SOFIA
O relógio marcava nove e trinta da manhã quando Fernanda chegou. A mesma postura gentil, a mesma voz doce, os mesmos passos calmos. Mas agora, tudo nela me causava repulsa. Aquele sorriso que já me acalmou tantas vezes... agora me dava vontade de vomitar.
— Pode entrar, Fernanda — falei, com um tom calmo que me arranhava por dentro. Cada palavra saía como se eu mastigasse cacos de vidro.
Ela atravessou a sala com a mesma bolsinha clara, o coque apertado, o perfume leve que sempre preenchi