Mundo de ficçãoIniciar sessãoO jogo ele domina. O império ele controla. Mas o coração dele está em ruínas. Hunter Blackwood é o Quarterback estrela dos Estados Unidos e o implacável CEO de um império fitness. Por trás dos músculos, das tatuagens e da fama, existe um homem quebrado pelo luto. Após perder a esposa em um acidente trágico, ele ergueu muros em torno de si e de sua filha, a pequena Lily. Ela cura mentes, mas seu maior desejo é impossível. Elena Miller é uma psicóloga italiana radicada nos EUA, dona de um otimismo contagiante e de um segredo doloroso: o sonho de ser mãe foi ofuscado pelo diagnóstico de infertilidade. Quando aceita o desafio de cuidar da pequena Lily — que se recupera de um acidente em um leito de hospital —, Elena não imaginava que teria que lidar com o "General" Blackwood. Um encontro inesperado. Uma obsessão inevitável. Hunter não confia em estranhos, mas a forma como Elena consegue penetrar no silêncio da filha dele o deixa fascinado... e perigosamente obcecado. Ele a quer por perto, mas luta contra esses sentimentos. Ele a quer sob seu controle, mas se recusa a ceder. Ele acredita que ela está ocupando um lugar que não lhe pertence, mas não consegue mais imaginar sua casa sem a presença dela. O império da confiança desmorona. Hunter cai em uma armadilha cruel. Uma mentira bem orquestrada o faz acreditar que Elena é quem quer destruí-lo. Quando a verdade finalmente vem à tona e as máscaras caem, o mundo de Hunter desaba ao perceber o erro imperdoável que cometeu. Será Elena capaz de perdoar o homem que a expulsou? E será Hunter capaz de provar que, por trás da sua obsessão, existe um amor digno de uma segunda chance?
Ler maisLos Angeles, Califórnia
Quinta-feira, 19:30h O sol de Los Angeles começava a se despedir no horizonte, pintando o céu com tons de laranja e violeta, mas Hunter Blackwood mal percebia a beleza do entardecer. Para o quarterback estrela do time da cidade, o mundo se resumia ao gramado impecável sob seus pés e ao peso da bola de couro em suas mãos calejadas. O treino de quinta-feira havia sido intenso; os músculos de seus braços, cobertos por tatuagens que contavam histórias de força e resiliência, latejavam com o esforço. No próximo sábado, ele enfrentaria um dos jogos mais importantes da temporada. Hunter estava no topo, no auge de sua carreira e de sua forma física, um homem que exalava poder e controle em cada movimento. Por volta das 17:00h, o som estridente de seu celular rompeu a concentração do final do treino. Ao ver o nome na tela, um sorriso raro e genuíno iluminou seu rosto severo. Ele atendeu a vídeo chamada imediatamente. — Oi, meu amor — disse Clara, a voz soando como uma melodia suave que sempre conseguia acalmar o turbilhão na mente de Hunter. Ela sorria para a câmera, os cabelos castanhos levemente desgrenhados pelo vento. — Cadê as mulheres da minha vida? — Hunter perguntou, encostando-se a um banco no vestiário, ignorando os companheiros de equipe que passavam ao redor. — Papai! — O grito entusiasmado veio do banco de trás do carro. Lily, com seus seis anos e olhos cheios de vida, surgiu na tela, agitando as mãos. — Oi, minha princesa — respondeu Hunter, e seu coração pareceu derreter. — O papai está com saudades. Estou ansioso para chegar em casa e encher vocês duas de beijos. — Também queremos encher o papai de beijos, não é, filha? — Clara disse, lançando um olhar carinhoso para a pequena pelo retrovisor. — Sim, mamãe! — Lily exclamou, rindo. Hunter mudou levemente o tom de voz, uma nota de preocupação surgindo em seu olhar. — Minha vida, onde vocês estão? Pensei que já tivessem chegado em casa. — Fizemos uma parada para lanchar — explicou Clara calmamente. — Lily disse que estava com muita fome, mas falta apenas uma hora de viagem. Logo estaremos aí. — Minha vida, eu já te disse... — Hunter suspirou, o instinto protetor falando mais alto. — Quando for visitar seus pais, precisa sair mais cedo de lá. Eu não gosto de vocês duas pegando estrada à noite sozinhas. Los Angeles pode ser perigosa, e o cansaço da estrada me preocupa. Clara soltou uma risada leve, tentando dissipar a tensão do marido. — Amor, fica tranquilo. Daqui a pouco estaremos em casa e tudo ficará bem. Agora vou desligar porque preciso focar no trânsito. Dá tchau para o papai, filha. — Tchau, papai! Amo você! — Lily mandou um beijo para a câmera. — Até logo, minha princesa. Clara, cuidado, por favor. Quando você chegar, eu já estarei em casa esperando por vocês. — Tudo bem, amor. Eu te amo muito. Hunter sentiu um calor no peito que nenhum troféu ou vitória jamais lhe dera. — Minha vida, eu te amo mais. Clara riu, o som sendo a última coisa que Hunter ouviu antes de ela selar o destino deles com a frase que era o lema do casal: — Agora e para sempre! — Sim — Hunter sussurrou. — Agora e para sempre. A ligação foi encerrada. Clara guardou o celular e concentrou-se na estrada à frente. No entanto, o clima na Califórnia, muitas vezes imprevisível, decidiu mudar. Nuvens carregadas encobriram a lua e uma chuva torrencial começou a cair, transformando o asfalto em um espelho traiçoeiro. Tudo aconteceu em uma fração de segundos. O brilho ofuscante de faróis altos surgiu na direção oposta. Um motorista em alta velocidade, tentando uma ultrapassagem imprudente, perdeu o controle. O impacto foi brutal. O som de metal retorcido e vidro quebrando abafou o som da chuva. O carro de Clara foi arremessado para fora da pista. No silêncio assustador que se seguiu, o único som audível era o das sirenes que, momentos depois, começaram a ecoar na distância, cortando a noite escura. Na mansão dos Blackwood, o relógio de parede na sala de estar marcava 19:30h. Hunter andava de um lado para o outro, o jantar intocado sobre a mesa. A angústia apertava seu peito de uma forma que ele não conseguia explicar. O silêncio da casa era ensurdecedor. O toque da campainha não foi um alívio, mas um gatilho para o terror. Ao abrir a porta, Hunter deparou-se com dois policiais. Seus uniformes estavam úmidos pela chuva e suas expressões eram sombrias, desprovidas de qualquer vestígio de boas notícias. — Aconteceu alguma coisa? — Hunter perguntou, sua voz saindo mais rouca do que o normal. Ele já sabia a resposta, mas sua mente lutava para não aceitar. — Eu sinto muito, Sr. Blackwood — disse um dos oficiais, tirando o quepe. — Mas sua esposa e sua filha sofreram um grave acidente de carro. Naquele instante, Hunter sentiu o chão se abrir sob seus pés. O mundo, que antes ele dominava com tanta facilidade, desmoronou. A força de seus músculos de atleta parecia ter evaporado, deixando apenas um homem vulnerável e aterrorizado. — Onde elas estão? — Ele perguntou, a voz trêmula, enquanto buscava oxigênio que parecia ter sumido do ambiente. — Foram socorridas e levadas para o Hospital Santa Mônica. Sem dizer mais uma palavra, Hunter pegou a carteira e as chaves do carro. Seus movimentos eram mecânicos, impulsionados pelo puro desespero. — Vamos acompanhar o senhor — disse o policial, vendo o estado de choque do homem. Hunter apenas assentiu. Ele entrou em seu carro e dirigiu como um louco pelas ruas molhadas de Los Angeles. As luzes da cidade eram apenas borrões coloridos. Ele precisava chegar lá. Precisava salvar o que restava do seu mundo. Ao chegar ao hospital, ele não esperou o carro parar totalmente. Correu para a recepção, o peito subindo e descendo em uma respiração descompassada. — Minha mulher e minha filha... Clara e Lily Blackwood! Onde elas estão? — Ele gritou para a atendente, que se assustou com a imponência e o desespero do homem tatuado à sua frente. — Senhor, por favor, acalme-se. Sua esposa foi levada imediatamente para a sala de cirurgia. O senhor deve sentar e aguardar notícias.Elena se aproximou e ficou perto da cabeceira da maca. Ela observava o modo como Hunter evitava olhar para as próprias mãos, como se as odiasse por terem falhado em dar a ele o alívio que procurava. — A dor física é mais fácil de lidar do que a da alma, não é, Hunter? — ela perguntou suavemente. Ele virou o rosto para ela, os olhos brilhando de raiva. — Você não sabe do que está falando. Fica na sua, psicóloga. — Eu sei exatamente do que estou falando — Elena rebateu, mantendo o tom de voz baixo e humano. — Você está tentando transferir a dor que sente pela Clara para o seu corpo. Acha que, se sangrar o suficiente, o buraco no seu peito vai fechar. Mas a verdade é que você só está criando mais problemas. Quem vai cuidar da Lily se você perder o movimento das mãos? Quem vai segurá-la no colo? Alistair parou o que estava fazendo e olhou para Elena, agradeci
O trajeto até o Hospital Santa Mônica pareceu durar uma eternidade. Dentro do carro, o silêncio era interrompido apenas pelo som da respiração pesada de Hunter e pelos gemidos baixos que ele não conseguia conter toda vez que o veículo passava por um buraco. A dor no pulso esquerdo era aguda, como se alguém estivesse apertando um prego contra o osso, e suas mãos latejavam em um ritmo cruel. Mark dirigia com as mãos firmes no volante, lançando olhares preocupados para o amigo ao lado. Hunter estava pálido, com a testa coberta de suor frio e o olhar fixo no nada. Ele parecia um homem que tinha acabado de sair de uma zona de guerra, e de certa forma, ele tinha. A guerra de Hunter era interna, mas os danos agora eram visíveis para qualquer um. Ao chegarem na emergência, Mark desceu rapidamente e ajudou Hunter a sair. O quarterback mal conseguia se manter em pé; a adrenalina do treino tinha passado, deixando apenas um cansaço mortal e um
A noite chegou em Los Angeles, e com ela, o fechamento da academia. Mark despediu-se dos últimos funcionários, mas notou que a luz do escritório de Hunter ainda estava acesa. Ele pensou em entrar e chamar o patrão para ir embora, mas decidiu dar um tempo a ele. Assim que o prédio ficou vazio e o silêncio se instalou, Hunter saiu do escritório. Ele não foi para o estacionamento. Ele foi para o centro da área de treinamento. O ar estava pesado e o cheiro de borracha e suor era a única coisa que ele sentia. Ele foi até o sistema de som e conectou seu celular. Em segundos, um rock pesado e agressivo começou a ecoar pelas paredes de vidro, no volume máximo. As batidas da bateria e os riffs de guitarra pareciam acompanhar o ritmo do seu coração acelerado. Hunter parou diante do saco de areia. Ele não colocou as faixas de proteção desta vez. Ele queria sentir o impacto. Queria que a dor física fosse real e imediata. — Não consigo
Mark voltou para o escritório trazendo uma caneca de café fumegante. O cheiro forte da bebida pareceu despertar Hunter por um instante daquele transe pesado. Ele aceitou a caneca, sentindo o calor passar para suas mãos machucadas e latejantes. — Obrigado, Mark — Hunter disse, dando o primeiro gole. O líquido amargo era exatamente o que ele precisava para tentar manter o foco. — Como andam as coisas por aqui? Eu sei que andei bem ausente nas últimas semanas. Mark sentou-se na cadeira à frente da mesa, suspirando com um misto de alívio por ver o patrão tentando se interessar pelo negócio, mas ainda preocupado com o estado dele. — As unidades estão indo bem, Hunter. O movimento continua alto, mas o pessoal sente sua falta. Os gerentes das outras academias têm ligado para saber de você. Eu disse que você estava resolvendo problemas pessoais, mas as pessoas começam a comentar, sabe? Hunter olhou para a tela do computador, que es
Hunter sentou-se em um banco alto no fundo do bar, onde a luz era fraca e o cheiro de cigarro e bebida velha parecia impregnado nas paredes. Ele não queria pensar. Pensar doía. Ele só queria que o uísque descesse e queimasse tudo o que havia sobrado de sentimento dentro dele. Ele pediu a primeira dose, depois a segunda, e quando deu por si, a garrafa já estava pela metade. O mundo ao seu redor começou a balançar, as vozes das pessoas viraram um zumbido sem sentido, e a sua mente era um borrão de dor e raiva. Foi quando ela se aproximou. Era uma das garçonetes do lugar, uma mulher de olhar cansado, mas que tinha algo que fez o coração de Hunter dar um solavanco. Talvez fosse o jeito que o cabelo castanho caía sobre os ombros ou o formato do sorriso enquanto ela limpava o balcão. Naquela névoa de embriaguez, ela lembrava a Clara. Era uma semelhança cruel, um truque que o seu cérebro bêbado estava pregando para tentar aliviar o sofrimento. A mulher percebe
— Como é que é? — ele rosnou. — Isso mesmo que você ouviu — Elena deu um passo à frente, ficando cara a cara com ele, apesar da diferença de altura. — Onde você estava nas últimas três semanas, Hunter? Onde você estava quando a sua filha acordava à noite chorando de dor e chamando por você? Onde você estava quando ela precisava de um abraço depois de fazer exames difíceis? Quase um mês se passou para você dar as caras aqui e agora quer chegar mandando em tudo? Eu estive aqui todos os dias. Eu segurei a mão dela, eu contei histórias, eu limpei as lágrimas dela enquanto você estava sumido. Então não ouse me questionar. Hunter ficou sem palavras por um momento. A verdade nas palavras dela doeu mais do que qualquer soco. Ele sentiu uma mistura de raiva e vergonha, mas o seu orgulho ferido falou mais alto. — Você não sabe de nada. Você não sabe o que eu estou passando — ele retrucou, a voz tremendo de ódio. — Eu sou psicóloga, Hunter. Eu sei muito bem o que é a dor. Mas a sua dor n





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