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Capítulo 7: O Choque de Realidade

Hunter parou o carro de qualquer jeito no estacionamento do hospital. Ele ficou alguns minutos dentro do veículo, as mãos apertando o volante com tanta força que os nós dos seus dedos ficaram brancos. O coração batia descompassado contra as costelas. Ele sentia medo. Não era o medo de um jogo difícil ou de um negócio arriscado; era o medo de olhar nos olhos da própria filha e ver neles o reflexo da tragédia que tinha tirado Clara dele.

Ele finalmente saiu do carro e caminhou em direção à entrada principal. O cheiro de hospital, aquele misto de limpeza excessiva e remédios, deu um nó em seu estômago. Hunter passou pela recepção, onde a atendente, reconhecendo o famoso jogador de futebol americano apesar da aparência cansada e da barba por fazer, informou o número do quarto com um olhar de pena que o irritou profundamente.

Ele não queria pena. Ele queria que o mundo voltasse ao normal.

Hunter seguiu os corredores da pediatria. As paredes eram decoradas com adesivos de bichinhos e cores alegres, um contraste cruel com o que ele sentia por dentro. Quando chegou à porta do quarto de Lily, ele parou por um segundo, respirou fundo e girou a maçaneta.

O som que ele ouviu ao abrir a porta o paralisou. Era uma risada. Uma risada gostosa, infantil e cheia de vida. Lily estava sentada na cama, e ao lado dela, uma mulher que ele nunca tinha visto na vida fazia cócegas em sua barriga e contava alguma história engraçada.

Aquela cena, que deveria ser reconfortante, caiu como um ácido sobre Hunter. Quem era aquela mulher ocupando o lugar que deveria ser de Clara? Por que sua filha estava rindo com uma estranha enquanto a mãe estava debaixo da terra?

Ele deu um passo à frente, a expressão fechada, os ombros tensos como se estivesse prestes a entrar em campo para uma jogada decisiva. Lily o viu e seu rostinho se iluminou na mesma hora.

— Papai! — ela gritou, esticando os braços. — Você veio! Eu estava com tanta saudade, papai.

Hunter se aproximou da cama. Ele tentou sorrir, mas o gesto pareceu forçado. Ele se inclinou e deu um beijo na testa da filha, sentindo o cheiro de shampoo infantil misturado ao cheiro do hospital.

— Oi, princesa. O papai também estava com saudade — ele disse, com a voz falha.

Lily se agarrou ao pescoço dele por um momento, e Hunter sentiu um aperto no peito. Ele olhou por cima do ombro da filha e encarou a mulher que estava ali. Elena Miller se levantou devagar, mantendo um sorriso suave, mas seus olhos castanhos eram atentos, observando cada detalhe daquele homem que parecia um gigante pronto para explodir.

— Quem é você? — Hunter perguntou, a voz saindo fria e cortante. Ele não se deu ao trabalho de ser educado.

Elena sentiu a hostilidade dele, mas não recuou. Ela ajeitou a mecha de cabelo que tinha caído sobre o rosto e estendeu a mão.

— Olá, Hunter. Eu sou a Elena, uma amiga do Alistair. Estou ajudando a cuidar da Lily por esses dias.

Hunter ignorou a mão estendida dela. Ele cruzou os braços sobre o peito, fazendo seus músculos tatuados se destacarem sob a camiseta escura.

— Amiga do Alistair? Eu não te conheço. E não lembro de ter contratado ninguém para ficar aqui com a minha filha — ele disse, com um tom de arrogância que fez o sorriso de Elena desaparecer.

— O Alistair me pediu para... — ela começou a explicar, mas Hunter a interrompeu rudemente.

— Eu não me importo com o que o Alistair pediu. Eu sou o pai dela. Eu decido quem fica aqui e quem não fica. E eu não quero uma estranha enfiada no quarto da minha filha agindo como se fosse da família. Pode ir embora agora.

O quarto ficou em silêncio por um segundo. Lily olhava de um para o outro, o lábio inferior começando a tremer. Elena sentiu o sangue ferver. Ela já tinha lidado com muitos tipos de pessoas em seu consultório, mas a arrogância de Hunter a atingiu de um jeito diferente. Ela olhou para a pequena Lily e depois para o homem à sua frente, perdendo a paciência que costumava ter.

— Você está sendo muito injusto e, sinceramente, muito mal-educado — Elena disse, a voz firme, sem baixar a cabeça para ele. — Você está me chamando de estranha e questionando o que eu estou fazendo aqui? Pois eu te respondo: eu estou aqui fazendo o papel que você deveria estar fazendo.

Hunter estreitou os olhos, surpreso com a audácia dela. Ninguém falava com ele daquele jeito.

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