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Capítulo 3: O Peso da Ausência

O dia seguinte ao acidente não trouxe o alívio que o sono — quando vinha — costumava prometer. Para Hunter, o amanhecer foi o início de um pesadelo lúcido, uma realidade fria e cortante que ele não podia evitar. O mundo lá fora continuava a girar, os carros passavam pelas avenidas de Los Angeles e o sol insistia em brilhar, mas dentro dele, tudo estava estagnado, congelado no momento em que recebeu a notícia.

Como Hunter já esperava, seu irmão Alistair assumiu as rédeas da situação. O médico, apesar de também estar sofrendo pela perda da cunhada, manteve a compostura necessária para organizar o que Hunter jamais teria forças para fazer: o funeral. Alistair cuidou de cada detalhe, desde as flores até os comunicados à imprensa, garantindo que Clara tivesse a despedida mais digna e bela possível.

A cerimônia foi um evento silencioso e pesado. Clara estava dentro daquele caixão de mogno, parecendo mais uma escultura de porcelana do que uma pessoa morta. Ela estava linda, vestida com seu vestido favorito, os cabelos arrumados e uma expressão serena no rosto, como se estivesse apenas em um sono profundo e restaurador. Para Hunter, no entanto, aquela visão era a mais assustadora de sua vida. Era como uma cena de um filme de terror psicológico; o contraste entre a beleza dela e a imobilidade eterna era desesperador. Ele queria gritar para ela acordar, queria sacudi-la até que aqueles olhos castanhos brilhassem novamente, mas ele permanecia ali, parado como uma estátua de gelo.

Todos os seus amigos e colegas estavam presentes. O time de futebol americano compareceu em peso, homens grandes e fortes que pareciam pequenos diante da tragédia do seu quarterback. Eles prestavam suas homenagens em silêncio, tocando o ombro de Hunter em um sinal de apoio que ele mal sentia. O capitão da equipe aproximou-se, os olhos marejados.

— Hunter, tire o tempo que precisar — disse o capitão, a voz baixa. — A equipe está com você. Não se preocupe com treinos ou jogos agora. Apenas cuide de si mesmo e da sua pequena.

Hunter apenas assentiu, as palavras entrando por um ouvido e saindo pelo outro. Nada daquilo importava. O futebol, a fama, os títulos... tudo parecia cinza e sem valor.

Depois da cerimônia excruciante e do sepultamento, o retorno para casa foi, sem dúvida, a missão mais difícil que Hunter já enfrentou. Cada metro percorrido no carro era um passo em direção ao vazio. Ao chegarem ao portão da mansão, Alistair estacionou o carro e olhou para o irmão com preocupação genuína.

— Hunter, eu vou entrar com você. Vou ficar aqui hoje — insistiu Alistair, segurando o volante com força. — Você não precisa passar por isso sozinho.

— Não, Alistair — Hunter interrompeu, sua voz saindo seca e sem vida. — Eu preciso começar a enfrentar a solidão que se tornará os meus dias. Eu preciso ficar sozinho. Agora.

Alistair tentou protestar, disse que a dor compartilhada era mais leve, mas Hunter apenas saiu do carro e fechou a porta. Ele não queria consolo; ele queria se afogar no próprio silêncio.

Ao entrar na casa, o cheiro de Clara ainda estava por toda parte. Estava nas flores nos vasos, no perfume que pairava no hall de entrada, nas almofadas do sofá. Hunter caminhou direto para o bar da sala. Ele nunca fora um homem de beber muito; como atleta de elite e CEO, sua saúde era seu templo. Mas naquela noite, ele não era um atleta. Ele era apenas um homem destruído.

Ele encheu um copo de uísque puro e virou de uma vez, sentindo o líquido queimar sua garganta, buscando desesperadamente uma anestesia que demorava a chegar. A dor, que já era insuportável, tornou-se um monstro ainda maior quando ele abriu uma pasta que o hospital havia entregue junto com os pertences de Clara. Ali, entre exames de rotina, estava o resultado de um exame de sangue que ela havia feito dias antes: Clara estava grávida de três meses.

Um grito de agonia escapou dos lábios de Hunter. Ele não tinha perdido apenas a esposa; ele tinha perdido o futuro, um filho ou filha que jamais conheceria a luz do dia. Ele acabou com a garrafa inteira de uísque sozinho, sentado no chão do bar. Cambaleando, foi até o seu escritório, onde se trancou. Ali, ele chorou até soluçar, gritou xingamentos para todos os santos, para Deus e para qualquer força divina que tivesse permitido aquela crueldade. Ele socou a mesa, jogou livros no chão e, exausto pelo álcool e pelo sofrimento, acabou dormindo ali mesmo, no tapete frio.

Os dias que se seguiram transformaram-se em uma névoa sombria. A rotina de Hunter era um ciclo de autodestruição. Ele bebia, chorava e quebrava mais algumas coisas sempre que a raiva superava a tristeza. Ele passava horas beijando as fotos de Clara, assistindo a vídeos antigos no celular, ouvindo os áudios dela repetidamente apenas para sentir a vibração daquela voz em seus ouvidos. Ele dormia abraçado às roupas dela, aspirando o perfume que começava a desaparecer do tecido, sentindo-se cada vez mais louco.

Já haviam se passado quinze dias. Alistair ligava constantemente, vinha até a casa, batia na porta, mas Hunter não atendia e não permitia a entrada de ninguém. Ele estava se tornando um fantasma dentro da própria casa. No vigésimo dia, no entanto, Hunter foi surpreendido. Ao descer para a sala, encontrou Alistair sentado no sofá. O irmão devia ter usado sua chave reserva.

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