e carregava o filho que Leonardo tanto exigia. A vida tinha suas formas cruéis de dar uma rasteira nas pessoas, não é? Além de perder o homem com quem jurou que passaria a vida, agora perderia também sua melhor amiga...
"Que esses dois traidores fiquem juntos então", ela pensou, engolindo em seco e apertando mais a caneta. "Esses malditos se merecem!"
— Você ia me contar? — Helena sussurrou. — Ou eu descobriria pelo anúncio?
— Isso não muda nada.
— Ela era minha amiga.
— Isadora me deu o que você nunca conseguiu.
Algo dentro de Helena se quebrou, algo que nunca poderia ser consertado e ela sabia. Pegou a caneta e assinou a primeira página, depois a segunda e a terceira. A mão tremia, mas a assinatura saiu firme. Leonardo a observava, talvez esperando gritos, lágrimas, súplicas.
Mas isso ele não teria, não a veria implorar por um casamento que já tinha enterrado enquanto dormia ao lado dela.
— Pronto — Helena empurrou os papéis para o advogado. — Acabou.
Leonardo franziu a testa.
— Não vai perguntar mais nada?
— Para quê? — ela se levantou, ajeitando a bolsa no ombro. — Você já me respondeu tudo sem eu nem precisar perguntar.
Saiu antes que as pernas falhassem.
O corredor parecia comprido demais enquanto ela caminhava sem olhar para trás, só quando entrou no elevador e viu o próprio reflexo no metal polido, percebeu o quanto estava pálida. Os olhos secos, os lábios sem cor, o rosto de uma mulher que acabara de ser descartada.
Helena entrou no carro tentando fingir que não estava tremendo.O escritório privado para onde Caio a levou ficava em um prédio discreto, perto demais da mansão para ser coincidência e luxuoso demais para ser improviso. Uma sala pequena, com mesa de madeira escura, luz baixa e um homem de terno esperando com papéis prontos, como se Caio tivesse previsto que ela acabaria aceitando. Ao lado da porta, um outro homem estava parado, em silencio, apenas olhando para ela com curiosidade.Pareciam mafiosos.O tio de Leonardo é um mafioso?, ela se perguntou, mas empurrou a ideia para longe, porque seria loucura demais ele ser da máfia, não seria?Aquilo a deixou desconfiada, claro que deixou, naquele dia, desconfiança era a única coisa que ainda parecia dela, já que só não lhe tiraram a roupa do corpo na mansão porque aquilo seria crime. Sentou-se sem tirar a bolsa do ombro, leu cada linha do contrato com os olhos ardendo de cansaço, procurando armadilhas como quem procura monstros debaixo da
Quando Helena viu Caio Draven sair daquele carro preto, a primeira coisa que sentiu foi vontade de dar um passo para trás.Não por ele ter feito alguma coisa, nem por ter dito algo ameaçador, mas porque havia homens que não precisavam levantar a voz para tomar espaço. Caio era assim, alto, vestido de preto, com um sobretudo que parecia feito para aquela noite fria, ele tinha uma presença pesada, quase absurda, como se até o vento tivesse parado para observar sua chegada. Seus cabelos eram escuros, ombros largos, olhos intensos e uma pele levemente bronzeada, caminhava como um rei, mas não de forma soberba, ao menos não totalmente.Helena o reconheceu de eventos antigos, jantares desconfortáveis onde os Vasconcelos fingiam elegância enquanto cochichavam sobre aquele parente distante que ninguém gostava de contrariar. Leonardo sempre mudava de postura quando Caio aparecia, Odette ficava rígida. Isadora, quando ainda fingia ser sua amiga, tinha dito uma vez que ele parecia perigoso e est
Caio Draven não gostava de receber notícias ruins, mas nos últimos dias parecia que o mundo inteiro tinha decidido entregá-las em sua mesa como se fossem relatórios comuns.O escritório dele ficava no último andar da torre Draven, cercado por vidros escuros que refletiam a cidade iluminada lá embaixo e impediam que qualquer um visse o que acontecia do lado de dentro. Era um lugar silencioso demais, elegante demais, frio demais para parecer humano, com estantes de madeira negra, uma mesa larga no centro e o cheiro forte de couro, chuva e café sem açúcar impregnado no ar. Caio estava parado diante da janela, com as mãos nos bolsos da calça social, olhando para as luzes distantes como se pudesse enxergar através delas tudo que tentavam esconder dele. Atrás, André permanecia em silêncio havia tempo suficiente para qualquer outro homem se sentir desconfortável, mas seu Beta não era qualquer homem.André sabia esperar.— Fale logo — Caio ordenou, sem se virar.André respirou fundo.— O info
Isadora ficou vermelha, e isso deu a Helena uma satisfação pequena, quase amarga.— Talvez ela pudesse levar uma joia, dona Odette — Isadora sugeriu, com a voz doce demais. — Só uma. Para vender e conseguir algum dinheiro. Mas claro… se pedisse direitinho. Talvez de joelhos. Seria justo, não seria? Está me ofendendo tanto hoje… Tenho medo que isso faça mal para o bebê…O silêncio pesou.Helena encarou Isadora sem piscar. Por alguns segundos, não ouviu os empregados, não ouviu Odette, não ouviu nada além do próprio sangue pulsando nos ouvidos. Aquela mulher queria vê-la no chão. queria a cena completa. A esposa descartada, pobre, humilhada, implorando por uma migalha diante da amante grávida. Então Helena levou a mão ao pescoço e abriu o fecho do colar de ouro que usava. Foi Leonardo quem deu, em um aniversário, escolhido por uma secretária e entregue por um motorista.Ela deixou cair no chão.Depois tirou os brincos, a pulseira, o anel de noivado que ainda carregava o peso daquela ca
Último capítulo