CAPÍTULO 161
Quando até a despedida se torna prisão
ALINNA TAVARES
Acordei com a luz pálida de Paris entrando pela cortina pesada da suíte presidencial. O frio da manhã grudava nos ossos, mas não era só o inverno que me gelava. Hoje fazia um ano. Um ano desde que Eduard tinha partido.
Um ano desde que tudo mudou.
Ele tinha dado seis meses para que eu me casasse com Caio. Seis meses que pareciam agora uma eternidade. E nesse intervalo, tanta coisa aconteceu que a própria noção de tempo perdeu o sentido.
Hoje, mais do que nunca, doía estar tão longe. Nem sequer poder visitar o túmulo, colocar flores, ajoelhar em silêncio. A França me protegia de inimigos, mas também me afastava das minhas próprias lembranças.
Sentei na beira da cama. Peguei o diário, esse único espaço onde ainda conseguia colocar em palavras o que a boca não tinha coragem de dizer. Passei a mão pela capa gasta e escrevi devagar:
Querido diário,
Hoje faz um ano que Eduard morreu.
Um ano desde que o chão se abriu debaix