Mundo ficciónIniciar sesiónNão importa o quanto você tente, o bem sempre será o bem e o mal sempre será o mal. Tentar unir essas duas coisas é um erro. Eu a quis desde o primeiro momento que a vi correndo pelo campo com uma cesta na mão e longos cabelos negros esvoaçantes. Eu sabia que eu devia ficar longe dela e eu tentei. Deus! Como eu tentei. Mas, ao que tudo indica, não tentei o suficiente. Ao invés disso, passei a acreditar que ela poderia me salvar de alguma maneira. Grave erro. Ela não estava me salvando. Eu é que a estava matando. Infelizmente eu não me dei conta disso até que era tarde demais.
Leer másLuca
É incrível como um breve momento pode mudar toda a sua vida e o mais engraçado é que naquele dia você acorda, se arruma, sai de casa e não faz ideia do que está prestes a acontecer, não sabe do peso e da importância daquele dia. É assim que eu me sinto cada vez que eu me lembro do dia em que eu conheci Guilhermina. Eu estava determinado a acabar com Jeremias Pienezza, um marginal nativo da Toscana que tinha um dissabor com Matteo Mazza, irmão de Tony, meu sócio e que viria a se tornar um amigo. Eu iria acabar com ele e resgatar Giovanna Mazza com vida (a mulher de Matteo, que ele havia sequestrado). Para isso, tive que viajar até a Toscana e me encontrar com os irmãos Mazza que estavam na vinícola.
Não. Eu não era uma boa pessoa, um herói, salvador, redentor ou qualquer merda dessas. Eu era o cara mau. O vilão. Porém, a junção de duas coisas me colocou onde eu estava agora. 1. Eu tinha uma dívida com Antony Mazza por ele ter salvado a minha vida um tempo atrás e 2. Eu era o primogênito do Capo de uma das maiores organizações criminosas do mundo. Ocorre que Jeremias Pienezza nos usou. Usou a Família para foder pessoas de bem e, veja, nós não mexemos com pessoas de bem gratuitamente. Então eu falei com o meu pai e eu pedi autorização para interferir.
Em seguida, eu entrei no meu helicóptero e parti para a vinícola. Eu estava olhando toda aquela imensidão de verde e então eu a vi. Ainda dentro do helicóptero eu assisti aquela massa de cabelos escuros esvoaçantes e aquela pele clara deslizando graciosamente pela grama que cercava a propriedade. Ela estava correndo, mas pra mim tudo acontecia em câmera lenta. Ela levava uma cesta na mão e estava descalça. Foi a coisa mais linda que eu já vi na vida e, depois daquele dia, eu nunca mais fui o mesmo.
Cresci sendo o primogênito dos Sartori e ciente de toda a carga de responsabilidade que esse posto acarretava. Nunca lamentei a minha sorte... até aquele momento. Porque ser quem eu era, possuir o que eu possuía me impedia de ter o que verdadeiramente queria e isso era: Guilhermina.
Eu nem sabia o seu sobrenome, nem nada, mas eu sabia que ela era pura e doce, sabia que no seu coração só havia bondade, enquanto que o meu era escuro, negro, impuro... como eu podia pensar sequer em pôr as minhas mãos sujas sobre algo tão puro? Mas eu não pensei, eu apenas fiz.
Eu fodi todos os tipos de mulheres de todas as maneiras possíveis, mas os pouquíssimos beijos que eu dei em Guilhermina foram melhores do que qualquer outro beijo ou foda pervertida que eu tivera antes e agora eu não sabia o que fazer à partir daqui. Então eu não fiz nada.
Mais de três meses se passaram desde que nós resgatamos Giovanna e o pequeno Mazza nasceu. Três fodidos meses. Três meses desgraçados. Três meses filhos da puta. Três meses desde que eu senti os lábios de Guilhermina na porta do hospital. Três meses desde que eu a vi pela última vez. Três meses...Então, Antony Mazza me entrega, em mãos, um convite cheio de renda branca e meia pérola. Dali a poucos dias seria o batismo do pequeno Mazza e eles faziam questão da minha presença.
- Vou buscar você no quinto dos infernos, essa foi a ordem dos pais do pequeno Teo. Você não vai querer decepcioná-los. Nem mesmo você vai querer fazer isso, Poderoso Chefão. – Antony disse na ocasião.
Então eu aceitei o convite. Nunca duas semanas se pareceram tão longas. Antes eu já pensava nela, sobre como ela estava no dia em que a conheci, sobre quão duro eu fiquei ao beijá-la sob a grande árvore da vinícola, sobre o quão mais duro ainda eu fiquei ao perceber que aquele foi o seu primeiro beijo. Mas até então eram lembranças e era tudo que eu poderia ter.
Eu estava uma merda, segundo Demétrius e o próprio Antony, mas pelo menos ela estava segura longe de mim. Agora, porém, eu sofro de ansiedade pelo que poderia acontecer, uma ansiedade esperançosa que logo é seguida de perto pela culpa do que eu poderia fazer. Eu não devia me aproximar dela e isso era para o seu próprio bem.
LucaEu não posso dizer que eu sonhei com esse dia. Não, eu nunca sonhei por que eu nunca acreditei que ele seria possível. Mas em algum momento eu passei a desejar que ele fosse. A medida que as coisas entravam nos eixos eu passei a me perguntar: Será? E depois que eu vi que isso apenas iria acontecer eu passei a me apegar a isso como um bote salva-vidas.Eu não era um santo. Eu nunca seria um santo. Mas ela era a minha redenção. Ela era a certeza de que, apesar dos meus pecados, alguém me amava lá em cima. Então... apenas então, eu passei a, não me achar digno, mas apenas agradecer a providência divina que me permitiu uma chance de ser feliz.À medida que Guilhermina caminhava pelo tapete vermelho do Duomo, parecendo uma princesa de conto de fadas eu só conseguia pensar: “Porra! Isso está acontecendo.” Em seguida, meu pai a entregou para mim. Sim, não era o pai dela infelizmente, mas o meu pai e isso tinha algum significado também. Por que eu me senti um pouco lesado ao longo da min
Mais tarde, depois que Luca me limpou e também a si, eu me aconcheguei em seus braços, minhas costas contra sua frente e Luca pousou a mão sobre a minha barriga. Ele beijou o meu ombro enquanto acariciava o meu ventre sem qualquer elevação. Mas ele sabia, assim como eu, que havia uma vida ali dentro. Uma vida gerada por nós dois. Uma parte nossa que nós iríamos amar incondicionalmente.Em algum lugar no meu subconsciente, as palavras de Andrey piscavam como um sinal luminoso. Mas eu amava Luca e ele a mim. No dia seguinte eu me tornaria a sua esposa e seria para sempre sua, assim como ele seria para sempre meu. Eu me recusava a levar qualquer versão que não fosse uma ratificação do amor de Luca por mim e meu por ele.- Guilhermina? – ele sussurrou no meu ouvido. Eu enrijeci levemente por que notei uma preocupação no seu tom.- Sim?- Eu amo você – meus lábios arquearam naturalmente em um sorriso autêntico.- Eu também te amo, Luca.- Bella, eu amo você. – ele falou com mais ênfase e e
Mais tarde, depois que Luca me limpou e também a si, eu me aconcheguei em seus braços, minhas costas contra sua frente e Luca pousou a mão sobre a minha barriga. Ele beijou o meu ombro enquanto acariciava o meu ventre sem qualquer elevação. Mas ele sabia, assim como eu, que havia uma vida ali dentro. Uma vida gerada por nós dois. Uma parte nossa que nós iríamos amar incondicionalmente.Em algum lugar no meu subconsciente, as palavras de Andrey piscavam como um sinal luminoso. Mas eu amava Luca e ele a mim. No dia seguinte eu me tornaria a sua esposa e seria para sempre sua, assim como ele seria para sempre meu. Eu me recusava a levar qualquer versão que não fosse uma ratificação do amor de Luca por mim e meu por ele.- Guilhermina? – ele sussurrou no meu ouvido. Eu enrijeci levemente por que notei uma preocupação no seu tom.- Sim?- Eu amo você – meus lábios arquearam naturalmente em um sorriso autêntico.- Eu também te amo, Luca.- Bella, eu amo você. – ele falou com mais ênfase e e
Deixamos o hospital por volta do meio-dia da sexta-feira, véspera do nosso casamento. Com a liberação da obstetra para a nossa viagem de Lua-de-mel. Eu ia ser mãe e eu estava feliz com isso. Eu sempre quis isso. Eu não estava brincando quando disse a Luca que eu sempre quis ter muitos filhos. Primeiro por que eu adoro criança e, segundo, para compensar a minúscula família que eu tive. Porém, eu também não menti quando disse que estava com medo.As palavras de Andrey voltaram para mim tão claras como no dia que ele tentou me levar embora: “Você vai estar sempre em perigo vivendo com ele e se você tiver um filho, que tipo de vida essa criança vai ter, Guile?”. Eu não podia apenas ignorar isso. Deus! Eu amava Luca mais do que tudo, mas eu temo por essa criança. Eu imagino o tipo de educação a que Luca foi submetido e meu coração fica minúsculo ao pensar que o nosso filho pode ser submetido ao mesmo tratamento.O carro parou na entrada do prédio de Luca, e Greg, que veio no outro carro co
LucaO trajeto até o hospital foi curto. Eu fui no carro com Guilhermina e, apesar da preocupação da minha mãe e Alice, eu as tranquilizei dizendo-lhes que tudo estava bem e que apenas íamos ao hospital para fazer um raio-x por segurança. Alice queria vir conosco, mas um olhar suplicante que eu ofereci a minha mãe fez com que ela anunciasse que estava indo para casa e aguardaria as notícias.Nem eu, nem Guilhermina tocamos no assunto da possível gravidez. Primeiro por que não era certa, segundo por que eu senti que havia algo muito estranho na forma como Guilhermina estava se comportando sobre isso. Eu a segurei em meus braços e beijei seus cabelos por todo o caminho até o hospital, mas fizemos isso em silêncio.Uma enfermeira coletou uma amostra de sangue de Guilhermina explicando que em cerca de uma hora teria o resultado sobre a gravidez. Eu notei os olhos assustados de Guilhermina pousarem sobre os meus antes que ela disfarçasse e voltasse sua atenção para a mulher que lhe dizia q
- Onde está a porcaria do médico, Demétrius? – Eu ouvi a voz de Luca com um tom de desespero, mas ela parecia tão longe e o gosto ruim em minha boca tornava mais difícil me concentrar.- Ele está a caminho. Faz menos de cinco minutos que chamamos, ele não poderia chegar tão rápido aqui.Sua voz soou mais próxima agora – Bella, por favor, fale comigo. – Eu podia sentir a agonia em sua voz, o que me deu forças para tentar sair da névoa confusa em que eu me encontrava. Eu tentei chamar seu nome de volta, mas minha boca não obedecia.- Querido, por favor, você precisa se acalmar. Ela está respirando. Logo o médico estará aqui. – Era a Sra. Sartori falando.Eu me forcei a falar e me mexer. Qualquer coisa que o fizesse entender que eu estava bem. Embora eu não me sentisse bem realmente. Mas acho que devo ter conseguido me mexer por que eu pude ouvi-lo engasgar. – ela me tocou. Guilhermina, querida. Meu amor, eu estou aqui. O médico está a caminho.Aos poucos o gosto ruim e o peso sobre as m





Último capítulo