CAPÍTULO 162
Quando a cura precisa da força que não está nos remédios
CAIO MOREAU BASTIEN
A porta do quarto se abriu devagar, e o barulho do carrinho metálico ecoou pelo corredor antes da voz animada do ortopedista encher o espaço. Marco, o fisioterapeuta, vinha logo atrás, com uma prancheta carregada de papéis e olhos atentos.
— Senhor Moreau. — O médico sorriu, como se carregasse luz no rosto. — Boas notícias.
Meus olhos se estreitaram. Boas notícias, pra mim, sempre soavam como faca de dois gumes. Quando alguém dizia isso, geralmente significava que o golpe vinha logo depois.
— Fala logo, doutor. — Minha voz saiu seca.
Ele ergueu a pasta de exames como quem ergue uma sentença.
— Podemos limpar o seu organismo. Conseguimos autorização e todos os protocolos já estão prontos. Vamos tentar desfazer isso que fizeram com o senhor.
Meu coração disparou no peito. “Limpar.” “Desfazer.” Palavras que, até ontem, eu acreditava impossíveis. Mas a esperança é traiçoeira, e antes que ela me eng