Mundo de ficçãoIniciar sessãoEnquanto isso, no Hospital Santa Mônica, a atmosfera era bem diferente. No quarto da ala pediátrica, o sol da manhã entrava pelas janelas, iluminando os desenhos coloridos colados nas paredes. Alistair entrou no quarto com seu melhor sorriso de "tio e médico".
— Como a minha princesinha está hoje? — ele perguntou, aproximando-se da cama, dando um beijo carinhoso no topo da cabeça da sobrinha. Lily estava sentada, cercada por travesseiros, com a perna engessada e alguns curativos no rosto que ressaltavam sua palidez. Ao ver o tio, seus olhinhos brilharam. — Titio Ali! Estou bem. Mas... cadê meu papai? Ele não vem? Alistair sentiu um aperto no coração. Ele se sentou na beirada da cama e segurou a mãozinha dela. — Ele vem aqui te ver hoje à tarde, Lily. Ele teve muitos problemas para resolver na empresa, mas me prometeu que vem. Ele está com muita saudade. — Oba! — ela exclamou, embora um brilho de dúvida ainda permanecesse em seu olhar infantil. Nesse momento, a porta do quarto se abriu suavemente, e uma onda de energia positiva pareceu entrar junto com a mulher que atravessava o batente. Elena Miller trazia consigo um sorriso contagiante e uma sacola de papel pardo. — Princesa Lily! Voltei com algo gostoso para a gente comer — anunciou Elena, sua voz doce e com um leve toque do sotaque italiano que ela nunca perdera totalmente. — Titia Elena! Trouxe meu cupcake? — Lily perguntou, esticando as mãozinhas. — Mas é claro que sim! Um cupcake de baunilha com muita cobertura de morango, do jeitinho que você gosta — Elena respondeu, piscando para a menina. Alistair se aproximou de Elena e a envolveu em um abraço rápido e agradecido. — Elena, obrigado por tudo o que está fazendo pela Lily. Eu sei que você tem suas consultas, seus atendimentos online, sua vida... — Para com isso. Você é meu melhor amigo, Alistair — ela o interrompeu com doçura, colocando a mão no braço dele. — Eu não ia deixar você na mão em um momento desses. E a Lily é uma doçura, já somos melhores amigas, não é, pequena? Lily assentiu vigorosamente enquanto Elena se aproximava da cama e entregava o doce e um copinho de suco natural. — Obrigada, titia Elena! Alistair ficou observando a interação por um momento. Elena tinha um dom natural com crianças; talvez fosse sua formação em psicologia, ou talvez fosse apenas a alma solar que ela possuía. Ela tratava Lily com uma mistura de carinho e dignidade que fazia a menina esquecer, por alguns instantes, a dor e a ausência da mãe. Alistair fez um sinal para que Elena o seguisse até o canto do quarto, perto da janela, para que pudessem conversar sem que Lily ouvisse. — Elena, meu irmão vem agora à tarde visitar a Lily — sussurrou ele. Ela arqueou as sobrancelhas, surpresa, mas com um brilho de esperança. — Isso é bom, não é? Finalmente ele saiu da toca. — Sim, a Lily precisa dele desesperadamente. Mas eu estou preocupado... — Alistair esfregou a nuca. — Eu sei que vai ser difícil. Ele entrou em uma escuridão profunda, Elena. Se sente culpado pelo acidente, está amargo, revoltado. Eu só espero que ele se encontre de novo quando vir a Lily, em vez de se afundar mais. Elena olhou para a pequena Lily, que comia o cupcake com deleite, e depois voltou seus olhos castanhos e expressivos para Alistair. — Estou aqui para ajudar se seu irmão precisar. Se ele topar fazer terapia, eu poderia acompanhá-lo, ou indicar alguém. Ajudaria muito ele a processar esse luto e essa culpa antes que isso vire algo destrutivo para os dois. Alistair soltou uma risada curta e sem muito humor. — Seria maravilhoso, Elena. Mas eu acho difícil ele aceitar fazer terapia. O Hunter... bem, ele tem a mente meio de ogro quando o assunto é falar de sentimentos. Ele prefere socar uma parede a conversar com um psicólogo. — Misericórdia, Alistair! — Elena riu, uma risada clara que fez Lily olhar para eles e sorrir também. — Não fala assim. Todo ogro tem um coração, a gente só precisa saber como chegar nele. Ninguém é tão duro que não precise de um pouco de cuidado. Eles deram risadas baixas, um momento raro de leveza em meio a tantos dias sombrios. A conversa foi interrompida quando uma enfermeira entrou no quarto carregando uma bandeja com as medicações da manhã. — Hora dos remédios, pequena guerreira — anunciou a enfermeira. Elena se aproximou da cama novamente, segurando a mão de Lily.






