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Capítulo 5: Um Passo de Cada Vez

As palavras de Alistair ficaram ecoando na mente de Hunter por um bom tempo. O silêncio na sala era tão grande que ele conseguia ouvir a própria respiração pesada. Ele olhou para o irmão, vendo o cansaço estampado no rosto dele, e sentiu uma pontada de vergonha. Alistair estava carregando tudo nas costas enquanto ele se afogava em uísque.

— Você tem razão, irmão — Hunter disse, com a voz rouca e falha. — Eu... eu vou. Amanhã eu vou visitar a Lily no hospital.

Alistair soltou um longo suspiro, como se um peso enorme tivesse saído de seus ombros. Ele não queria brigar, só queria que o irmão voltasse à vida. Eles conversaram por mais alguns minutos, Alistair dando detalhes técnicos sobre a recuperação física de Lily e tentando, sem sucesso, convencer Hunter a comer algo sólido e logo Alistair se despediu.

Quando a porta se fechou, Hunter se sentiu sozinho de novo naquela casa enorme. Ele subiu as escadas devagar, sentindo cada músculo do corpo doer. Entrar no quarto que dividia com Clara era como levar um soco no peito toda vez. Era insuportável ver o lado dela da cama vazio, as almofadas que ela gostava de usar arrumadas de um jeito que agora parecia não fazer sentido nenhum. A percepção de que o "nós" havia sido brutalmente podado para um solitário "eu" era uma agonia constante.

Hunter caminhou até o closet e abriu as portas. O aroma de Clara veio com tudo — uma mistura de flores de laranjeira e baunilha — flutuou em sua direção, envolvendo-o como um abraço. Ele deslizou as mãos pelas sedas e algodões, parando ao encontrar uma camisola de cetim champanhe que ele adorava vê-la usar. Ele a puxou do cabide e a pressionou contra o rosto, fechando os olhos com força e por um segundo, pareceu que ela ainda estava ali. Naquele instante, as memórias o inundaram: o dia em que se conheceram em um café em Boston, as risadas sob a chuva, o brilho nos olhos dela quando descobriram que seriam pais. Ele ficou ali, no escuro do closet, chorando baixinho e segurando aquele pedaço de pano como se fosse sua única âncora no mundo.

No dia seguinte, o som estridente do celular rompeu o sono pesado e sem sonhos de Hunter. Ele tateou o criado-mudo, derrubando um copo vazio antes de encontrar o aparelho.

— Porra, Alistair! Isso são horas de me ligar? — ele resmungou, sem sequer abrir os olhos.

— Sabe que horas são, Hunter? — a voz do irmão veio do outro lado, firme e impaciente. — São dez horas da manhã.

Hunter piscou, tentando focar a visão no relógio digital. O brilho dos números confirmou o que Alistair dizia. Ele havia perdido completamente a noção do tempo.

— Estou no hospital e aguardando você — continuou Alistair.

— Para quê? — Hunter perguntou, a mente ainda nublada.

Houve uma pausa do outro lado da linha, seguida por um suspiro exasperado.

— Hunter, você prometeu que vinha visitar a Lily, ou já esqueceu?

Hunter sentiu uma pontada de culpa. A imagem da filha, pequena e ferida em uma cama de hospital, surgiu em sua mente.

— Droga! Esqueci. Eu... eu posso ir à tarde?

— Pode sim. Mas agora eu espero que você venha mesmo, Hunter. Sua filha não para de perguntar por você. Ela precisa ver o pai dela para entender que não foi abandonada.

— Eu vou, Alistair. Eu prometo.

Depois de encerrar a ligação, Hunter jogou o celular de lado e sentou-se na beira da cama, apoiando os cotovelos nos joelhos. Ele tomou um banho longo e frio, tentando expulsar o cheiro de uísque e estagnação de seus poros. Quando finalmente desceu e olhou ao redor, o impacto da sua fúria dos dias anteriores tornou-se evidente. O cenário era triste. A sala estava destruída: móveis quebrados, vasos de cristal estilhaçados, quadros tortos ou no chão, garrafas vazias espalhadas. Seu escritório, então, parecia ter sido atingido por um furacão, papéis para todos os lados, cadeira tombada.

— Não dá para viver assim. Preciso providenciar alguém para fazer uma faxina nesta casa — Hunter falou sozinho, sua voz ecoando no vazio. — E para cuidar das coisas... eu não dou conta disso.

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