CAPÍTULO 160
Quando o diário guarda o que a boca não consegue dizer
ALINNA TAVARES
A porta da suíte presidencial se fechou atrás de mim com um estalo abafado. O silêncio que tomou o quarto era quase pesado demais. Já faziam cinco dias desde que eu tinha chegado a Paris, e cada um deles parecia mais longo do que um mês inteiro na minha vida.
Lucas havia reservado aquele espaço como quem queria me proteger não só dos perigos lá fora, mas também de mim mesma. Ele não dizia nada — apenas entregava as chaves, ajeitava os horários, escolhia a segurança do hotel com a precisão de um general. Mas eu sabia. Ele me olhava quando achava que eu não via. E eu fingia não perceber.
Cinco dias. Cinco dias em que Caio não ligou. Nenhuma chamada. Nenhuma mensagem. Nenhuma promessa nova. Apenas o eco do arrependimento dele, confessado em voz embargada ao telefone, quando admitiu que tinha errado em tentar me dar ao seu melhor amigo como se o amor fosse herança repassada em testamento. Eu entendi a cov