Mundo ficciónIniciar sesiónLuna Azevedo só queria um emprego tranquilo para recomeçar a vida. Aceitar o cargo de babá na mansão de Adrian Valmont, um dos bilionários mais influentes e enigmáticos do país, parecia a oportunidade perfeita — até ela perceber que seu novo chefe controla tudo ao seu redor, inclusive as próprias emoções. Marcado por perdas e segredos, Adrian vive para o trabalho e para proteger a sobrinha que se tornou sua única família. A presença de Luna traz luz à casa silenciosa e desperta nele uma obsessão silenciosa, intensa e perigosa: a necessidade de tê-la por perto, de protegê-la, de entendê-la. Enquanto Luna tenta manter o profissionalismo, o olhar atento de Adrian e a tensão crescente entre eles tornam impossível ignorar o sentimento que nasce. Entre limites ultrapassados, medos do passado e uma atração avassaladora, ambos precisarão escolher entre o controle e a entrega. Porque, às vezes, o amor surge onde menos se espera... e exige coragem para ser vivido.
Leer másLUNA
Estou sentada na pequena mesa da cozinha do meu apartamento, com o notebook aberto e uma xícara de café já frio ao meu lado. A chuva b**e na janela como se quisesse entrar sem ser convidada, e por um instante penso que ela combina perfeitamente com o momento da minha vida: insistente, cinza e cansativa. Atualizo a página de empregos pela quarta vez em menos de dez minutos. Nada. Meu currículo está impecável — formação em pedagogia, cursos extras, referências — mas isso não paga aluguel, nem contas atrasadas, nem o vazio incômodo de quem precisa recomeçar do zero. Desde que tudo desmoronou meses atrás, tenho aprendido que “potencial” não enche a geladeira. Respiro fundo e passo a mão pelo rosto. — Vai dar certo, Luna — murmuro para mim mesma, mesmo sem acreditar totalmente. Abro outro site, depois outro. Babá, auxiliar pedagógica, recreadora. Leio anúncios repetidos, salários baixos, exigências absurdas. Alguns pedem experiência que eu não tenho, outros oferecem tão pouco que chega a ser ofensivo. Quando estou prestes a fechar o notebook, um anúncio novo surge no topo da página, como se tivesse acabado de ser publicado. BABÁ — DISPONIBILIDADE IMEDIATA Residência particular — Mansão Valmont Salário acima da média | Moradia opcional | Total confidencialidade exigida. Franzo a testa. Valmont. O nome me soa familiar, e não demora para eu lembrar. Todo mundo já ouviu falar dos Valmont. Empresários bilionários, discretos, raramente vistos em eventos sociais. O tipo de família que aparece em revistas de negócios, não em colunas de fofoca. Meu primeiro impulso é rir. — Isso não é pra mim — digo em voz alta. Leio o anúncio mesmo assim. Requisitos: — Experiência com crianças — Formação em pedagogia ou áreas afins — Discrição absoluta — Disponibilidade integral Disponibilidade integral me faz engolir em seco. Moradia opcional também. Parece mais um contrato de confidencialidade disfarçado de emprego. Rolo a página para baixo. Observação: A criança está sob tutela do responsável legal. Ambiente reservado. Entrevistas seletivas. Meu dedo paira sobre o mouse. Algo dentro de mim diz para ignorar. Pessoas como eu não trabalham em mansões. Não entram no mundo dos bilionários. Eu sou invisível demais para isso. Mas outra parte — a parte cansada de contar moedas, de dormir mal, de fingir que está tudo sob controle — sussurra que oportunidades raramente batem duas vezes. Olho ao redor do apartamento pequeno, as paredes descascando, a pilha de contas sobre a geladeira. Penso em como seria não ter que escolher entre pagar a luz ou comprar comida. Penso em recomeçar de verdade. — É só uma candidatura — digo para mim mesma, como se isso tornasse tudo menos assustador. Clico. O formulário é direto, quase frio. Nome, idade, formação, experiências anteriores. Não pedem foto. Não pedem redes sociais. Isso é estranho… e, de certa forma, inquietante. Na parte “Por que você deseja essa vaga?”, hesito. O que eu escrevo? Que preciso desesperadamente de um emprego? Que quero estabilidade? Que não tenho mais luxo para escolher? Respiro fundo e digito a verdade. A versão profissional dela. “Acredito no cuidado emocional como base do desenvolvimento infantil. Tenho experiência prática, formação adequada e disponibilidade total para oferecer segurança, atenção e responsabilidade.” Releio. Parece suficiente. Anexo meu currículo e fico encarando a tela por alguns segundos antes de apertar “Enviar”. Meu coração b**e um pouco mais rápido, como se eu estivesse cruzando uma linha invisível. Quando finalmente envio, sinto um misto de alívio e nervosismo. Fecho o notebook. — Pronto, Luna. Agora é esperar. Mas a verdade é que, naquele instante, eu ainda não tenho ideia de que aquele clique acabou de mudar tudo. Não sei que a Mansão Valmont não é apenas um lugar. É um mundo fechado, regido por regras próprias… e por um homem acostumado a controlar absolutamente tudo. Inclusive as pessoas que entram na sua vida. Me levanto, lavo a xícara de café e tento seguir o dia como se nada tivesse acontecido. Como se meu destino não tivesse acabado de ser puxado para uma órbita perigosa e silenciosa. O celular vibra sobre a mesa. Um e-mail novo. Meu coração dispara antes mesmo de eu ler o remetente. Valmont Group — Seleção Privada. Engulo em seco. E, pela primeira vez em muito tempo, sinto que algo grande — e possivelmente avassalador — está prestes a começar.O Despertar de Clara: Entre a Razão e a Sedução Aos dezoito anos, Clara Valmont não era apenas a herdeira de um império; ela era uma força da natureza que carregava o fogo de Luna e a determinação implacável de Adrian. Quando os portões da prestigiosa Saint-Germain University se abriram para ela, o mundo não via apenas uma caloura de Direito, mas uma mulher que cresceu ouvindo que o amor não precisava de gaiolas e que a verdade era a única bússola válida. No entanto, a liberdade que ela tanto prezava estava prestes a ser testada por dois polos magnéticos opostos. O Professor: Dr. Julian Sterling A primeira vez que ela o viu, o ar na sala de aula pareceu rarefeito. Dr. Julian Sterling, trinta e seis anos, professor de Filosofia do Direito e dono de um olhar que parecia dissecar a alma de qualquer um. Ele não era apenas bonito; ele carregava uma aura de autoridade e mistério que fazia o sangue de Clara ferver. Julian era o proibido. O homem que falava sobre ética com uma voz rouca
Adrian Dez Anos Depois: O tempo é um conceito curioso. Para alguns, ele desgasta; para mim, ele apenas solidificou o que eu construí sobre as cinzas do meu antigo eu. Dez anos se passaram desde que coloquei aquela aliança no dedo de Luna. A mansão Valmont não é mais um mausoléu de mármore; é um organismo vivo, pulsante, protegido por camadas de segurança que o mundo mal consegue conceber, mas governado pelo riso.********* O sol da manhã batia na mesa de carvalho da sala de jantar. Eu observava minha família. Enzo, aos dez anos, já exibia a mandíbula travada e o olhar analítico dos Valmont, focado em seu tablet de investimentos juvenis. E à minha direita, Clara. Aos dezesseis anos, ela herdou a beleza etérea da mãe e a audácia que, eu suspeito, veio de conviver comigo. Mas havia algo diferente nela hoje. Um brilho de descoberta nos olhos. — Tio Adrian... Luna... — Clara começou, deixando o talher de lado. Ela ainda me chamava de tio por costume, mas o vínculo era de pai e filha.
Luna A luz da manhã entrava pelas frestas da cortina de seda da nossa suíte, tingindo o quarto de um dourado suave que parecia surreal. Eu pisquei os olhos devagar, sentindo o peso reconfortante do braço de Adrian sobre a minha cintura. Olhei para a minha mão esquerda sobre o lençol e vi a aliança brilhando, um círculo perfeito de platina que selava o que meu coração já sabia há muito tempo: eu era dele, e ele era meu. Às vezes, eu ainda sentia vontade de me beliscar. Se alguém me dissesse, um ano atrás, que a babá tímida que entrou naquela mansão com medo da própria sombra se tornaria a Sra. Valmont, eu teria rido. Mas a vida com Adrian não era uma comédia romântica; era uma epopeia de fogo, perigo e uma intensidade que poucas pessoas suportariam. O Casamento sob meus olhos Durante a cerimônia, enquanto caminhava em direção a ele, eu não vi as centenas de convidados influentes ou a decoração milionária. Eu vi apenas os olhos de Adrian. Aqueles olhos que costumavam ser poços de ge
AdrianO planejamento de um casamento para um homem como eu nunca foi sobre escolher flores ou provar bolos. Foi sobre erguer um monumento. Eu queria que o dia em que Luna oficialmente se tornasse uma Valmont fosse gravado na história não pelo luxo, mas pela mensagem implícita: o que eu amo, eu protejo; o que é meu, é sagrado.Os meses que precederam a cerimônia foram um borrão de reuniões táticas que pareciam mais conselhos de guerra do que preparativos matrimoniais. Enquanto Luna se perdia em tecidos de renda francesa e discussões sobre o tom exato das orquídeas brancas, eu cuidava da logística de ferro.Contratei uma empresa de inteligência privada para filtrar cada um dos quinhentos convidados. Cada garçom, cada músico da orquestra e cada florista passou por uma investigação de antecedentes. Eu não correria riscos. Maicon estava morto, mas o mundo dos negócios é povoado por abutres, e eu não permitiria que uma única sombra cruzasse o altar.Lembro-me de uma noite, duas semanas ant
Três meses se passaram desde que Enzo chegou para redefinir o que eu entendia por "caos sob controle". Minha vida, que antes era pautada por cronogramas de fusões e aquisições, agora é regida por ciclos de amamentação, o cheiro de lavanda de Luna e o som de pequenos suspiros vindos do berço de carvalho. Eu nunca fui um homem de esperar. No mundo dos negócios, se você hesita, você perde. E eu já havia decidido, no momento em que vi Luna segurando nosso filho pela primeira vez, que ela nunca mais seria "apenas" a mulher que eu amava. Ela seria a dona de tudo. A mansão estava mergulhada naquela calmaria profunda do início da madrugada. Deixei o meu escritório e caminhei em direção aos quartos. No caminho, parei diante da porta entreaberta do quarto do bebê. Helena estava lá. Ela não me viu. A luz suave do abajur em formato de estrela iluminava o seu rosto cansado, mas sereno. Ela estava parada entre o berço de Enzo e a cama de transição que havíamos colocado para Clara — que se recusa
Adrian O ambiente estéril do centro cirúrgico do hospital — que eu fiz questão de isolar completamente para este momento — cheirava a antisséptico e a uma tensão que eu nunca havia experimentado antes. Nem mesmo quando tive bilhões em jogo no mercado financeiro meu coração bateu com essa violência desgovernada.Eu estava paramentado, segurando a mão de Luna com tanta força que temia quebrar seus dedos, mas era ela quem estava me esmagando. O rosto dela, antes sereno e doce, era agora uma máscara de suor, esforço e uma fúria divina. — Vamos, Luna! Respira, amor. Você está quase lá! — eu incentivei, inclinando-me sobre ela, limpando a testa dela com uma compressa fria. — CALA A BOCA, ADRIAN! — ela gritou, a voz saindo em um rosnado que faria um soldado recuar. — Você fez isso comigo! Você e essa sua mania de me querer toda hora!Dei um sorriso de lado, um brilho de adoração nos olhos. Mesmo sofrendo, ela era a mulher mais poderosa que eu já tinha visto.— Eu sei, eu sei. A culpa é t





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